Opiniao

O Brasil surpreendente

Bolsonaro, além de enfrentar problemas reais com auxiliares e familiares questionados, insiste no comportamento que alimenta uma restrição pessoal até entre os que podem lhe dar o voto em função do mal maior que seria a volta de Lula e do PT, que têm passado de corrupção e um programa de esquerda perigoso para a economia e a democracia. Com isso, parcela do chamado centro-democrático vive momentos de perplexidade e apreensão. 

O Brasil surpreendente

Por Aristóteles Drummond

A história dificilmente encontrará outro momento singular como este que o Brasil vive. Ao que tudo indica, a eleição presidencial deve se dar entre dois candidatos que dividem o país de maneira radical, são rejeitados por parcela significativa da população e acumulam erros inquestionáveis.

Bolsonaro, além de enfrentar problemas reais com auxiliares e familiares questionados, insiste no comportamento que alimenta uma restrição pessoal até entre os que podem lhe dar o voto em função do mal maior que seria a volta de Lula e do PT, que têm passado de corrupção e um programa de esquerda perigoso para a economia e a democracia. Com isso, parcela do chamado centro-democrático vive momentos de perplexidade e apreensão. 

Bolsonaro compromete a economia obtendo do Congresso permissão para gastos no período eleitoral em nome ‘da emergência doa covid e da guerra’ e ao insistir em negar a vacina, como fez na entrevista da semana passada ao canal americano Fox News. E as insinuações de que a eleição possa ser fraudada.

Lula também coleciona declarações que preocupam, como a solidariedade aos recém-eleitos Presidentes de esquerda do Chile, Peru e Colômbia e a insistência em manifestar simpatias pela Venezuela, Cuba e Nicarágua. É uma política económica que afasta investidores, sem privatizar, ampliando custos de mão de obra e defendendo a queda dos limites de gastos públicos. Tudo isso alimenta inflação e impostos altos.

Mesmo com esse ambiente de horror, em que um economista do mercado financeiro definiu o Brasil como ‘uma nave em direção ao passado’, o desemprego caiu ao 10%, o melhor número em oito anos, e a bolsa perdeu no semestre 6%, quando nos EUA passou de 15%. Também a violência diminuiu e a apreensão de drogas continua grande.

Variedades

· O Brasil entra no 5 G este mês, com a capital, Brasília, e depois, entre agosto e o final do ano, as demais capitais.

· Estudo da Microsoft no Brasil estima em 400 mil o déficit de técnicos no mundo da tecnologia, que pode chegar a um milhão em dois anos.

· A Bahia vive corrida de garimpeiros em busca de esmeraldas. Recentemente foi descoberta uma pedra gigante com valor estimado em 80 milhões de dólares no estado bruto.

· Sucesso a bienal do livro em São Paulo, onde foram destaques autores portugueses como Valter Hugo Mãe e Paulina Chiziane. Uma exposição sobre o centenário de José Saramago recebeu milhares de visitantes.

· As cinco maiores estatais brasileiras apresentaram um resultado anual de 35 mil milhões de euros equivalentes de lucro. Estas estatais eram pouco lucrativas pelas influências da política e da corrupção na gestão. A Eletrobras continua a ter o governo como maior acionista, mas tornou-se uma corporation com gestão compartilhada.

· O jornalista José Luiz Datena, líder de audiência na Rede Bandeirantes, às tardes, desistiu de ser candidato ao Senado. A decisão do apresentador provocou irritação no presidente Bolsonaro, que o queria ao seu lado em São Paulo.

· O Banco Mundial publicou dados sobre a participação de cada país da América do Sul no PIB da América Latina, em 1960 e 2021. O Brasil representava 26,4% da economia e, em 2021, passou a 56,4%. Já a Venezuela, que era 12,1%, hoje é 1,3%. A Argentina passou de 37,9% para 15,5%. O Uruguai ficou estável e o Paraguai dobrou sua presença no continente.

· A grosseria do Bolsonaro de cancelar o almoço agendado com o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, despertou atenção para o quanto os dois países têm para caminhar numa maior relação comercial. Hoje, o saldo é favorável ao Brasil.

· O superávit de junho na balança comercial ficou em torno de oito mil milhões de euros, um mil milhões inferior ao do mesmo mês no ano passado. Mas o superávit do Brasil continua entre os cinco maiores do mundo.

· A inflação mundial será o pior legado da pandemia e da guerra. Faltam lideranças no momento.

Rio de Janeiro, julho de 2022

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