Internacional

Mais receios no Afeganistão

O terramoto que fez mais de mil mortos no Afeganistão mobilizou a comunidade internacional para ajudar a população, mas envolvimento dos talibãs pode causar entraves.


Estão a crescer os receios relativos às vítimas do terramoto que fez mais de 1150 vítimas mortais no Afeganistão, esta quarta-feira, com cidadãos a alertarem para os perigos e dificuldades que os cidadãos estão a sofrer.

Apesar de estarem a chegar as primeiras ajudas da comunidade internacional, centenas de cidadãos encontram-se sem abrigos ou apoio médico.

«O Ministério da Saúde não tem medicamentos suficientes, precisamos de ajuda médica e outras necessidades porque este é um grande desastre», disse um funcionário, citado pelo Guardian, enquanto um cidadão, Zaitullah Ghurziwal, alertou para o facto de não haver «cobertores, barracas ou abrigos». Mas os problemas não ficam por aqui. «Todo o nosso sistema de distribuição de água está destruído. Não há literalmente nada para comer», escreve a AFP.

A comunidade internacional já se começou a mobilizar para ajudar o Afeganistão, com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a manifestar a sua tristeza pelo «mortífero» desastre natural que atingiu o leste do Afeganistão.

Guterres afirmou que a ONU está «totalmente mobilizada» e que as equipas no Afeganistão estão no terreno a avaliar «necessidades e a fornecer apoio inicial».

«Transmito as minhas mais profundas condolências às famílias das vítimas e desejo uma rápida recuperação aos feridos», acrescentou.

Diversos outros organismos, entre os quais a Organização Mundial da Saúde, o Crescente Vermelho local e o Programa Alimentar Mundial, começaram a enviar equipas de saúde móveis para as províncias de Paktika e Khost, numa altura em que a população está a necessitar igualmente de cuidados de emergência, ajuda alimentar e não-alimentar, e assistência em matéria de serviços de água, higiene e saneamento.

A União Europeia pediu esta quarta-feira «assistência internacional» para o Afeganistão assegurando que irá ajudar aqueles que mais precisam.

A situação é tão grave que o Governo liderado pelos talibãs apelou à comunidade internacional para enviar ajudas e apoios para lidar com a destruição criada por esta catástrofe natural.

Numa rara aparição pública, o líder supremo dos Talibãs, Haibatullah Akhundzadah, pediu à comunidade internacional e às organizações humanitárias «que ajudem o povo afegão afetado por esta grande tragédia e não poupe esforços», cita o jornal inglês.

Numa altura em que o território já estava envolto numa crise económica, o grupo extremista apelou ainda a que os países ocidentais levantassem as restrições impostas depois das forças armadas dos Estados Unidos terem abandonado o Afeganistão, que conduziu o grupo insurgente ao poder.

Contudo, o envolvimento dos talibãs poderá ser uma barreira para a atribuição de ajudas humanitária, com países como a Alemanha ou a Noruega a revelarem que não irão colaborar diretamente com o grupo insurgente, apenas enviando ajuda através de organismos como as Nações Unidas.

A complicar as operações de resgate está ainda o facto de o terramoto ter atingido áreas que já estavam a sofrer efeitos provocados por chuvas pesadas, deslize de terra e lama que levaram os cidadãos a ter de escavar e procurar entre destroços por sobreviventes.

Segundo as autoridades, além das vítimas mortais, pelo menos 2 mil pessoas sofreram ferimentos durante o terramoto e mais de 118 mil crianças foram afetadas.

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