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O segredo está no pulso

Os smartwatches são terminais com grande capacidade de recolha de dados, permitindo um nível de personalização da experiência de marca difícil de conseguir com outros meios

 

O segredo está no pulso

Relógios são peças fascinantes. Na parede, no bolso ou no pulso, dão-nos uma simples informação num movimento contínuo de ponteiros sobre um mostrador. Até os relógios Casio dos anos 80, com iluminação, cronómetro, alarme e alguns até com uma calculadora praticamente impossível de operar, dado o tamanho mínimo dos botões, cujas reedições estão muito na moda, tinham um charme particular. Hoje o fenómeno são os smartwatches, um dos produtos do momento. É o mais popular de todos os wereables e estima-se que o valor deste mercado triplique nos próximos quatro anos.

O smartwatch é um exemplo da internet of things, fenómeno que acredito estar ainda nos primórdios do seu desenvolvimento, um conceito que significa conectividade e transferência de informação entre terminais sem intervenção humana. Um dia os nossos frigoríficos e despensas farão a gestão do stock de alimentos por nós, encomendando diretamente um produto ao fornecedor quando detetarem que acabou. Ainda não é esse o nível de maturidade da tecnologia, mas já vivemos uma realidade em que as pessoas controlam a energia que consomem e gastam, quando e como; monitorizam pulsações, tensão arterial e níveis de oxigenação; contam passos e até o tempo que passam em pé.

Essa informação pode facilmente ser transmitida para outros terminais e utilizada para vários fins.

Intriga-me que as marcas não tentem aproveitar melhor o smartwatch. Se o telemóvel é o grande meio de comunicação dos dias de hoje, olhamos mais tempo para o seu ecrã do que para nossos filhos, o que se poderá fazer com um terminal que anda sempre agarrado ao nosso pulso? E quase sempre emparelhado com o telemóvel. 

A Mercedes-Benz é uma das marcas que já explora este universo. Numa parceria com a Pebble, desenvolveu uma aplicação, o Digital DriveStyle, que informa o utilizador sobre a localização do carro, se as portas estão trancadas e se precisa de combustível. Dentro do carro, alerta o condutor para possíveis perigos na estrada, redireciona o sistema de navegação, permite controlar o sistema de som ou ativar comandos por voz. Outros exemplos incluem aplicações que permitem fazer listas de compras, aceder a previsões meteorológicas ou estimar a distância para um buraco num campo de golfe. Bons exemplos, mas há espaço para muito mais.

Os smartwatches são terminais com grande capacidade de recolha de dados, permitindo um nível de personalização da experiência de marca difícil de conseguir com outros meios. A quantidade e a qualidade dos dados que recolhem possibilitam que as mensagens sejam entregues nos momentos em que podem ser mais relevantes. E de uma forma pouco intrusiva em comparação com outros meios. 

Outra função importante que os smartwatches permitem é a sua utilização enquanto meio de pagamento. Já não é assim tão raro ver alguém aproximar o pulso de um terminal de pagamento num restaurante, apesar de ainda não ser a prática mais comum para a maioria das pessoas. No entanto, o potencial nesta área é muito grande e os cartões de plástico dificilmente conseguirão sobreviver à massificação desta solução. 

Ainda existem muitas barreiras que impedem a democratização da utilização de smartwatches, nomeadamente o preço dos equipamentos mais sofisticados. Porém, o previsível crescimento do mercado e a evolução tecnológica vão certamente permitir que muito mais pessoas possam ter acesso. Também convém não esquecer que continuam a dar as horas e com maior precisão do que qualquer outro tipo de relógio. 

Senior Manager da Accenture Song 

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