Opiniao

O Brasil não é mais colónia

A visão de colonizador e colonizado resiste, mesmo que hoje o Brasil seja um país independente, com identidade própria e economicamente pujante.

O Brasil não é mais colónia

por Cleber Benvegnú*

A colonização do Brasil, feita originariamente pelos europeus, é uma das mais belas heranças de um país miscigenado e plural. Nossa história carrega toda a diversidade de diferentes povos e culturas, que se fundaram numa nação pacifista, democrática e empreendedora. Mas, como aqui antes aportou a realeza para só depois chegar o povo, nos foi legada também uma autopercepção de dependência – que, de certo modo, resiste até hoje. Isso vale, muitas vezes, para como o próprio brasileiro se enxerga e, por outro lado, para como o estrangeiro também nos interpreta.

A visão de colonizador e colonizado resiste, mesmo que hoje o Brasil seja um país independente, com identidade própria e economicamente pujante. Há, internamente, os que creditam uma certa autoridade ao olhar de fora. E há, externamente, os que avaliam o Brasil com ares de supremacia pedagógica, como se aqui fôssemos uma nação de inferiores, aprendizes ou subletrados. Uma mistura, em ambos os casos, de desconhecimento, preconceito, ideologia e interesse comercial.

Por exemplo: as opiniões dos famosos internacionais – seja sobre o nosso agronegócio, seja sobre a nossa Amazônia – são, na maior parte das vezes, risíveis. Leonardo DiCaprio ou Emmanuel Macron, cada um a seu modo e cada um por interesses específicos, não estão exatamente preocupados com a sustentabilidade das matas brasileiras. Por sinal, seja em termos de área preservada, de moderna legislação ambiental e de consciência política e social, sem falsa arrogância, o Brasil tem muito a ensinar aos irmãos europeus.

O mesmo vale para uma celebridade nacional como a cantora Anitta, que, por ser apoiadora de Lula, percorre o mundo para falar mal de Bolsonaro – e do Brasil. O mesmo que fazem algumas autoridades nacionais, protegidas por seus cargos importantes. Embora famosos e poderosos, são antes militantes da esquerda brasileira, que se valem de seus postos para, justamente, militar em favor do retorno de Lula. Há um verdadeiro esquadrão de influentes a serviço desse propósito.

O uso da pressão e da mídia internacional é parte de uma estratégia conhecida, que ocorre para gerar resultado político interno. Some-se a isso uma clara insuficiência da comunicação do governo Bolsonaro, bem como do nosso empresariado, em defender a imagem brasileira no exterior. Outro elemento é a ação de ONGs (organizações não-governamentais) que nutrem grande interesse em se apropriar das nossas riquezas naturais, sob o pretexto de proteger a natureza. Mas o Brasil, na verdade, é muito melhor do que vendem mundo afora, inclusive no meio ambiente.

A área preservada em relação à área produzida, percentual e territorialmente, é a mais sustentável do mundo. Nossos agricultores, ao contrário do que a esquerda difunde (porque os perdeu politicamente), são os maiores ambientalistas do país. O colono e o fazendeiro brasileiro sabem que dependem da biodiversidade preservada e de uma terra saudável para continuar produzindo. Nossa legislação se modernizou, os órgãos de fiscalização são ativos e duros, os mapeamentos georreferenciados permitem um acompanhamento e há boa consciência social sobre tudo isso.

Claro que, como em qualquer país e em qualquer área, há os fraudadores, os criminosos e os que tentam, de todos os modos e a qualquer custo, cometer ilegalidades, seja com queimadas, garimpos ilegais, desmatamentos e atividades afins. Mas há uma infinita maioria de empresas e agricultores sérios que respeitam o meio ambiente, a vida humana, a lei, a ordem e a democracia. E há uma grande evolução das nossas técnicas agrícolas e da própria produtividade, realidade apta a nos transformar na maior potência produtora de alimentos do mundo. Isso, por sinal, assusta a concorrência.

Então, caros irmãos europeus: temos nossos defeitos e sempre há muito a aprender, mas não somos a desordem que muitos dizem da nossa pátria. Respeitosamente, portanto, não somos mais uma colônia europeia! E reconheço que falta ao próprio brasileiro compreender isso definitivamente, sem cega devoção a uma abordagem externa. Para termos essa estima dos outros, antes precisamos melhorar a nossa própria autoestima como país.

Amamos o traço luso-brasileiro que compõe nossa identidade desde quando o comandante Pedro Álvares Cabral aportou em terras locais. E aqui escreve um descendente de italianos, terceira geração de imigrantes de Beluno. Amamos a herança portuguesa, polonesa, italiana, alemã, africana, oriental, enfim, todo o arco-íris de culturas que compõem nossa diversidade. Mas somos Brasil, uma nação independente, de natureza esplêndida e generosa, com um setor produtivo vigoroso e uma agricultura vocacionada para alimentar a humanidade. O Brasil de um povo cívico e trabalhador. A propósito: venham-nos visitar!

 

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