Opiniao

Quando é que acordamos para a realidade dos nossos problemas?

Seja por falta de saúde, seja por falta de justiça ou proteção, quando é que acordamos para a falta senso comum que se está a passar no nosso país?

Quando é que acordamos para a realidade dos nossos problemas?

A Saúde e a Justiça estão pelas ruas da amargura. Falta de médicos por um lado para preencher as lacunas de gestão danosa dos hospitais e por outro as cifras negras por falta de meios e ordenação de medidas, da violência machista cometida contra as mulheres, seja em forma de violência doméstica, seja em forma de violação, um crime que teve um aumento substancial no ano de 2021, de cerca de 26%. 

«Os dados preliminares do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) mostram um aumento de 26% de violações em Portugal em 2021 em comparação com o ano anterior, o que se traduz em mais 82 casos de violação no país. O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Paulo Vizeu Pinheiro, diz que estes dados são ‘motivo de preocupação’, de acordo com a CNN Portugal».

Ao nível da saúde, não respeitamos o suficiente os nossos profissionais de saúde, para perceber que passaram por uma luta inglória de dois anos de pandemia que ainda não está terminada, para que como compensação, sejam feitos ultimatos e sejam fechadas urgências de obstetrícia e urgências normais. Devido a estas situações os médicos e enfermeiros são postos numa posição anti-natura, onde pacientes têm de esperar horas dentro de ambulâncias e houve mesmo quem acabasse por morrer, por não ter sido atendido a tempo. Em relação ao flagelo da violência machista, mais concretamente da violência doméstica, os números dispararam para 18 mortes em contexto de grande violência e um aumento de 26% das violações face ao ano de 2020. A estagnação aliada à falta de recursos e meios, juntamente com a falta de medidas pró-ativas para combater estes crimes origina um precedente sem fim à vista. 

Se a avaliação do nosso país, fosse feita com base nestes dois parâmetros, justiça e saúde, certamente que estaríamos muito abaixo em relação a outros países considerados desenvolvidos. 

Estes não são problemas novos. Ou problemas que que surgiram devido à guerra. São sim, problemas fruto da insensibilidade humana perante um fenómeno que assola a vida das nossas mulheres e crianças há mais tempo que consigo mencionar. Em relação ao caos vivido na saúde, os dados mais recentemente apresentados, em que ‘apenas’ 0,3% das grávidas tiveram que se deslocar para outras maternidades não justifica o facto de nenhuma grávida ter de o fazer ou de ter de se guiar com base num ‘portal’ na altura mais sensível e bonita da sua vida. Uma grávida que tenha uma urgência na sua localidade não deve ter de ser obrigada a ser transferida para outra, para ser atendida pelo seu médico/a de confiança. Ou pessoas que estão a ter um ataque convulsivo, ou o princípio de um ataque cardíaco, não devem ter que esperar nas ambulâncias, na sorte que a morte não lhes bata à porta. 

«Um homem, de 70 anos, após várias crises convulsivas, teve que esperar na segunda-feira durante mais de uma hora por uma ambulância para ser transportado para o Hospital de Faro, revelou esta terça-feira o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitar (STEPH).

Em declarações à agência Lusa, o presidente do STEPH, Rui Lázaro, referiu que o caso ocorreu por volta das 18h00 na rua do Alportel, em Faro, onde o septuagenário permaneceu mais de uma hora no chão até que fosse possível ser transportado de ambulância para o hospital».

Seja por falta de saúde, seja por falta de justiça ou proteção, quando é que acordamos para a falta senso comum que se está a passar no nosso país?

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