Cultura

MEO Kalorama. Um pouco de tudo no concerto dos Arctic Monkeys

Alex Turner e a sua trupe incendiaram o segundo dia do MEO Kalorama, que contou também com The Legendary Tigerman, Alice Phoebe Lou e Bruno Pernadas.


Mais um dia, mais uma rodada de concertos no Parque da Bela Vista, em Lisboa, patrocinados pelo recém-nascido festival MEO Kalorama. Se a primeira fornada, na quinta-feira, se dedicou principalmente à música eletrónica, sexta-feira foi dia do Rock and Roll, sendo esperados os primeiríssimos cabeças de cartaz dos três dias de festival: os britânicos Arctic Monkeys, que estão prestes a lançar novo álbum ("The Car", nas lojas em outubro), depois de Tranquility Base Hotel and Casino, em 2018.

O recinto do MEO Kalorama encheu-se para ouvir Alex Turner, que subiu a palco com o seu típico ar de ‘sex symbol’, de barba feita mas com os clássicos óculos escuros a condizer com o Rock and Roll eletrizante ao qual não fica outra opção que não seja obedecer e abanar o corpo. Os meninos de Sheffield que tomaram o mundo de assalto no início do Milénio voltaram a Portugal depois de uma prestação francamente frustrante em 2018, no NOS Alive. Do I Wanna Know, I Bet You Look Good on The Dancefloor, Cornerstone e R U Mine foram só alguns dos temas 'clássicos' da discografia que Turner, Jamie Cook, Nick O'Malley, e Matt Helders recuperaram, numa atuação em que o som esteve, por vezes, aquém do expectável para um concerto desta magnitude - aliás, o próprio vocalista fez, subtilmente, sinais à equipa técnica para aumentar o som do seu microfone.

Ainda assim, as ondas de público vibraram pela Bela Vista fora, passando por temas mais intensos como Brianstorm, Teddy Picker, Why’d You Only Call Me When You’re High? e, por outro lado, por baladas e temas mais ‘suaves’ como a infinita 505, Thet’s Where You’re Wrong e Tranquility Base Hotel and Casino. Foi um estilo de 'recuperação' do sabor amargo que tinha ficado aquando da sua passagem pelo Passeio Marítimo de Algés.

O público vibrou e adorou Turner e companhia, mostrando estar com saudades do quarteto de Sheffield, em Inglaterra, que pareceu conseguir incluir numa setlist um pouco de tudo no que toca à sua já vasta discografia. E tal não é fácil, principalmente quando se fala de uma banda que tem todo um leque de músicas que são ‘a música’ que o público quer ouvir.

 

Partir a louça toda

Mas o segundo dia do MEO Kalorama fez-se de mais do que Arctic Monkeys. No palco principal por definição deste festival no Parque da Bela Vista, quando ainda o sol brilhava, Paulo Furtado, melhor conhecido pelo seu alter ego Legendary Tigerman, subiu a palco acompanhado da trupe do costume, como João Cabrita ao saxofone, ou Catarina Henriques (aka Katari), que ajuda sempre a pintar os concertos do ‘homem-tigre’ com vibrantes cores, graças às suas curiosas e interessantes ‘caretas’.

Foi, à falta de termos mais explicativos, um concerto para ‘partir tudo’. Furtado e todo o seu ambiente de Rock n’ Roll hipnotizaram o público do MEO Kalorama à medida que o sol se punha com hinos da sua carreira, como Fix of Rock n’ Roll, Motorcycle Boy ou, claro, como não podia deixar de ser, These Boots Are Made For Walkin’, a cover do tema original de Nancy Sinatra que fez Tigerman chegar às bocas do mundo.

The Legendary Tigerman e João Cabrita protagonizaram, em pleno palco, um duelo entre guitarra elétrica e saxofone hipnotizante, conseguindo cada um ‘ultrapassar’ sempre os ‘ataques’ do anterior. Sentia-se no ar o ambiente elétrico, com muito couro preto, altos e fortes riffs de guitarra e todos os ‘clichés’ imagináveis sobre o Rock n’ Roll.

Foi, precisamente, durante o tema 21st Century Rock n’ Roll que Paulo Furtado ‘partiu a louça toda’. Literalmente. O homem por trás de The Legendary TIgerman desfez-se de amarras, subiu a tudo quanto podia subir - amplificadores, bateria… - e não descansou até ser carregado pela multidão em frente ao palco principal, em pleno crowdsurf à medida que gritava a frase ‘chave’ desse tema que remonta a 2016.

O ambiente no ar deu o mote a uma lição breve, mas carregada de emoção: “Amor a rebentar cabrões”. Este é, para Paulo Furtado, o verdadeiro significado da vida, e o concerto de cerca de uma hora que deu na edição inaugural do MEO Kalorama foi prova disso.

 

O segundo dia do festival que ocupa a Bela Vista até hoje contou ainda com concertos da irlandesa Roisin Murphy, da sul-africana Alice Phoebe Lou - que confessou ter encontrado em Lisboa um dos melhores concertos da sua carreira - e do português Bruno Pernadas que, acompanhado pela sua fiel ‘orquestra’, fechou o dia com chave de ouro.

Hoje é o último dia do MEO Kalorama, com concertos de Nick Cave, Moullinex, Chet Faker, Ornatos Violeta e Club Makumba.

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