Sociedade

D. Manuel Clemente pôs lugar à disposição do Papa Francisco

O Patriarcado não desmentiu a notícia do Nascer do SOL que deu conta da renúncia de D. Manuel Clemente.


Cansado e profundamente magoado com o que considera um “linchamento público”, D. Manuel Clemente foi a Roma colocar o seu lugar à disposição do Papa Francisco, pretendendo sair o mais rapidamente possível, mas o chefe da Igreja não aceitou a sugestão, tendo pedido a D. Manuel Clemente que fique no cargo até ao fim das Jornadas Mundiais da Juventude.

O Nascer do SOL deu conta do sucedido e agora o Patriarcado fez uma nota a acrescentar que nada tem a dizer sobre o assunto – confirmando, no fundo, a notícia. “Está profundamente triste e agastado com o julgamento na praça pública e passar de bestial a besta após 50 anos de missão na Igreja”, disse ao Nascer do SOL fonte próxima do patriarca.

Segundo o semanário apurou, o encontro para discutir os últimos casos de alegados abusos sexuais por padres e encobrimento por parte da hierarquia, inclusive por D. Manuel Clemente, serviu também para discutir a continuidade do cardeal no cargo, mostrando-se este disponível para sair já se o Papa assim entendesse, mas reiterando a posição de que as decisões tomadas por si e por D. José Policarpo seguiram as diretrizes de então da Igreja. 

Francisco terá pedido a D. Manuel Clemente que permaneça no cargo até às Jornadas Mundiais da Juventude, em agosto de 2022 se o seu estado de saúde permitir. Uma das questões discutidas nas últimas semanas, também em função do estado de saúde de D. Manuel Clemente,  foi a possibilidade de ser criada a figura de patriarca-adjunto, que entretanto terá sido afastada. 

Segundo o Nascer do SOL apurou, o nome nesta altura apontado para suceder a D. Manuel Clemente, que será uma decisão do Papa, é o do cardeal Tolentino de Mendonça, desde 2018 no Vaticano. D. Manuel Clemente, de 74 anos, foi nomeado Patriarca de Lisboa em maio de 2013, tendo tomado posse a 6 de julho desse ano, nos primeiros meses do pontificado de Francisco, que o nomearia cardeal em 2015.

Numa carta aberta, D. Manuel Clemente assumiu a existência de uma denúncia em 1999 que não foi reportada à Justiça. O padre em causa manteve ao longo dos anos as funções como capelão, tendo  dirigido uma associação que dava acolhimento a famílias, jovens e crianças, noticiou o Observador.

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