Entrevista ao presidente do Mais Sindicato

António Fonseca. "Lucros dos bancos são fruto da redução drástica do número de trabalhadores e balcões"

António Fonseca garante que ‘os sindicatos ficam contentes que os bancos tenham lucros para entregar aos seus acionistas’ mas lembra que isso também se deveria refletir nos trabalhadores. Em relação à redução da estrutura garante que houve uma precipitação por parte das instituições e acena com cerca de menos 40 mil trabalhadores desde 2008. Para setembro está previsto novo plano de aumentos salariais, compatíveis com a subida da inflação. 


Nos últimos dias os bancos foram apresentando os resultados do primeiro semestre, cujos lucros dispararam. Como vê esta situação? 

Vejo com satisfação. Os sindicatos ficam contentes que as entidades bancárias se apresentem de forma saudável e que tenham lucros para entregar aos seus acionistas, mas também que consigam refletir isso nos trabalhadores. O que temos assistido nas últimas semanas é a um número infindável de valores e de percentagens de crescimento, todas elas bastante altas, como se pode constatar. Mas depois vejo muito pouco falar sobre pessoas e sobre trabalhadores.

E, se por um lado, estes lucros deixa-nos contentes, por outro lado, deixa-nos também bastante tristes porque estes últimos anos têm sido terríveis para os bancários, em que temos assistido a uma diminuição brutal do número de trabalhadores.

Chegaram ao ponto de fazer no BCP e no Santander despedimentos coletivos e o que apelava é que os bancos tivessem alguma sensibilidade social. Agora vendo estes resultados percebemos que os bancos não necessitavam de o fazer. Diria mesmo que estes resultados também são fruto de uma redução drástica do número de trabalhadores, ou seja, é à conta dos trabalhadores e ao número de trabalhadores que saem, em que alguns vão para reformas antecipadas, outros para rescisões por mútuo acordo e outros são despedidos através de despedimento coletivo. Entristece-me que estes valores apareçam sem haver uma consequente distribuição pelos trabalhadores. 

Os resultados apresentados mostram verdadeiras poupanças de custos, com o número de trabalhadores e balcões a cair. Acha que houve uma precipitação por parte dos bancos portugueses em reduzirem a sua estrutura para apresentarem bons resultados? 

Acho e foi isso que apelei aos presidentes das várias instituições de que não era necessário. Temos o mau hábito de quando nos impõem alguma coisa de sermos uns alunos bastante disciplinados. Já aconteceu isso na troika, nessa altura, também fomos além daquilo que era imposto pela troika e agora repetimos a mesma situação. Fui dizendo aos presidentes dos bancos que quando contrataram estas pessoas para os bancos esse processo não foi feito de uma forma unilateral.

Nós precisávamos do trabalho e eles também precisavam da nossa mão-de-obra. Agora parece-me que devia haver alguma responsabilidade social por parte das instituições financeiras e poderiam ter feito isto de uma forma mais gradual. Aliás, isto foi feito, por exemplo, com os nossos vizinhos espanhóis onde foi tudo negociado. Já em Portugal não foi negociado e foi imposto à força pelo medo e pela repressão. Parece-me exagerado a forma como se trataram as pessoas e os bancários, em especial.

O BCP avançou com um despedimento coletivo mas depois o lucro quase que duplicou...

Há aqui valores de altíssimo montante, quase todos, no mínimo tiveram aumentos de 94%, 65%, etc. Tirando o BPI que teve um menor aumento de 9%, mas também já vinha de um valor mais alto. Até o Montepio, que estava com algumas dificuldades financeiras, conseguiu apresentar lucros de 23 milhões de lucros. Tudo isto quase que envergonha os trabalhadores. E outra das coisas que sentimos agora é a alta pressão que está a aparecer sobre os trabalhadores, porque reduziram o número, mas o trabalho não reduziu assim tanto. O que acontece? Cada vez mais, o mesmo trabalho é feito por menos trabalhadores e existe cada vez mais queixas.

