Brasil presente

A volta do idiota latino-americano

Sobre a possível eleição de Lula, lembra que o ex-Presidente do Brasil é mais um populista demagogo do que um esquerdista, embora cercado deles, e mostra preocupação com a solidariedade manifesta aos esquerdistas eleitos no Chile, Peru, Colômbia e Argentina, indiferente ao caos económico e social que provocam.

A volta do idiota latino-americano

Por Aristóteles Drummond

Alvaro Vargas Llosa, de 56 anos, filho do Prémio Nobel, é o coautor do best-seller Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, publicado em 1996, em que ironiza os equívocos dos latino-americanos em suas escolhas políticas e o alto preço social e político que pagam. Semana passada, deu uma entrevista interessantíssima ao jornal O Estado de S. Paulo, em que é indagado sobre o momento que vive o continente em que nasceu – ele é peruano com nacionalidade espanhola também – e fez uma inteligente abordagem. Lembra que governos modernos como no Brasil, Colômbia e Chile cresceram com políticas liberais, mas não conseguiram aprovar reformas estruturantes.

Observou que a esquerda populista voltou a ganhar eleições com o novo discurso de defesa dos povos originais (indígenas), minorias, políticas de género, demonização do capitalismo, em especial multinacionais. Mas que não aprendeu a levar aos povos o progresso económico e social, além de promoverem a perda de liberdades, como ocorre na Venezuela e Nicarágua, a imagem e semelhança de Cuba. Em relação aos novos eleitos, observa a rapidez com que perdem popularidade, como é o caso do chileno e do peruano, com um ano de governo.

Sobre a possível eleição de Lula, lembra que o ex-Presidente do Brasil é mais um populista demagogo do que um esquerdista, embora cercado deles, e mostra preocupação com a solidariedade manifesta aos esquerdistas eleitos no Chile, Peru, Colômbia e Argentina, indiferente ao caos económico e social que provocam.

VARIEDADES

• A melhora do quadro económico e as fortes medidas de sentido social não provocam reação significativa para Bolsonaro nas sondagens. O Presidente insiste no confronto para atender a sua base e, assim, não cresce na chamada ‘maioria silenciosa’. Analistas já admitem que o presidente possa ter uma pontuação maior do que a registrada, considerando o ‘voto envergonhado’, mas pragmático. Mas não parece suficiente.

• Os debates na TV Bandeirantes dos candidatos nos Estados confirmam a provável reeleição dos governadores de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

• O histórico jornal Correio da Manhã, que voltou a circular no Rio, vai ter uma edição em Brasília, onde uma impressora já foi adquirida. O empresário Cláudio Magnavita é um veterano jornalista, responsável pelo Jornal de Turismo, e adquiriu também o título da não menos histórica revista O Cruzeiro, que marcou décadas da vida brasileira, e tem passagem em cargos públicos como o de secretário de Turismo do Rio de Janeiro.

• O ministro Paulo Guedes aderiu ao estilo do Presidente e afirmou que a França é parceiro irrelevante do Brasil, diante de um comentário de ministro francês sobre a questão amazónica. Afinal, o Brasil tem, entre suas maiores empresas, a Sanofi, a PSA, Renault-Nissan, Saint Gobain, Danone, Carrefour, Cassino, L’Oréal, entre outras. E estas são, entre as estrangeiras, as que mais empregam.

• A economia continua a ignorar o ambiente político incerto. As empresas que tinham de colocar em São Paulo 372 antenas do 5G até o final do ano vão colocar 1572. 

• Mesmo num ano seco, a safra do milho cresceu e bate 262 milhões de toneladas. A terceira maior produção do mundo.

• A demagogia não tem limites. O jogador Romário, que é Senador e candidato à reeleição, apresenta projeto que amplia a Cobertura dos planos de saúde. Mais de 50 milhões de brasileiros já tiveram esta cobertura, hoje são 35 milhões, mas com estas obrigações o preço aumenta e muitos terão de abrir mão. Demagogia contra o povo.

• O Professor em Coimbrã Ibsen Noronha, estará em Brasília na semana do 7 de setembro, lançando um livro e proferindo palestra . Ele é dos grandes nomes do movimento monárquico brasileiro apesar de residir em Portugal.

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