Opiniao

As dores de Marcelo

Há escassas semanas, o mais proeminente comentador televisivo da nossa praça deslocou-se a Viseu, ao volante do seu automóvel, tendo convidado para o acompanhar uma jornalista, à qual se prestou a dar uma entrevista ao longo de toda a passeata.

As dores de Marcelo

Como é da praxe, Marcelo, que nos intervalos das suas fastidiosas análises sobre tudo o que se passa por esse mundo fora, desde a política ao futebol, passando pela área do entretimento e do espectáculo, perde um pouco do seu tempo a tratar de assuntos do Estado, falou sobre tudo e não disse nada!

No entanto, para a posteridade ficaram gravadas algumas palavras que, por serem hilariantes, não vão cair no esquecimento tão cedo.

O analista Marcelo quis brindar-nos com a boa-nova de que descobriu a razão pela qual os socialistas conseguiram obter a maioria absoluta nas mais recentes eleições.

E a explicação é bem simples: o PS ganhou com um resultado expressivo porque a direita não se quis colar a ele, Marcelo!

Estamos mais do que habituados a aturar toda a panóplia de disparates com que os vários comentadores políticos aqui do burgo nos agridem diariamente, mas, neste caso concreto, Marcelo deu um tiro na água, bem longe do porta-aviões!

Na verdade, o actual inquilino de Belém foi eleito, pela primeira vez, com o voto massivo do eleitorado a que se convencionou chamar de direita, atendendo a que o perfil conservador e católico com que o então candidato se apresentou, ou que, pelo menos, não o renegou, seduziu quem aspirava por um contra-poder ao desvario socialista que já então se instalara no aparelho do Estado.

Mas esse mesmo eleitorado sentiu-se defraudado por Marcelo, pela simples razão de que todo o seu primeiro mandato se pautou por uma colagem excessiva à governação socialista, em particular por se ter permitido não ser mais do que uma muleta de Costa, a quem tudo permitiu e  cujos disparates branqueou.

Não se esperava, obviamente, que Marcelo interferisse sistematicamente com a acção do governo, mas sim que exercesse o seu magistério de influência, dirimindo conflitos e impondo limites que acautelassem uma boa administração dos dinheiros públicos.

Mas Marcelo desiludiu quem nele confiou o seu voto. Não quis exercer o poder moderador que constitucionalmente é atribuído ao Chefe do Estado, optando antes por se constituir no porta-voz do governo, tornando-se co-responsável pelo estado caótico a que o País chegou.

Não só se opôs como, bem pelo contrário, incentivou Costa a ceder às chantagens da extrema-esquerda, para assim manter o indispensável apoio parlamentar que garantisse a legislatura completa, enveredando-se por políticas económica e financeiras que esvaziaram os cofres do Estado a níveis comparáveis aos do final do socratismo.

Deu total cobertura à mais incompetente e arrogante titular da pasta da saúde com que alguma vez tivemos a tristeza de lidar, cuja cegueira ideológica conduziu o sistema de saúde ao caos e à ruína, fatalidade que ceifou a vida a milhares de portugueses.

Na verdade, Marcelo não foi o árbitro, conforme seria seu dever, mas sim quis antes jogar numa das equipas, desprezando as restantes.

Mas a principal razão para a chamada direita ter cortado definitivamente com Marcelo, teve a sua origem quando este ajudou decisivamente a pôr cobro a todas as investigações judiciárias que visavam combater o flagelo da corrupção, ao não reconduzir a então Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, substituindo-a por uma fantoche do aparelho socialista.

Marcelo vendeu a alma ao diabo, neste caso a Costa, para garantir o apoio deste à sua reeleição, fechando, com esse abominável gesto, a porta a qualquer possível colagem do eleitorado de direita a si próprio, vindo agora choramingar por aqueles eleitores o terem abandonado.

Marcelo foi reeleito graças ao voto da esquerda, sendo que o preço a pagar por esse infortúnio resultou na triste realidade de que os corruptos e trapaceiros do regime, que se espalharam como cogumelos em todos os órgãos do Estado, podem agora, livremente e sem qualquer perigo de serem levados à justiça, envolverem-se em todo o tipo de negociatas dolosas, as quais têm sido, em grande parte, as principais responsáveis pelo nosso crónico empobrecimento.

É precisamente isto que a direita jamais poderá perdoar a Marcelo, a de ter entregado carta branca à corrupção!

 

Post Scriptum:

Costa, na sua recente visita a Moçambique, cometeu um imperdoável crime de traição, ao evocar e curvar-se perante a memória das vítimas a que chamou o massacre de Wiriyamu, apontando-o como um acto indesculpável que desonra a nossa História.

É Costa quem desonra a nossa História, ao ofender gravemente todos os militares portugueses, brancos, pretos e mestiços, que souberam honrar a sua Pátria e pela qual muitos deles deram a sua vida.

Se Costa, antes de abrir a boca, se tem informado convenientemente sobre o que de verdade se passou, teria tido ao seu dispor documentação credível que prova que não existiu nenhum massacre em Wiriyamu e que esta invenção mais não foi do que uma manobra dos inimigos de Portugal, externos e internos, para nos desacreditar e humilhar perante o mundo e dela retirarem proveitos políticos.

Marcelo, Comandante Supremo das Forças Armadas, primou pelo silêncio perante este ignóbil ataque ao prestígio dos nossos militares, mostrando-se incapaz em defender a honra destes, como é sua obrigação.

É o presidente que temos!

 

Pedro Ochôa

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