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Depois da saída de embaixadoras, fundador da Prozis diz que "não precisa de Portugal"

A polémica que envolve Miguel Milhão começou com uma publicação na rede social Linkedin, na qual defendeu a anulação do direito ao aborto dos Estados Unidos. A sua opinião foi alvo de muitas críticas e consequentes desvinculações por parte de mulheres que eram parceiras da empresa. Para responder às indignações, Milhão recorreu ao podcast interno da Prozis para responder ao assunto do momento.  

Depois da saída de embaixadoras, fundador da Prozis diz que "não precisa de Portugal"

Depois de expressar o seu apoio sobre a anulação do direito ao aborto nos Estados Unidos, Miguel Milhão, fundador da Prozis, centrou todas as atenções em Portugal, provocando várias reações de celebridades que são embaixadoras da sua marca. Para responder à chuva de críticas, Milhão recorreu ao podcast interno da Prozis.

Tudo começou com esta publicação na rede social Linkedin, entretanto apagada: "Parece que os bebés por nascer recuperaram os seus direitos nos EUA! A natureza está a recuperar!”.

De seguida, várias embaixadoras reagiram a esta publicação, decidindo desvincular da parceria com a marca de produtos alimentares e de nutrição, como a apresentadora da RTP Rita Belinha e as atrizes Jéssica Athayde e Marta Melro.

“E assim chegou ao fim uma parceria. Não verão mais publicidade no meu Instagram a esta empresa [Prozis]. É uma questão de princípio. Os valores por detrás das empresas, para mim, são fundamentais na hora de escolher com quem trabalho”, escreveu a apresentadora nas stories do Instagram.

“Todas as vozes vão ser necessárias neste momento tão grave em que o mundo regride à frente dos nossos olhos“, disse Jéssica Athayde na mesma ferramenta.

Sem virar as costas ao assunto do momento, ainda que a sua conta de Instagram esteja inativa, Miguel Milhão abordou, esta terça-feira, o tema no podcast da marca, ‘Conversas do Karalho’.

O empresário, que fundou a empresa quando tinha apenas 23 anos, afirmou que “a Prozis não precisa de Portugal”, considerando-se “incancelável” e com “recursos ilimitados”.

Além disso, também apelidou quem criticou o seu ponto de vista de “pulhecos de m*erda”, naquilo que considerou ser “uma hipocrisia”. No entanto, as declarações não ficam por aqui.

“Não gosto desta ‘mob’, destes filhos da p*ta. Podem todos deixar de comprar na Prozis”, atirou.

“Não vamos ser manipulados por esta ‘mob’. As minhas ideias são as minhas ideias, não são as da Prozis. A Prozis não tem ideias - é uma empresa que vive para produzir bens e serviços, que tem como objetivo produzir lucro. É uma empresa privada, que tem acionistas, trabalhadores, parceiros, vários tipos de ‘stakeholders’, e todos eles têm opiniões diferentes”, justificou, ao referir que “isto não é a Coreia do Norte”.

Miguel Milhão, que vive nos Estados Unidos, disse que a “ditadura das ideias” é, a seu ver, “o princípio do fim das civilizações”, admitindo que “preferia comer terra do que mudar de ideias”.

Mais concretamente sobre a publicação, o fundador da Prozis disse que não estava “a falar das mulheres”, mas sim dos “bebés”, que “estão a ganhar direitos”.

"Se eu matar um idoso, o que é que lhe roubei? As experiências que ele ia ter até morrer de morte natural. E roubaria às outras pessoas a sua presença e a sua energia. Mas se matasse um jovem adulto, roubava muito mais experiências. Se eu matasse uma criança, roubar-lhe-ia aquilo tudo. E se matares o feto, matas tudo. Se roubares o embrião, matas isso tudo", sustentou, ao pedir ainda que os comentários negativos de que foi alvo sejam criminalizados.

Já em casos de violação, Milhão manteve a sua opinião intacta, revelando já ter discutido o assunto com a mulher, mas que não se lembra daquilo “que ela disse”.

“Se eu tivesse uma filha que tivesse sido violada, ou que a minha mulher tivesse sido violada, eu tentaria falar com ela e cuidava dessa criança. Não consigo sacrificar um inocente pelos crimes de um criminoso. Não consigo fazer essa cena", argumentou.

O empresário também se considerou “um candidato fixe para o aborto”, visto que nasceu “cego do olho esquerdo” e a sua mãe “era nova, tinha 19 anos, solteira”.

“Mas ela pensou diferente - na altura mandaram-na fazer e ela não fez, e aqui estou. Sei que estou a fazer um bom trabalho e não é por estar a salvar o mundo, é porque sei que ao meu redor as pessoas estão mais felizes. Isso é que é uma vida útil de serviço”, assinalou.

Veja aqui o episódio do podcast

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