À Esquerda e à Direita

Deixem-se matar...

 Faz pena ver a cegueira de tantas pessoas em relação ao conflito, que só terminará com a capitulação das tropas de Zelensky ou com a Rússia a recuar e a sair de cena, mantendo, eventualmente, a Crimeia. Ainda um dia se saberá porque o PCP não consegue condenar o ataque ignóbil de Putin...

Deixem-se matar...

Uma manifestação no Porto que, supostamente, reuniu oitenta organizações, com muita gente ligada ao PCP, exigiu o fim do envio de armas para a Ucrânia. Entre vários delírios, os organizadores defenderam coisas como esta: «Todos os conflitos devem ser resolvidos através da negociação e da diplomacia» – claro que sim, desde que o invasor assim o entenda – e «posicionamo-nos contra a NATO pois só contribuiu para a escalada do armamento. Este dinheiro que está a ser pedido para a guerra poderia ser usado para emancipar as mulheres de vários países». O lema da manifestação era ‘Paz Sim, Guerra Não’.

Já pensaram estas luminárias que se os americanos, entre outros, não tivessem entrado na II Grande Guerra, com armas e não bandeiras de todas as cores, Hitler teria ganho a guerra? E que em vez de terem gasto dinheiro no armamento, o nazismo teria conquistado o mundo? Já pensaram que há um país, a Rússia, que invadiu outro, a Ucrânia, e que a única hipótese deste país se manter independente é lutar contra a invasão bárbara? Ou estas e outras personagens ainda não perceberam que Putin quer que a Ucrânia faça parte do império russo? Faz pena ver a cegueira de tantas pessoas em relação ao conflito, que só terminará com a capitulação das tropas de Zelensky ou com a Rússia a recuar e a sair de cena, mantendo, eventualmente, a Crimeia. Ainda um dia se saberá porque o PCP não consegue condenar o ataque ignóbil de Putin...

Mas vivemos tempos verdadeiramente esquisitos, onde os novos inquisidores atacam em todas as frentes. Ainda há dias estava a ver um debate realizado em Angola, onde pessoas próximas da UNITA, suponho, falavam de quais os problemas apontados a Adalberto da Costa Júnior. «O problema do líder da UNITA não é ser mulato ou mestiço. O problema dele é não ser corrupto e deixar-se comprar e por isso é tão atacado».

Não creio que alguém se tenha chocado com a palavra mulato ou mestiço, pois é a verdade. Por muito que os novos inquisidores queiram, o planeta faz-se de várias paletas de cor, a começar pelos humanos. Sendo isso uma das suas grandes riquezas, a diversidade. Se em Angola é normal falar-se assim, já no Brasil Nelson Piquet foi crucificado por se ter referido a Lewis Hamilton como ‘negrinho’. Já não pode entrar nos bastidores das corridas de Fórmula 1, e, calculo, será banido de todos os desportos e veremos se não lhe vão querer tirar os três títulos de campeão da modalidade.

Mas são estes novos inquisidores, repito, que querem transformar o mundo numa democracia à sua maneira. Vejamos o que se passou com a Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho LGBTI+ que impediu várias entidades de desfilarem ao seu lado. A rábula com o embaixador israelita é verdadeiramente surreal. Tudo começou com uma crítica de Dor Shapira, embaixador de Israel em Portugal, no jornal Público, onde manifestava o seu desagrado por a sua delegação ter sido excluída da marcha. A comissão organizadora apresentou queixa contra o jornal por não ter publicado uma carta onde diziam o seguinte: «Seria hipócrita permitir que Estados com políticas segregacionistas e de apartheid, de colonização e campanhas genocidas, se juntassem a uma marcha com estes valores [direitos humanos e igualdade]». Dor Shapira escrevera: «Em muitos dos países vizinhos de Israel - e especialmente na Faixa de Gaza - não há comunidade LGBTI+ por uma razão muito simples: se alguém o assumir será sumariamente punido. Na melhor das hipóteses, com a prisão e na pior com a execução». Elucidativo.

P. S. Parabéns a Luís Montenegro que teve a melhor prenda da sua vida com a rábula de Pedro Nuno_Santos e António Costa. Com tanta sorte ainda se arrisca a ser primeiro-ministro antes de 2026...

vitor.rainho@sol.pt

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