Opiniao

A PIDE do politicamente correto chegou à Praia

Estavam duas crianças a brincar com caranguejos dentro de um balde quando aparece uma PIDE do sexo feminino a questionar a mãe de uma delas sobre o destino dos bichos...

A PIDE do politicamente correto chegou à Praia

por João Cerqueira

Sou do tempo em que se apanhavam mexilhões, lapas, búzios, caranguejos e ouriços-do-mar na praia. A Praia de Carreço e, mais a Norte, a Praia dos Ingleses eram as melhores para estas colheitas de marisco. Juntamente com amigos, enchíamos sacos com estes animais que depois eram cozinhados em casa. Quando éramos crianças, também pescávamos uns pequenos peixes a que chamavam Bretas (Lipophrys Pholis) com recurso a um fio de pesca preso a um taco. Depois, a mãe de um dos nossos amigos fritava-os e, mesmo aqueles que diziam detestar peixe, comiam-nos deliciados.

Nesse tempo, podíamos divertir-nos a pescar e a apanhar mariscos na praia sem sentimento de culpa ou receio de sermos perseguidos. Porém, estes prazeres estão prestes a acabar porque a PIDE do Politicamente Correto chegou à Praia.

A cena passou-se no final de agosto na Praia do Cabedelo em Viana do Castelo.

Estavam duas crianças a brincar com caranguejos dentro de um balde quando aparece uma PIDE do sexo feminino a questionar a mãe de uma delas sobre o destino dos bichos. Como se fosse a dona da praia, com modos agressivos, queria saber se iam ser soltos ou o que lhes iriam fazer. Aquela cabeça totalitária não concebia que se pudesse apanhar mariscos nas rochas e cozinhá-los em casa. Também talvez não aceite que se pesquem robalos ou qualquer peixe na praia. E deve até considerar que esta brincadeira infantil seja um atentado aos direitos dos animais.

Assim sendo, gostaria de saber como reagiriam esta e outros agentes da PIDE Politicamente Correta perante o recente caso de um grupo de mulheres paquistanesas que tentaram tomar banho vestidas numa piscina pública em Santarém? Ou, então, o que fariam se vissem um homem com um harém ou uma mulher de burka na praia com o seu dono ao lado em fato de banho?

Iriam também abordar essas pessoas e falar-lhes do respeito pelas leis portuguesas, da necessidade de se adaptarem à cultura europeia e, sobretudo, dos direitos das mulheres e da igualdade entre os sexos? Ou, pelo contrário, não se incomodariam com a submissão da mulher ao homem? Afinal, talvez os direitos dos caranguejos e das lapas sejam mais importantes do que os das mulheres. É tudo uma questão cultural e a PIDE Politicamente Correta sabe muito bem que, desde que não sejam ocidentais, entre marido e mulher (ou mulheres) não se deve meter a colher. Podem ser forçadas a desaparecer debaixo de uma burka, a aceitar a poligamia do marido, a sofreram uma mutilação genital. A nova PIDE não ultrapassa as suas competências de vigilância e censura. A colher mete-se e agita-se quando crianças europeias brincam com caranguejos e estrelas-do-mar dentro de baldes. Isso é que é realmente grave e atentatório da ética civilizacional do século XXI.

Depois de policiarem os baldes das crianças e quiçá os castelos de areia (símbolos da islamofobia), talvez chegue o dia em que irão importunar as mulheres que usem biquínis reduzidos por estarem a seguir os ditames da cultura patriarcal, censurar-lhes também o uso de tranças africanas e coagir toda a gente a besuntar-se com protetores solares máximos para evitar a apropriação racial da pele morena. E tudo isto enquanto ao lado da PIDE um grupo de mulheres faz sauna dentro de burkas ou envergando outro instrumento de submissão semelhante.

 Será apenas um pouco mais absurdo do que vigiar brincadeiras com caranguejos.

Da praia às universidades, passando pelos jornais, a nova PIDE está em todo o lado a policiar os costumes e a impor a sua visão do mundo – aos ocidentais, claro. Bradam contra a ameaça ‘fascista’ sem se darem conta que se estão a ver ao espelho. Gritam pelos direitos das mulheres enquanto permitem que outras tenazes de caranguejo lhes retalhem a dignidade e os direitos.

Rebentam na Ocidental Praia Lusitana ondas sujas de lixo e veneno.

 

Os comentários estão desactivados.