Politica

Estado da Nação. António Costa admite que país está pior do que há um ano

O primeiro-ministro abriu o debate do Estado da Nação com dois anúncios para tirar da cartola. Pelo meio reconheceu que a inflação, afinal, será mais “duradoura” do que o previsto. Sem responder aos 17 pedidos de esclarecimento dos deputados também acabou por admitir que o país está pior do que há um ano, mas ao contrário da oposição prometeu “fazer, fazer, fazer” em vez de “falar, falar, falar”.


Promessas

Apoio a famílias e empresas

“Do estado da pandemia passámos para o estado de guerra”, começou por dizer o primeiro-ministro. É neste contexto que António Costa anunciou que, com “uma inflação mais duradoura do que o inicialmente previsto”, será apresentado em setembro um novo pacote de medidas para apoiar o rendimento das famílias e a atividade das empresas.

Creches gratuitas

O primeiro-ministro anunciou que foi concluído um acordo com a União das Misericórdias e a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade que assegura a gratuitidade das creches para crianças do 1º ano a partir de setembro.

Metas de futuro

O líder do Executivo apontou como desígnios “libertar 765 mil pessoas do risco de pobreza, garantir 50% de graduados
no ensino superior, investir pelo menos 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em I&D, garantir que 80% da eletricidade em 2026 é de origem renovável, e aumentar as exportações para 53% do PIB” até 2030.

‘Novo Simplex’ e reforma na AP

Costa diz estar em curso uma profunda reforma do Estado e dá como exemplos a nova edição do Simplex, que o Conselho de Ministros aprovará hoje, além do início da reforma da Administração Pública, com a valorização do salário dos técnicos superiores e da sua qualificação académica.

 

Caos

O deputado Cotrim de Figueiredo acredita que “não há habilidade que consiga livrar do estado de caos, medo e ansiedade” em que os portugueses estão. Inês Sousa Real também fala no “caos na Saúde”. Costa responde que governar não é só “falar, falar, falar, é fazer, fazer, fazer”, salientando que a grande diferença é que “a oposição quando vê problemas fala em caos e o Governo vê desafios para procurar soluções”.

 

Ambiente

Perante o plenário, o ministro do Ambiente prometeu um aumento radical na produção de energias renováveis em Portugal, mais licenciamentos para água reciclada e uma avaliação ambiental estratégica de projetos para reforço do caudal no médio Tejo, que irá avançar em setembro. De acordo com Duarte Cordeiro, em 2023, será igualmente lançado um “grande leilão para produção de energia eólica em plataformas marítimas flutuantes”. Em matéria de hidrogénio verde, adiantou que estão sinalizados mais de 70 projetos de hidrogénio verde, num investimento próximo dos 10 mil milhões de euros. Quanto à frequência dos períodos de seca, o governante voltou a alertar que a água tem de ser usada “com parcimónia”. Segundo o membro do Executivo, o Governo tenciona, até 2030, “generalizar o princípio da reutilização, usando 20% da capacidade das fábricas de água” nacionais.

 

Intervenções

Miranda Sarmento
Líder parlamentar do PSD

“Se o PS fosse tão bom a governar como na propaganda e nas parangonas para os jornais, éramos dos mais ricos do mundo”.

 

André Ventura
Líder do Chega

“Vamos de medida socialista em medida socialista até entrarmos em bancarrota”.

 

Cotrim de Figueiredo
Líder da iniciativa liberal

“A forma como a bancada do PS fica contente com um crescimento acumulado de 7% em cinco anos é a prova da ambição miserável do PS”.

 

Catarina Martins
Coordenadora do Bloco de Esquerda

“Triste governação, a que não propõe nada ao país e vê nas dificuldades uma desculpa para a inação”.

 

Jerónimo de Sousa
Secretário-geral do PCP

“PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal não têm alternativa a propor à política executada pelo PS”.

 

Inês Sousa Real
Porta-voz do PAN

“O país está refém de uma maioria absoluta que em vez de estar vitaminada, vive encurralada entre as suas tricas internas e que pouco se presta ao diálogo com a oposição”.

 

Rui Tavares
Líder do livre

“A reforma da floresta só funcionará se for feita a partir do olhar de quem tem meio hectare de terreno”.

 

Eurico Brilhante Dias
Líder parlamentar do PS

“Não vale a pena trazer um grupo parlamentar transfigurado, com novas caras, quando nós nos lembramos bem do que era empobrecer”.

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