Internacional

Protestos contra mobilização militar continuam na Rússia

Filas vão-se acumulando na fronteira com a Mongólia. EUA dizem que uso de armas nucleares terá “consequências catastróficas” para a Rússia.


Os protestos na Rússia contra a mobilização militar continuam a não dar tréguas. Ainda no sábado foram detidas, pelo menos, 821 pessoas. Moscovo foi a cidade com maior número de detidos, cerca de 400, mas também foram detidas pessoas em São Petersburgo (142 detidos), Novosibirsk (71), Irkutsk (20), Tomsk (19), Izhevsk (17), Ufa (16), entre outros locais, de acordo com um balanço divulgado pela organização de direitos civis OVD-Info.

No entanto, o Ministério da Defesa russo conta outra versão e divulgou um vídeo, onde mostra cidadãos e voluntários mobilizados a chegar a uma unidade militar em Kaliningrado. 

Mas as longas filas filas de veículos que se vão acumulando na fronteira entre a Rússia e a Mongólia este domingo contrariam essa versão do Governo russo. O chefe de um posto de controle na cidade de Altanbulag disse à AFP que mais de 3 000 russos entraram na Mongólia via terrestre desde quarta-feira, a maioria deles homens.

Destes, cerca de 2 500 eram homens e só 500 mulheres e crianças. “Desde 21 de setembro, o número de cidadãos russos que entram na Mongólia aumentou”, disse o chefe do posto de controle, major G. Byambasuren.

Há relatos de pessoas que aguardam horas para atravessar a fronteira. Byambasuren explicou ainda que cidadãos russos podem visitar a Mongólia e ficar sem visto durante 30 dias, havendo a possibilidade de estender a estadia por mais 30 dias.

EUA alertam para armas nucleares Os Estados Unidos alertaram Moscovo de que qualquer uso de armas nucleares terá “consequências catastróficas” para a Rússia, porque Washington e os seus aliados responderão “de forma decisiva”. O assessor de segurança nacional da Casa Branca acrescentou: “Comunicámos diretamente, em privado, a níveis muito elevados com o Kremlin, que qualquer uso de armas nucleares terá consequências catastróficas para a Rússia. Que os Estados Unidos e os nossos aliados responderemos de forma decisiva”, disse Jake Sullivan, em entrevista à CBS News.
Para o responsável norte-americano, é preciso “levar muito a sério” o possível uso de armas nucleares pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Segundo Sullivan, os Estados Unidos têm sido “claros e específicos” sobre o que implicaria um eventual uso de armas nucleares: O Governo do Presidente Joe Biden “responderá com decisão”.

Já o Governo alemão propõe que, como parte do próximo pacote de sanções europeias contra Moscovo, cidadãos europeus fiquem impedidos de ocupar cargos em empresas estatais russas, disse o diário Süddeutsche Zeitung. Em causa está uma lista de propostas para sancionar Moscovo, após ter sido anunciada a mobilização de 300 mil reservistas para combater na Ucrânia. Entre as medidas, está a proposta para impedir que cidadãos de países europeus possam ocupar no futuro cargos nos conselhos de administração ou na gestão de empresas estatais russas, uma vez que tal prática constitui “corrupção estratégica”.

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