Lisboa cai na tabela e fica atrás de Madrid e Barcelona

A liderança pertence, novamente, a Hong Kong. Zurique (2.º), Genebra (3.º), Basileia (4.º) e Berna (5.º) completam as cinco primeiras localizações mais caras do mundo para expatriados. Já a cidade mais barata da Europa de Leste é Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, classificada em 209.º lugar.

O aumento do trabalho remoto e flexível, a guerra na Ucrânia, as variações cambiais e a inflação generalizada estão a ter um impacto material na compensação dos colaboradores, o que pode ter consequências graves para as empresas na batalha global pelo talento. A conclusão é do estudo “Custo de Vida 2022”, lançado pela consultora Mercer, que classifica o custo de vida de 227 cidades do mundo para expatriados a partir da análise conjunta do custo comparativo de mais de 200 itens em cada local, incluindo habitação, transporte, alimentação, vestuário, produtos domésticos e entretenimento. A liderança pertence, novamente, a Hong Kong. Zurique (2.º), Genebra (3.º), Basileia (4.º) e Berna (5.º) completam as cinco primeiras localizações mais caras do mundo para expatriados.

Tiago Borges, Business Leader de Career da Mercer Portugal, afirmou: “A volatilidade desencadeada pela COVID-19 e agravada pela crise na Ucrânia tem alimentado a incerteza económica e política global. Esta incerteza, que anda em par com o aumento significativo da inflação na maioria dos países em todo o mundo, preocupa os expatriados quanto ao seu poder de compra e estabilidade socioeconómica”. 

Os expatriados remunerados através de uma abordagem baseada no princípio do país de origem recebem normalmente um subsídio de custo de vida para manter o seu poder de compra nos países de destino. Este subsídio é calculado através da aplicação de um índice de custo de vida sobre parte do salário líquido dos colaboradores (o seu “rendimento disponível” – ou seja, o montante que gastam em bens e serviços utilizados diariamente no seu local de acolhimento).

Tanto a inflação como as flutuações das taxas de câmbio influenciam diretamente o poder de compra dos colaboradores a trabalhar fora do país de origem. O aumento do trabalho remoto e flexível levou também muitos colaboradores a reconsiderarem as suas prioridades, o equilíbrio entre a vida profissional e familiar e a escolha do local de residência. Estas condições podem ter consequências significativas para as empresas, que precisam de repensar a sua estratégia de mobilidade, para terem uma oportunidade na batalha global pelo talento. Por outro lado, esta situação oferece também uma oportunidade para as cidades e para atrair investimento estrangeiro.

“Para as organizações, o bem-estar financeiro dos colaboradores é um fator-chave na sua capacidade de atrair e reter talentos de topo e, com dados fiáveis e rigorosos, as organizações podem definir estratégias claras para estruturar os seus pacotes de mobilidade para colaboradores internacionais em tempos instáveis”, acrescentou Tiago Borges. 

E acrescenta: "As condições de trabalho e económicas em todo o mundo estão a evoluir mais rapidamente do que antes. As empresas precisam de navegar cuidadosamente pelos custos/pacotes de contratos internacionais em tempos de incerteza e adaptar-se ao novo mundo do trabalho para assegurar a resiliência empresarial e futuros sustentáveis para os seus expatriados", referindo também que "as empresas precisam de informação de mercado e estratégias claras para colocar em prática pacotes de mobilidade para expatriados que sejam competitivos em tempos instáveis, assegurando o bem-estar financeiro dos seus colaboradores, bem como a eficiência empresarial e a transparência e equidade”, disse Marta Dias, Rewards Leader da Mercer Portugal. “A falta de adaptação das estratégias internacionais de remuneração ao novo mundo do trabalho prejudica a capacidade das organizações em atrair, desenvolver e reter talentos-chave”, acrescentou.

Os dados do custo de vida da Mercer ajudam as organizações a compreender a importância de monitorizar as flutuações monetárias e avaliar as pressões inflacionistas e deflacionistas sobre os bens, serviços e alojamento em todos os locais de operação. Os dados também ajudam a determinar e a manter pacotes de compensação para colaboradores em operações internacionais. Além disso, o custo de vida num local pode ter um impacto significativo na sua atratividade como destino para os talentos e influenciar as decisões de seleção de locais para as organizações se expandirem e transformarem a sua pegada geográfica.

 

TOP 10  dos mais caros

O estudo “Custo de Vida 2022” da Mercer colocou Copenhaga (Dinamarca), em 11.º lugar do ranking global, Londres (Reino Unido, 15.º), Viena (Áustria, 21.º) e Amesterdão (Países Baixos, 25.º) como outras das cidades em destaque na Europa Ocidental, além das referidas cidades suíças de Zurique, Genebra, Basileia e Berna.

A cidade mais cara da Europa de Leste é Praga (Chéquia), que ocupa o 60.º lugar entre 227 cidades. É seguida por Riga (Letónia, 79.º), Bratislava (Eslováquia, 105.º) e Tallinn (Estónia, 140.º). A cidade mais barata da Europa de Leste é Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, classificada em 209.º lugar.

Por sua vez Lisboa que desceu 26 posições no ranking, fica agora abaixo do meio da tabela das cidades europeias atrás de cidades como Madrid ou Barcelona.