Internacional

Ucrânia afirma que Rússia pode ter tido a sua "última vitória"

Apesar dos novos ataques e conquistas de Moscovo, forças ucranianas esperam aproveitar este momento de fraqueza das forças russas.


Depois da conquista de Lugansk, o exército russo continua a não dar tréguas à Ucrânia com novos e fatais ataques. Esta quarta-feira, foi registada a morte de duas pessoas e, pelo menos, sete feridos na cidade de Sloviansk após um bombardeamento massivo, que levou o Presidente desta localidade a aconselhar os residentes a abandonar este local. “É importante evacuar o maior número possível de pessoas”, disse Vadim Lyakh numa entrevista à Reuters, acrescentando ainda que 144 pessoas foram evacuadas na terça-feira, incluindo 20 crianças.

Nesse dia, foram reportadas seis vítimas mortais e, pelo menos, vinte feridos nesta cidade, um dos maiores centros de abastecimento das forças ucranianas na frente de combate e que agora é considerado “o principal ponto de assalto” da Rússia, alertou o governador do oblast de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, na terça-feira, à Reuters.

Apesar destes ataques, não é claro se as forças russas irão já avançar para conquistar Sloviansk, especialmente depois do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter afirmado que as tropas que lutaram em Lugansk precisavam de “descansar e recuperar as suas capacidades de combate”. 

As mais recentes ofensivas russas, apesar de terem conferido as primeiras vitórias a este exército, podem comprometer os planos a longo prazo do Kremlin. “Tomar as cidades do este significa que 60% das forças russas estão agora concentradas nesta região e é difícil agora serem redirecionados para o sul”, disse o conselheiro do Presidente Volodymyr Zelensky, Oleksiy Arestovych, citado pelo Guardian. “Não há mais forças que possam ser trazidas da Rússia. Eles pagaram um alto preço por conquistar Severodonetsk e Lysychansk”.

Para além de aproveitar esta fraqueza do exército russo, a Ucrânia também pretende “estrear” as armas recentemente obtidas pelo ocidente para o campo de batalha, nomeadamente o arsenal de mísseis doado pelos Estados Unidos e Reino Unido. “Esta foi a última vitória da Rússia em território ucraniano”, disse Arestovych.

Plano de emergência para precaver corte de gás A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a União Europeia precisa de começar a preparar para o caso de acontecer um corte completo do gás russo, anunciando que o seu executivo vai apresentar este mês um plano de emergência. “Precisamos de nos preparar para novas perturbações no fornecimento de gás, até mesmo para um corte total da Rússia. Atualmente, no total, 12 Estados-membros são diretamente afetados por reduções parciais ou totais do fornecimento de gás. É óbvio: [o Presidente russo, Vladimir] Putin continua a utilizar a energia como uma arma”, afirmou, num debate no hemiciclo de Estrasburgo sobre a presidência semestral checa do Conselho da UE, que teve início a 1 de julho.

Von der Leyen anunciou que a Comissão está a trabalhar num plano de emergência europeu que deverá ser apresentado em julho. 

“Os Estados-membros já têm os seus planos nacionais de emergência em vigor. Isso é bom, mas precisamos de coordenação europeia e de ação comum. Precisamos de assegurar que, em caso de rutura total, o gás flui para onde é mais necessário. Temos de assegurar a solidariedade europeia. E precisamos de proteger o mercado único, bem como as cadeias de abastecimento da indústria”, disse.

Em Portugal, o gás russo representou, em 2021, menos de 10% do total importado.

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