Sociedade

PSP enviou reforços de última hora de Lisboa para Guimarães

Polícias fizeram turno de 30 horas. 154 adeptos, 23 portugueses, foram identificados pela PSP, que investiga claque No Name Boys por alegado auxílio aos croatas para entrar no país. 

PSP enviou reforços de última hora de Lisboa para Guimarães

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Por Vítor Rainho, José Miguel Pires e Maria Moreira Rato

Na noite de terça para quarta, enquanto os adeptos do Hadjduk Split provocavam o pânico em Guimarães, o Corpo de Intervenção estava posicionado no Porto à espera que esses adeptos tentassem provocar desacatos na Invicta, onde estavam hospedados. “Acontece que eles foram durante uma hora a Guimarães espalhar o terror e nós só fomos avisados depois de tudo ter acalmado e quando chegámos já não se passava nada”, explica ao i fonte do Corpo de Intervenção. “Era impossível ao destacamento da polícia de Guimarães fazer muito mais, pois são poucos”, acrescenta a mesma fonte. 

Recusando atribuir culpas à PSP de Guimarães, a mesma fonte adianta que no dia de ontem, a história foi completamente diferente, tendo até sido destacados 80 homens da Unidade Especial de Polícia de Lisboa, que seguiram viagem para Guimarães depois de terem feito um turno de 12 horas. “Esses homens só devem chegar a Lisboa por volta das quatro da manhã, o que perfaz mais de 30 horas seguidas”, explicou.

“Depois do que aconteceu, foram destacados mais de 400 homens, além dos cães e eles foram colocados numa caixa de segurança”, adianta. Certo é que o Corpo de Intervenção do Porto esteve atento a todas as movimentações dos adeptos nas zonas mais emblemáticas da cidade. Se alguns seguiram logo viagem depois do jogo, outros voltaram ao Porto, onde os esperava um forte dispositivo policial”.

Para a mesma fonte, o que se passa é que o Corpo de Intervenção não “consegue chegar a todas as ocorrências e há mesmo elementos que estão a fazer mais de 200 horas por mês, por falta de agentes”.

Já quanto às instruções que receberam, reforça que as chefias pedem para que a “intervenção musculada só aconteça em casos extremos. É claro que se tivéssemos estado em Guimarães a história teria sido diferente”. 

Na mesma linha, está Jorge Rufino, presidente da Associação Representativa dos Policias ARP. “Será que o Vitória de Guimarães informou a PSP ou outras entidades dos bilhetes vendidos aos adeptos do Hadjduk Split para um planeamento adequado e eficaz? Não sabemos. Aquando da ocorrência dos adeptos, os meios seriam escassos, pelo que os elementos de serviço seriam insuficientes. Pelo que terão sido efetuadas as diligências necessárias e em segurança, aliás o que aconteceu, onde foram identificados mais de 120 adeptos envolvidos na situação e em condições de segurança”.

O líder sindical acusa ainda o presidente da Câmara de Guimarães de nada ter feito e de atirar as culpas para a PSP. “O presidente da câmara de Guimarães vem criticar a PSP porque lhe dá jeito. Enquanto responsável pela autarquia, o que fez? Que medidas tomou? Não sabe quantos efetivos tem a PSP de Guimarães! Criticar a PSP, dá sempre jeito”.

Identificação dos adeptos A identificação dos adeptos que causaram distúrbios no centro histórico de Guimarães, na noite terça-feira, vai ser remetida para o Ministério Público “por indícios da prática de crime de participação em motim”, anunciou o Ministério da Administração Interna (MAI). Trata-se de 154 adeptos com ligações aos croatas do Hajduk Split, 23 dos quais portugueses, 122 croatas e os restantes de quatro outras nacionalidades.

Apesar de os adeptos do Hajduk Split terem sido acompanhados por elementos da polícia croata, “há indícios que organizaram a sua chegada ao país de forma a não serem detetados pelas autoridades”, pode-se ler em nota oficial do MAI, que refere “diligências preliminares efetuadas pela Polícia de Segurança Pública (PSP)” que levam a crer que os incidentes ocorridos “foram organizados com elevado grau de premeditação, com participação de pelo menos um grupo organizado de adeptos nacionais”.

“Na verdade, verificou-se que apenas um pequeno grupo de adeptos organizou a sua deslocação com conhecimento das autoridades, entrando em Portugal por via aérea, tendo os demais contado com o apoio de membros de claques associadas a clubes portugueses para a organização das suas deslocações e estadia”, alerta ainda o MAI, em linha com a informação avançada pelo Porto Canal, de que, alegadamente, membros da claque No Name Boys, ligada ao Benfica, terão ajudado os adeptos do clube croata a entrar no país e a mobilizar-se dentro do mesmo. Durante a tarde de ontem, o comissário da PSP de Braga, Vítor Silva, confirmou que a claque não oficial do Benfica está a ser investigada por eventual envolvimento nos incidentes, citado pela CNN Portugal. É que, para entrar no país, os croatas terão conseguido evitar passar pelo aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, optando por utilizar viaturas descaracterizadas para passar o controlo das autoridades.

reações políticas Os acontecimentos em Guimarães geraram ondas de choque pelo país, e o setor político rapidamente se pronunciou sobre o assunto. O Chega fala de “inaptidão do MAI” e diz que “a população de Guimarães ficou completamente entregue à sua sorte, sendo violadas objetivamente as regras legais e protocolares para este tipo de situações no âmbito do futebol internacional”.

Já o Grupo Parlamentar do PSD endereçou uma pergunta a José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, questionando: “Como explica o Senhor Ministro que não tenha sido possível antecipar estes eventos, tal-qualmente ao que tem sucedido em tantas outras situações análogas que têm lugar no nosso país?”.

“Não considera o Senhor ministro que os eventos de ontem, na cidade de Guimarães, exibem de Portugal uma imagem de incapacidade para lidar com fenómenos de massas associados ao futebol, deitando por terra a imagem de segurança e preparação para albergar grandes eventos, imagem que ao longo de anos fomos construindo?”, questionaram ainda os sociais-democratas.

A apontar o dedo esteve também a Iniciativa Liberal, que enviou uma questão ao ministro da Administração Interna e à ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, sobre se “foram tomadas medidas adicionais e, em caso afirmativo, quais, para prevenir episódios como os que, infelizmente, vieram, de facto, a verificar-se”.  

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