À Esquerda e à Direita

O PCP não tem emenda

Depois da saída dos portugueses, o MPLA levou a cabo uma verdadeira chacina, em muitos casos perto de genocídio. Foram mortas milhares e milhares de pessoas e o PCP destaca essa faceta de José Eduardo dos Santos como positiva. Melhor é impossível.

O PCP não tem emenda

O Partido Comunista Português deve ter sido atacado por algum vírus da verdade, pois não perde uma oportunidade para dizer o que verdadeiramente lhe vai na alma, e que o define como um partido antidemocrático. A sua posição sobre a guerra da Ucrânia é bastante elucidativa, acusando os EUA, a NATO e a União Europeia de serem os responsáveis por os russos, coitadinhos, não terem tido outra hipótese que não fosse atacar e massacrar civis, além de invadir um país independente.

Não é de estranhar pois que o PCP continue a sonhar com o regresso do império da antiga União Soviética. E é por acreditar numa sociedade totalitária, onde não existe liberdade, que já tinham apoiado a invasão da Hungria em 1956, da Checoslováquia em 1968, do Afeganistão em 1979 ou da Crimeia em 2014.

Ontem, mais uma vez, o PCP mostrou através de que óculos vê a realidade, ao dar as condolências à família de José Eduardo dos Santos (JES) e ao povo angolano. Para os comunistas, foi JES «que conduziu o povo angolano à vitória sobre o domínio colonial português» e que depois, já como Presidente da República, travou «duríssimos combates, com dificuldades e complexidades contra a agressão imperialista e racista». Extraordinário, o PCP não tem mesmo emenda. Ontem, a RTP3 passou um excelente documentário, penso que de 2019, sobre a vida do antigo Presidente angolano, onde se contavam os aspetos positivos e negativos da personagem. Um angolano, cujo o nome não consegui ver, explicava o que todos sabemos. Depois da saída dos portugueses, o MPLA levou a cabo uma verdadeira chacina, em muitos casos perto de genocídio. Foram mortas milhares e milhares de pessoas e o PCP destaca essa faceta de José Eduardo dos Santos como positiva. Melhor é impossível.

E qual a razão para o PCP elogiar tanto um homem que se distanciou do comunismo, tendo optado por uma sociedade capitalista? Pela mesma razão de sempre: como foi a antiga União Soviética que ajudou o MPLA a derrotar, durante largos anos, todos os opositores, e como ainda há uma réstia de sombra do império soviético, o PCP só pode elogiar José Eduardo dos Santos. O antigo Presidente deixou um país miserável, sendo, no entanto, responsável por muitas melhorias nos últimos anos. Mas isso é outra história.

Mudando de assunto, mas continuando no fanatismo. Já não há paciência para as associações LGTBI+ e as suas cruzadas, acusando tudo e todos de transfobia e por aí fora. Mas, verdade seja dita, há quem lhe dê corda. Veja-se a posição da Câmara de Lisboa que aprovou uma proposta para que nos concursos laborais conste que o mesmo destina-se a homens e mulheres e à comunidade LGTBI+. Que raios? Só falta obrigarem as pessoas dizerem a que letra pertencem. E a comunidade LGTBI+ nasce de algum grupo que não se conheça, além de homens e mulheres, independentemente do que se sentem em determinado momento?

A histeria de algumas associações de género é tal que nem mesmo quem assume que é gay ou bissexual escapa à inquisição. Veja-se a história da atriz Maitê Proença que vive uma relação com a cantora Adriana Calcanhoto. Disse Maitê à revista JP que «queria que ela [Adriana] fosse homem. Para esta atividade sempre gostei mais de homens. Mas ela é mulher, gosto dela e aceito isso. Sei que as feministas e os LGTB não vão gostar do que acabei de dizer, mas, honestamente é assim... Posso experimentar algo diferente para estar com ela». E não é que a atriz foi logo acusada de lesbofobia?  «Estar num relacionamento com uma mulher parece-me que fala mais alto do que o comentário dos que causam polémica onde não há», respondeu Maitê. Já no princípio da semana as cantoras Macy Gray e Bette Midler incendiaram as hostes trans com as declarações que fizeram. É que agora já não se pode dizer nada sem ser linchado na praça pública.

  vitor.rainho@nascerdosol.pt

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