Opiniao

Mercado imobiliário

Robert A. M. Stern é o papa nos Estados Unidos do pós-modernismo e da arquitetura de inspiração clássica.


por André Jordan
Empresário

Começo por dizer que, em 70 anos de atividade na indústria imobiliária, atravessei muitas crises de várias naturezas e origens, sendo que cada vez mais as crises são globais. Sempre se verificou a retoma dos mercados, sendo que no mercado dos imóveis residenciais e dos imóveis comerciais, em pouco tempo, os valores superavam aqueles que se aplicavam antes das crises. Duvido que haja outro setor com os mesmos resultados.

Neste momento, apesar de haver diferenças de mercado para mercado, desde Hong Kong, sempre muito ativo, está paralisado, enquanto que Nova Iorque acusa arrefecimento e quebra nos preços, o mesmo acontecendo em Paris. Londres continua sendo a residência internacional favorita dos milionários da Ásia e da África, mas com intensidade reduzida.

Ao nível da classe média para baixo, sente-se em todos os mercados os reflexos da inflação, especialmente pelo seu impacto na subida dos juros dos financiamentos.

A promoção de vendas evoluiu muito com a utilização do marketing digital, reduzindo a utilização das publicações em papel, apesar de que esta mantém em certos órgãos, principalmente de Lifestyle, o interesse que isto representa numa clientela de alto poder aquisitivo.

Curiosamente, a televisão nunca deixou de ser mais do que uma presença pontual no marketing imobiliário. Em Portugal, o fenómeno do imobiliário, e em particular no imobiliário para turismo, é de certa maneira imune aos efeitos da crise, dado que a nossa vocação é forçosamente direcionada para mercados de média alta e alta capacidade financeira. Nessas horas, quando há uma compreensível retração no marketing, é que é preciso encontrar maneiras de promover eventos nas artes, no desporto e nos acontecimentos sociais que atinjam o interesse das camadas que representam a nossa clientela. O nosso mercado nesses segmentos é maioritariamente composto de investidores estrangeiros que são na maioria utilizadores não especulativos que não recorrem a financiamento.

O problema da habitação de custo acessível, seja para comprar ou para arrendamento, não pode ser resolvido nas zonas prime das grandes cidades, como comprovam Nova Iorque, Londres, Paris, etc. A habitação acessível precisa da intervenção do Estado no financiamento e no subsídio e para isso tem de estar localizada fora do centro imediato, com boa acessibilidade de transportes e com os apoios de escolas e centros de saúde, de zonas de comércio, bem como eventualmente de indústrias de alta tecnologia.

As restrições ao chamado Visto Dourado (uma designação infeliz) nascem de um erro de interpretação porquanto esse Visto outorga residência por cinco anos, renovável anualmente, ao cabo dos quais o investidor fica com a possibilidade de requerer naturalização. Essa condição sempre existiu para quem queira ser residente em Portugal, o que é possível desde que demonstre meios de subsistência através de emprego estável ou rendimentos e não ter sido condenado criminalmente. Esse foi o meu caso.

Já agora ressalve-se que este Visto não tem nenhuma benesse fiscal e o seu titular paga impostos sobre a propriedade imóvel, sendo contribuinte para a sustentabilidade económica do país.

Um príncipe da arquitetura: foi publicado um artigo no Financial Times do último sábado sobre o arquiteto americano Robert A. M. Stern, que é o papa nos Estados Unidos do pós-modernismo e da arquitetura de inspiração clássica. Stern é também um notável urbanista responsável pelos campus de várias grandes universidades e da famosa Celebration, a cidade satélite da Disneylândia na Florida.

Contactei Mr. Stern e convidei-o a ser consultor do planeamento da segunda fase do Belas Clube de Campo, conhecida como Lisbon Green Valley. Ele veio a Lisboa com um assistente para reuniões com a direção da empresa e com o arquiteto Joaquim Proença, nosso urbanista original e responsável também por alguns prédios e moradias no empreendimento. Passadas algumas semanas, ele enviou-nos as suas sugestões, algumas das quais Proença adaptou aos condicionamentos da legislação da altura.

 O artigo em questão ressalta que nos mercados aonde existam projetos seus, estes alcançam os preços mais altos do mercado.

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