Conheço poucos bancários que hoje em dia trabalhem com muita vontade na área comercial, porque é onde se sente mais as pressões. Tem-se falado sobre os aumentos vergonhosos das companhias energéticas e que à conta da guerra e do aumento do petróleo estão a ter lucros exorbitantes. Aqui acaba por acontecer algo de idêntico. Ou seja, os lucros aparecem, mas os trabalhadores é que são os sacrificados. Gostava muito de ouvir a comunicação social a não falar só de números, porque atrás destes estão pessoas que se esforçam todos os dias para cumprirem objetivos, muitas vezes, sacrificando a sua vida pessoal. 

O Mais Sindicato durante esses processos de despedimento chegou a denunciar algumas pressões e organizou manifestações... 

Tivemos uma participação bastante ativa em relação a esses processos. Entendemos que a banca está perante um processo de digitalização, de automatização, não vale a pena enfiar a cabeça na areia e dizer que não vai acontecer, mas sempre foi assim. A banca sempre esteve mais ou menos na crista da onda na vanguarda da tecnologia, vai continuar assim e assumimos isso.

Acompanhámos esses processos de despedimento de uma forma muito presente, formámos grupos de trabalho que foram acompanhando os nossos associados, dando-lhes a possibilidade de decidir o que queriam, porque se para uma pessoa poderia ser interessante não aceitar para outra já poderia ser diferente. Criámos uma linha própria que se chama SOS laboral, para que os trabalhadores pudessem escolher a melhor opção.

Resolvemos alguns casos, em que o marido e a mulher tinham propostas de despedimento, o que é extremamente doloroso para um núcleo familiar suportar uma situação dessas. Houve outros casos que não conseguimos resolver, mas demos centenas e centenas de consultas durante este ano transato. O nosso objetivo era que não houvesse despedimentos coletivos porque leva anos a resolver. Cada um tomou a decisão e cá estaremos para defender aqueles que não aceitaram o despedimento coletivo. Em relação a esses casos já entregámos praticamente todas as ações judiciais. Não são muitos no BCP, mas ainda são um número considerável no Santander. Claro que este número está a mudar porque há pessoas que vão acabando por ceder à pressão. 

E essa pressão vai aumentando....

Essa pressão não acaba, até por experiências anteriores já sabemos que os despedimentos coletivos representam um processo muito longo. Pode demorar três, quatro, cinco, seis anos. Imagine uma pessoa estar sem remuneração durante estes anos todos, nem qualquer pessoa consegue suportar isto. Mas continuamos a apoiar os nossos sócios para que sempre que haja essa pressão tomem a decisão que achem mais conveniente, não decidimos pelas pessoas. 

Esta redução de trabalhadores e de balcões é muitas vezes justificada com o aumento da digitalização.... 

É lógico que este processo de redução de trabalhadores não é uma coisa do ano passado ou de há dois anos. Em 2008 éramos quase cerca de 80 mil bancários, hoje tenho a ideia que somos mais ou menos 40 mil. 

Estamos a falar de metade...

Estamos a falar quase de metade. O que me parece é que a pandemia surgiu para os bancos como uma oportunidade, em que se podia fazer a mesma coisa com menos recursos, ainda por cima, com a utilização do teletrabalho, das aplicações e de todos os bancos virtuais. Ou seja, hoje em dia diria que 90% do que se faz num banco se pode fazer numa aplicação, mas há um diferencial de coisas que ainda continuam a ser necessárias fazer de forma presencial. Além disso, nem toda a gente tem literacia suficiente para aceder a uma aplicação dessas. Ainda temos uma população, principalmente nas zonas interiores, que não se adapta.

Costumo dizer que os bancos e, o Banco de Portugal também chegou a defender isso, que quando se abria balcões havia alguma responsabilidade social na distribuição dos serviços bancários pelo país. Sou funcionário da Caixa Geral de Depósitos e o banco tinha a obrigatoriedade de ter, pelo menos, um balcão por cada capital de distrito. Hoje já esquecemos esse tipo de serviços que os bancos deviam exercer na sociedade portuguesa. Parece que vivemos num mundo de números e se o balcão não dá lucro ‘então vamos fechar’.

Acho que a Caixa Geral de Depósitos não devia ter esse papel tão comercial como os outros bancos, porque devia prestar um serviço à comunidade. E se não interessa ter um banco estatal então aí ficamos apenas com os bancos privados, não concordo com isso. Acho que há necessidade de existir um banco público para que possa fazer este tipo de intervenção. Acho que os bancos aproveitaram a oportunidade e já que estávamos nesse percurso da digitalização isto só veio acelerar o processo.

