Cultura

Um Festival entre quintas

De 1 a 10 de julho, duas quintas multisseculares abrem as portas a concertos que pretendem não só aproximar-nos, como mostrar que não é apenas nos centros urbanos que a magia acontece. O Festival Entre Quintas já começou e associa música, vinhos e um belo cenário natural.

Um Festival entre quintas

Duas quintas com uma história multissecular – a Casa Cadaval e a Quinta do Casal Branco –, um só objetivo: a realização conjunta de uma «experiência de diálogo entre música, arte e tecnologia». Trata-se da terceira edição do festival Entre Quintas, que começou ontem e decorre até 10 de julho.

«Cresci num ambiente musical. Tanto na Alemanha, em casa do meu pai – que em 1958 fez nascer o festival Collegium Musicum Schloss Pommersfeldene, que ainda existe –, como quando vinha a Portugal, a Sintra, em casa da minha avó», recorda Teresa Schönborn, administradora da Casa Cadaval, ao Nascer do SOL. Já nessa altura, ajudava a sua avó Olga com o Festival de Sintra, «sempre com concertos e recitais no jardim da Quinta da Piedade». Por lá passaram «grandes nomes, como Arthur Rubinstein, Nikita Magaloff, Marta Argerich, Nelson Freire», evoca.

As origens do Entre Quintas remontam à primavera de 2020, em plena pandemia, quando Teresa Schönborn se encontrou com o maestro Nikolay Lalov e com José Lobo de Vasconcelos, proprietário da Quinta do Casal Branco, numa assembleia da Orquestra da Câmara de Cascais e Oeiras. Nesse encontro, «o maestro contou que alguns solistas que só tinham cachets e não eram pagos regularmente, porque já não havia concertos, estavam a passar muito mal», revela. «O Casal Branco e a Casa Cadaval têm espaços grandes onde se podiam separar as pessoas e, por isso, logo nessa altura, foi organizado o Festival Entre Quintas, para ajudar esses artistas», explica a condessa. Com concertos que aliam ao prazer musical a experiência vitícola, o festival é também uma homenagem às figuras emblemáticas de Olga Cadaval e Maria Lívia Braamcamp Sobral, «que administraram, respetivamente, a Casa Cadaval e a Quinta do Casal Branco», como nota o comunicado à imprensa.

«Tanto eu como a Condessa Teresa estamos ligados à Orquestra desde o início da associação que a dirige. Com a pandemia e o consequente problema prático de músicos que não são membros efetivos da Orquestra e que, portanto, são contratados a recibos verdes, decidimos agir», reforça José Lobo de Vasconcelos. «Mal as medidas de segurança o permitiram, metemos mãos à obra. Foi muito bonito ver a alegria das pessoas e a satisfação dos artistas». Como as coisas correram bem, acharam que esta era «uma boa maneira de descentralizar um bocadinho a cultura», sublinha. «Trazê-la um bocadinho para fora dos grandes centros urbanos, poder oferecer essa proposta cultural às populações que não estão tão próximas das ofertas culturais que há em Lisboa e no Porto. Uma maneira de poder partilhar uma coisa de que tanto gostamos! Estamos a tentar construir uma coisa que seja uma lufada de ar fresco».

Foi precisamente a paixão pela música que levou o proprietário da Quinta do Casal Branco a associar-se à Orquestra da Câmara de Cascais e Oeiras, já lá vão 22 anos. «Acredito que a música é tudo. Junta tantas coisas na vida… Transporta-nos para lugares, memórias, faz-nos sentir sensações muito especiais… Há um imaginário ligado à música que é de cada um, mas por outro lado ela liga-nos. Além disso, desenvolve-nos sempre o intelecto», remata.

Serão, pois, dois fins de semana «um pouco diferentes, no meio da natureza, ou em salas grandes com jardins no meio do Ribatejo, a uma hora de Lisboa», descreve Teresa Schönborn. «Pode-se provar e comprar os vinhos das duas Quintas, visitar Santarém e arredores, comer bem e ouvir música clássica, ópera e mesmo jazz. O programa é muito variado». A intenção é «ir ao encontro de todos os gostos e de todas as faixas etárias».

Quanto à escolha dos intérpretes, foi feita em sintonia com o diretor artístico, Nikolay Lalov. «Este ano temos, por exemplo, uma homenagem a César Franck, compositor extraordinário…», revela José Lobo de Vasconcelos. «Temos concertos com orquestra, outros programas aos domingos para famílias, criança, para desde cedo conhecerem e interessarem-se por este tipo de música».

Tal como Teresa Schönborn, o proprietário da Quinta do casal Branco considera «ótimo» abrir as portas destas casas históricas. «Queremos proporcionar momentos de convívio e dar a conhecer espaços que são bonitos e que normalmente estão fechados», conclui. O_programa completo pode ser consultado em www.festivalentrequintas.com.

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