Professor de Moral acusado de 95 crimes de abuso sexual em Famalicão

Homem terá mandado alunos ficarem deitados para “efetuarem exercícios de respiração”, tendo acariciado uma aluna, com as luzes apagadas.

O Ministério Público (MP) acusou esta sexta-feira um professor, de 53 anos, de Educação Moral e Religião Católica da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, de Famalicão, de 95 crimes de abuso sexual de menores dependentes, sendo as vítimas 15 alunas.

Os crimes terão sido cometidos essencialmente durante os ensaios da companhia de teatro “O Andaime”, projeto que o arguido criou naquela escola e do qual era encenador, afirma a acusação, à qual a Lusa teve acesso.

Os ensaios da peça eram sempre iniciados “com uma fase de aquecimento, durante a qual as portas se mantinham fechadas, as luzes apagadas e os estores da sala corridos, com música a tocar, e compreendiam a realização de exercícios de contracena, durante os quais os alunos fechavam os olhos e seguiam as instruções do arguido, com o objetivo de criar um estado de relaxamento e desinibição psicológica e corporal".

Aproximadamente a partir de 2014 – diz ainda a acusação – o arguido "por razões que se prendem com a própria satisfação sexual e aproveitando o facto de ser o único responsável pela companhia, passou a participar dos exercícios de contracena, criando uma maior intimidade e aproximação corporal com as alunas do sexo feminino, de modo a facilitar a manutenção, com as mesmas, de contactos de natureza sexual". O homem terá ainda colocado dois cartões nos vidros das portas de entrada para minimizar a luz no interior da sala de ensaios.

De acordo com o MP, o arguido "verbalizava de forma frequente às alunas que o contacto físico exigido nos exercícios de contracena era necessário para a desejada evolução como atrizes e, ainda, que tal método não seria compreendido por membros exteriores à companhia, assim as incentivando a não revelar os acontecimentos que tivessem lugar no decurso dos ensaios", tendo aproveitado “do seu ascendente enquanto professor” e da "ingenuidade, imaturidade e falta e experiência sexual das suas alunas" para consumar os abusos em questão.

O homem, no âmbito da aula de Educação Mortal e Religião, terá ainda mandado os alunos ficarem deitados para "efetuarem exercícios de respiração", tendo acariciado uma aluna, com as luzes apagadas.