Hoje em dia há bancos onde não há front office e há máquinas que recebem dinheiro e cheques. Possivelmente, daqui uns anos entraremos num balcão onde não estarão pessoas mas máquinas e quanto muito estará uma ou duas pessoas para verem se as máquinas estão a funcionar. Acho que isso vai ser o futuro, não tenho dúvida nenhuma. Aliás, em 2008 abriram-se balcões como quem semeava qualquer coisa. 

E depois tínhamos mais do que um balcão do mesmo banco na mesma rua...

Na Avenida da Liberdade havia bancos que tinham dois, três, quatro agências por ali abaixo. Antigamente o conceito era ter muitas agências com poucas pessoas agora estamos a passar exatamente pelo contrário: querem poucas agências e com muita gente lá dentro.

Ou seja, o paradigma mudou. Sabemos disso, mas o que apelamos como sindicato é que isso seja feito de uma forma mais gradual, para que as pessoas que estejam a trabalhar não tenham de pagar um preço altíssimo. As pessoas que estiveram nestes processos de demissão tinham mais ou menos entre os 45 e os 55 anos. 

E com essa idade é mais difícil voltar ao mercado de trabalho...

Nem toda a gente tem capacidade de voltar ao mercado de trabalho. Há pessoas que conheço que fizeram isso como muito sucesso e hoje em dia até são mais felizes do que quando eram bancários. Mas nem toda a gente tem essa capacidade e isso é um problema. Com 45 anos não se é velho, mas também já não se é novo para entrar no mercado de trabalho e para começar a aprender outra atividade. Os bancários têm ido muito para o imobiliário, que é uma área que um bancário mais ou menos se relaciona bem. Mas nem toda a gente consegue dar esse salto e é muito violento para algumas pessoas.

Quando entrei para a banca, uma das coisas que me fez continuar era saber que tinha emprego para a vida. Hoje em dia já não tenho a certeza se o vou ter e possivelmente sou um protegido porque como estou no sindicato, no imediato não me podem despedir. Ou seja, sou um privilegiado em relação aos meus colegas que estão no local de trabalho, que todos os dias se deslocam para o trabalho com medo que lhes chegue uma indicação para se irem embora. É muito difícil trabalhar nestas condições, como também é muito difícil fazer greves ou manifestações na banca porque as pessoas vivem no medo. 

Depois há o receio da fatura a pagar. Falou em menos 40 mil bancários e tem ideia de quantos balcões fecharam durante esse período? 

Não sei ao certo, mas entre 2021 e 22 fechámos 305 balcões. Não consigo dizer ao certo quantos balcões fecharam desde 2008, mas diria que são algumas centenas largas. A maioria dos bancos tem neste momento quase metade dos balcões que tinha. A própria Caixa Geral de Depósitos também acompanha essa evolução e tem-se comportado de forma igual a qualquer banco comercial. Mas há uma redução e andará à volta de menos 50% de balcões. 

Mas no caso, por exemplo, da Caixa Geral de Depósitos, o argumento que é usado em relação à redução da estrutura diz respeito ao plano de reestruturação, aprovado por Bruxelas...

Sobre isso não tenho dúvidas: não podemos ter só as coisas boas da Comunidade Europeia, também temos as coisas negativas. Mas ainda assim, acho que a Caixa tem feito essa redução com algum cuidado. Se reparar não tem ouvido falar muito na Caixa Geral de Depósitos, porque muitos dos trabalhadores já estão cansados e alguns até são eles que propõem rescisões por mútuo acordo, porque o trabalho bancário hoje em dia é algo muito violento, com muita pressão, com muitos objetivos e com muitos relatórios.

Não é fácil ser-se bancário e ainda por cima ser mal remunerado, basta ver o ordenado de início de uma carreira. Como é que um miúdo ou uma miúda que acaba o curso – porque agora só entram licenciados – vai querer ganhar 800 ou 900 euros? Há bancos que já nem sequer cumprem os acordos de empresa. 

No caso da Caixa houve polémica em torno do salário mínimo. Paulo Macedo falou em 1359 euros, mas vários sindicatos disseram que o valor não era correto...

