Internacional

Desertores na mira das armas

Ministério da Defesa do Reino Unido alertou que generais russos podem estar a disparar contra soldados que abandonam o campo de batalha.


Numa altura em que surgem diversos sinais de que as forças russas se preparam para abandonar a região de Kherson e que está a ser reportada uma relutância em lutar e uma queda no moral das tropas, o Ministério de Defesa do Reino Unido afirma que, «provavelmente», Moscovo começou a enviar unidades que ameaçam disparar contra os seus próprios soldados em retirada.

Um relatório dos serviços de inteligência britânicos, divulgado na manhã de sexta-feira, descreveu estas unidades russas como «tropas de barreira» ou «unidades de bloqueio» que estão a «ameaçar disparar contra os seus próprios soldados em retirada de forma a forçar ofensivas», uma tática que já tinha sido usada «em conflitos anteriores pelas forças russas», afirmam os britânicos nesta atualização.

«Recentemente, os generais russos, provavelmente, instruíram os seus comandantes a usarem armas contra desertores, incluindo possivelmente disparar para matar os soldados em retirada após um aviso ter sido dado», pode ler-se no relatório, citado por meios de comunicação como o Guardian, que acrescenta ainda que é «provável que os generais também queiram manter as suas posições defensivas até à morte».

«A tática de disparar contra desertores provavelmente comprova a baixa qualidade, o moral baixo e a indisciplina das forças russas», conclui o relatório.

 

Retirada de Kherson

Enquanto se está a disputar a contraofensiva em Kherson, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, recomendou que os cidadãos fossem evacuados da zona de conflito.

«Aqueles que vivem em Kherson devem ser retirados das zonas de ação mais perigosas, porque a população civil não deve sofrer», declarou Putin à agência de notícias estatal russa, RIA Novosti, durante uma reunião com ativistas pró-Kremlin.

A região de Kherson foi anexada pela Rússia em setembro, juntamente com Donetsk, Luhansk and Zaporizhia, mas agora poderá voltar a perder o controlo russo, tendo sido noticiado que as autoridades estão a preparar uma retirada de oeste do rio Dnipro, incluíndo de Kherson, a única capital provincial que conquistaram desde 24 de fevereiro.

Esta retirada significa abdicar da principal conquista desde o início da invasão à Ucrânia e um ponto de viragem da guerra.

No entanto, as autoridades ucranianas afirmam estar receosas de que Moscovo possa estar a preparar uma armadilha ao fingir uma retirada da região de Kherson, acrescentando que ainda há tropas a lutar nesta zona.

«Isto pode ser a manifestação de uma provocação de forma a criar a impressão de que os povoamentos estão abandonados e que é seguro entrar neles, enquanto as forças russas se preparam para as batalhas de rua», disse a porta-voz do comando militar do sul da Ucrânia, Natalia Humeniuk, em comentários para a televisão, citados pelo jornal inglês.

«Vamos continuar a lutar, também na direção de Kherson, apesar de o inimigo estar a tentar convencer-nos de que estão a abandonar os povoamentos para criar o efeito de uma evacuação total», acrescentou.

Ao mesmo tempo que as forças ucranianas tentam recuperar esta região, no resto do país 4,5 milhões de ucranianos encontram-se sem energia, alertou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acrescentando que dez regiões, além de Kiev, estão a enfrentar problemas com energia devido a ataques russos.

«Há danos nas instalações de energia em diferentes áreas do país», afirmou o Presidente. «Durante a noite de quinta-feira, cerca de 4,5 milhões de consumidores foram temporariamente desconectados do consumo em horários de emergência e estabilização».

Esta é a nova estratégia russa para desconcertar a população ucraniana deixando-os sem meios para se proteger do frio do inverno.

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