Internacional

Sonda DART colide com sucesso contra asteróide

Missão pode representar um avanço na defesa planetária contra asteróides.


A missão da NASA com o objetivo de fazer colidir a sonda Double Asteroid Redirection Test (DART) com o asteroide Dimorphos, que se realizou esta terça-feira, saldou-se num sucesso. Tratou-se de um dos primeiros testes da humanidade para defender o planeta de futuros objetos espaciais que estejam em rota de colisão com a Terra.

A sonda DART atingiu o asteroide Dimorphos às 19h14 (00h14, em Lisboa), um evento que pode ser visto numa transmissão em direto nas redes sociais da NASA.

No momento da colisão, Dimorphos estava a cerca de 9,6 milhões de quilómetros de distância, com a DART a embater na rocha espacial - a lua de um sistema binário – a 22.500 quilómetros por hora.

Os cientistas da NASA aplaudiram quando assistiram às imagens enviadas do espaço.

“O sucesso do DART oferece-nos uma nova ferramenta para proteger a Terra do impacto devastador de um asteroide”, disse o chefe de defesa planetária da NASA, Lindley Johnson. “Esta missão demonstra que não somos mais impotentes perante estes desastres naturais”, acrescentou o tenente-coronel e astrónomo aposentado da Força Aérea dos EUA.

Esta é a primeira operação deste género. Os engenheiros espaciais, com esta colisão, pretendem descobrir como é possível desviar asteroides caso seja identificado algum que esteja em rota de colisão com a Terra. As observações do impacto da missão fornecerão dados cruciais sobre a capacidade destas naves para proteger a Terra de um evento apocalíptico.

“A missão DART em conjunto com a missão HERA [comandada pela Agência Espacial Europeia] formam uma iniciativa internacional de defesa planetária”, explicou ao i Inês d’Ávila, gestora de projetos de segurança espacial da Agência Espacial Portuguesa. “Estas missões irão permitir a aquisição de capacidades de deflexão/desvio de asteroides de potencial perigo para a Terra”.

O impacto de asteroides e cometas teve um grande efeito na vida do planeta Terra, sendo a colisão mais conhecida aquela que se presume ter ocorrido há 66 milhões de anos, quando um asteroide de 10 km de largura atingiu Chicxulub na Península de Yucatán, no México, numa colisão que provocou uma explosão que teve a energia de vários milhares de milhões de bombas atómicas e levou à destruição de 75% de todas as espécies de plantas e animais, incluindo todos os dinossauros terrestres.

Embora pudesse ter sido visto na transmissão em direto da NASA, nas redes sociais, os cientistas vão ter de esperar dias ou até semanas para ver ser a sonda não tripulada conseguiu alterar ligeiramente a órbita do asteroide.

A missão de 325 milhões de dólares (cerca de 338 milhões de euros) foi a primeira tentativa de mudar a posição de um asteroide ou qualquer outro objeto natural do espaço.

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