Paulo Macedo meteu tudo na balança. O ordenado mínimo não se pode juntar às diuturnidades, nem ao subsídio de almoço. O ordenado mínimo é o ordenado mínimo, agora se começarmos a juntar tudo então conseguimos desvirtuar o valor. A matemática também serve para fazermos jogos e ele quis fazer esse jogo. Fizemos, na altura, um comunicado a dizer que não era verdade. 

Disse que o banco público tem de respeitar determinados princípios, mas tem vindo a carregar no aumento das comissões, tal como os restantes bancos privados...

É verdade que Paulo Macedo é um gestor de mão cheia. É uma pessoa que está lá para apresentar lucros, como é lógico e esquece-se, muitas vezes, do papel da Caixa. Não sei o que lhe é exigido, mas volto a dizer que o papel da Caixa não devia ser a de ter um papel concorrencial com os outros bancos, devia ter uma postura diferente. E durante alguns anos essa diferenciação acontecia.

Lembro-me, por exemplo, quando era administrador do meu condomínio alteráramos a conta do Santander para a Caixa porque não tinha comissões. Mal sabíamos que passado um ano ou dois anos, as comissões apareceram. Diria que hoje em dia já não há praticamente nenhum banco que não apresente comissões. As nossas comissões não são tão altas como as de outros bancos, em que o BCP está à frente ao apresentar as comissões mais altas.

Mas diria que a Caixa, por orientação de Paulo Macedo, parece que se vislumbra acompanhar qualquer banco comercial privado em relação ao comissionamento. Não concordo com isso. Sei que o comissionamento a determinada altura foi necessário para os bancos porque existiam taxas baixas, mas as taxas vão começar a subir, as margens de lucro dos bancos também e agora gostava de saber se estão a pensar em breve, com esses aumentos diminuir as comissões, já que as comissões foram utilizadas para sustentar os lucros dos bancos. Vamos ver, mas não acredito muito nessa bondade.

É como acontece com os combustíveis...

Ora aí está. Agora chegou-se à conclusão que o petróleo está ao mesmo valor que estava em janeiro antes da guerra, mas o combustível está muito mais alto. A culpa já não é do petróleo, mas da refinação. Há sempre uma boa desculpa para justificar os preços altos. 

E por as taxas serem baixas, os depósitos pareciam quase uma persona non grata para as instituições financeiras. Podemos assistir a uma mudança?

Penso que vai acontecer naturalmente, porque as taxas de juro estavam com valores na ordem do zero, ou seja, praticamente nada. 

Até se dizia que tinham um custo para o banco... 

Quase que se colocava o dinheiro nos bancos para não se ter em casa. Esta semana já se disse que os certificados de aforro começaram a subir para 1,1%. Penso que, com a subida das taxas, as taxas dos depósitos a prazo tradicionais também vão começar a subir. 

Temos o aumento da inflação que atingiu quase os 10%, o BCE também anunciou o aumento dos juros. Os bancos estão mais preparados ou podemos ter um déjá vu como se assistiu na troika com o aumento das carteiras de malparado?

Acho que 2008 serviu um bocadinho para aprender a lição. Os nossos bancos estão hoje em dia muito mais preparados para resistir a estas crises que vão surgindo e a estes problemas sociais que apareceram com a guerra. Acho que estes resultados positivos são demonstrativos disso. A taxa de inflação será alta, disso não teremos dúvidas nenhumas, mas isso também está a criar um problema enorme em termos remuneratórios.

Conseguimos negociar algum acréscimo nas remunerações dos bancários, mas esses aumentos são vergonhosos. Em 2022 tivemos um aumento de 1,1%, imagine esse aumento com as taxas de inflação que vamos ter. Espero que com estes resultados positivos da banca e com a taxa de inflação que se prevê ser altíssima, em 2023, os bancos consigam refletir isso nos aumentos salariais dos trabalhadores.

Foi acordado uma subida de salários de 0,5% em 2021 e 1,1% em 2022. Com estes lucros, os valores poderão ser revistos? 

