Internacional

Com o inverno a chegar, Rússia quer deixar Ucrânia sem energia

Mísseis russos destruíram infraestruturas cruciais de energia na Ucrânia, deixando centenas de localidades sem eletricidade.


A Ucrânia sofreu um novo ataque russo depois de ter reportado que diversos mísseis atingiram infraestruturas cruciais, como barragens hidrelétricas, deixando centenas de localidades sem energia. “As Forças Armadas da Federação Russa continuaram a lançar ataques com armamento aéreo e marítimo de longo alcance e alta precisão contra os sistemas de controle militar e energia da Ucrânia”, afirmou o Ministério da Defesa russo em comunicado, citado pelo Al Jazeera, acrescentando ainda que “os objetivos dos ataques foram alcançados”. E as autoridades russas acrescentaram: “Todos os alvos atribuídos foram neutralizados”.

Segundo o primeiro-ministro ucraniano, Denys Chmygal, os mísseis e drones danificaram 18 instalações, “na sua maioria relacionadas com a energia”. 

“Os terroristas russos voltaram a atacar maciçamente a Ucrânia. Os seus alvos não são instalações militares, mas infraestruturas civis essenciais”, explicou o chefe do governo ucraniano.

Os mísseis foram disparados de naves russas que voavam sobre a zona norte do Mar Cáspio e da região de Rostov e atingiram alvos nos oblasts de Kiev, Zaporizhzhia e Kharkiv e nas áreas de Mikolaiv, Lviv, Zhytomyr, Kirovohrad e Chernivtsi.

Estes ataques provocaram o corte no fornecimento de água a 80 por cento dos consumidores em Kiev, o que corresponde a 350 mil casas, disse o presidente da câmara da capital, Vitali Klitschko na rede social Telegram.

“Esta é a terceira vez em outubro que vemos estes tipos de ataques, durante uma segunda-feira, contra a capital ucraniana”, disse o jornalista do meio de comunicação do Médio Oriente, Harry Fawcett, a reportar em Vyshhorod, cidade que se situa a 20 quilómetros de Kiev, explicando que os mais recentes ataques foram também os mais “diversos”. 

“Foram registados ataques a infraestruturas no este e no sul, e o Governo ucraniano acredita que foram lançados mais de 50 mísseis cruzeiro durante esta ofensiva de ataques”, acrescentou, argumentando que esta “é outra indicação da grande mudança tática” russa, tentando afetar a infraestrutura civil da Ucrânia antes do inverno.

Para além de ter cortado a energia em diversas cidades ucranianas, estes ataques fizeram pelo menos uma vítima mortal, em Kiev, numa altura em que as autoridades ainda estão atentas e a investigar se existem outras mortes.

Os bombardeamentos de segunda-feira seguem-se a um ataque contra a frota russa do Mar Negro em Sebastopol, na madrugada de sábado, que a Rússia atribuiu às forças ucranianas.

Na sequência desse ataque, Moscovo suspendeu o acordo sobre as exportações de cereais dos portos ucranianos, que tinha assinado, em julho, com as Nações Unidas e a Turquia.

Esta nova ofensiva russa acontece, numa altura, em que a Ucrânia efetua uma contraofensiva no sul e no este do país, depois de ter recebido armamento dos seus aliados ocidentais.

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