Deveriam ser revistos, ma penso que não há qualquer abertura por parte dos bancos para isso. Nestas negociações acabámos por aceitar estes miseráveis aumentos salariais. Porque como se costuma dizer vale mais pouco do que de nada. Mas isto é algo que não representa minimamente o que se está a passar. O que acordámos com os bancos, vamos ver se cumprem a sua palavra ou não, é que estariam cá para no caso de se concretizar estas taxas de inflação tão altas.

E não é preciso ser-se adivinho para perceber que a taxa de inflação vai ser alta, aliás, há países com taxas de inflação bastante superiores à nossa. Estamos neste momento a preparar o nosso caderno, a nossa reivindicação e a nossa proposta de aumentos salariais para apresentar rapidamente aos bancos em setembro ou em outubro, no máximo.

Atualizar os aumentos de 2022 está fora de questão?

Não acredito que haja alterações, até porque fazem orçamentos e estes têm de prever esses aumentos salariais. Não considero que haja qualquer possibilidade de margem de manobra para qualquer aumento extraordinário. Sinceramente já ficaria contente se nos compensarem em 2023. 

E qual é a proposta que vai ser apresentada para 2023? 

Ainda não tenho valores para dar. Mas diria que a nossa proposta vai ter de ser superior à inflação, como é lógico, pelo menos, para compensar as perdas do ano anterior. 

Nas apresentações de resultados, os bancos têm afastado novas reduções de estruturas. Isso dá alguma tranquilidade? Até há quem fale em reforço de equipas..

Isso foi dito por Pedro Castro Almeida e também já nos tinha dito em reuniões. Tenho uma particular simpatia por Castro Almeida, que é uma pessoa extremamente educada e com quem se consegue conversar e espero que isso se venha a concretizar. A verdade é que as pessoas mudam, não ficam lá eternamente.

Fui a uma reunião com António Ramalho num dia e parecia que estaria por lá mais 20 anos e dois dias ou três depois vim a saber pela comunicação social que António Ramalho estava de saída. Por isso, as coisas hoje são uma coisa e amanhã outra, o que não dá muita segurança. Além disso, os bancos continuam a contratar. Normalmente o que acontece? Vou dizer um exemplo que não é real, mas quando saem dez contratam dois, ou seja, sai muito mais gente do que aquela que entra.

Falou da mudança de liderança do Novo Banco. O que está à espera do novo administrador? 

Normalmente não gosto muito de dar opiniões sobre sobre pessoas que não conheço. A única coisa que espero é que seja alguém que venha contribuir para reforçar o Novo Banco, porque nós, sindicatos da UGT, queremos que as empresas estejam bem e saudáveis, porque só com empresas saudáveis é que podemos melhorar as condições dos trabalhadores.

Espero que venha com uma perspetiva de engrandecer o Novo Banco, mas que tenha alguma sensibilidade social e que trate as pessoas não como números, mas sim como pessoas que têm famílias, que têm filhos, têm pais, que dão grande parte da sua vida ao trabalho, em que trabalham muitas horas por dia e muitas dessas horas não são pagas. Mas não nos podemos esquecer dos reformados. Houve muitos reformados na banca, na última década, alguns deles cansados e desmotivados que acabaram por recorrer às reformas antecipadas e com reduções no valor. Há reformados neste momento com alguma dificuldade em sobreviver. 

Chegou a dizer que queriam acabar com a raça dos sindicatos....

Acho que os sindicatos são associações muito importantes em sistemas democráticos. Acho que em Portugal e nos países latinos, como Espanha, França, Itália não há uma cultura de sindicatos e estes não são vistos como parceiros das empresas. Não podemos continuar a ver os sindicatos como aqueles que passam a vida na rua aos gritos e a fazer manifestações. 

Não é reivindicar por reivindicar... 

Acho que continua a existir na cultura dos nossos gestores a ideia de que os sindicatos só estão cá para chatear. É isso que temos de mudar no sistema cultural em Portugal. A própria imagem dos sindicatos na população nem sempre é a melhor e temos de trabalhar nessa área porque reivindicar só por reivindicar não vale a pena.

Por exemplo, já tivemos que negociar com o Santander, com o BCP em anos transatos, em que tínhamos a redução da massa salarial em troca do número de trabalhadores. Ou seja, havia um número muito grande de despedimentos que o banco tinha de fazer e o que fizemos foi negociar. Aceitámos a redução salarial, que depois mais tarde veio a ser compensada. 

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