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Ainda a eleição no Brasil

O país está dividido, mas Lula da Silva fez um bom discurso na noite da vitória, em tom conciliador. Tudo vai depender dos rumos que vier a dar à economia, que vive um bom momento pelo ambiente acolhedor ao investimento privado. 

Ainda a eleição no Brasil

Para quem tem acompanhado esta coluna aqui no Nascer do SOL não foi surpresa o resultado. O Presidente Bolsonaro, com seu despreparo pessoal, foi colocando a perder seu prestígio na sociedade, ao mesmo tempo em que formou um governo de grandes realizações e competência operacional. Mas o comportamento pessoal comprometeu os resultados positivos, entre os melhores do mundo que sofre com efeitos da pandemia e da guerra. A diferença foi pequena, menos de dois por cento, e Bolsonaro venceu nos estados mais ricos do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso. Minas deu empate. Mas perdeu de longe em todo o Nordeste, justamente onde os governos militares iam buscar os votos para ter maioria no Parlamento. Nos quase 800 mil brasileiros que votam no exterior, onde Bolsonaro venceu em 2018, com vantagem, agora foi com menos votos. Votaram 128 milhões de brasileiros e a abstenção, votos em branco ou nulo somaram 28 milhões.

O país está dividido, mas Lula da Silva fez um bom discurso na noite da vitória, em tom conciliador. Tudo vai depender dos rumos que vier a dar à economia, que vive um bom momento pelo ambiente acolhedor ao investimento privado. O grande desafio será Lula convencer seus companheiros de que o estado obeso, centralizador, não deu certo em nenhum lugar e que desrespeitar orçamentos, endividar o estado, leva à inflação que pune mais o pobre do que o rico. E esquecer esta história de financiar países que não pagam. Caso não repita os erros do passado, já será um ganho para todos.

Detalhe a ser avaliado foi a presença em São Paulo dos dirigentes de esquerda como o ex-Presidente do Uruguai José Mujica, do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero e do próprio Presidente da Argentina Alberto Fernandez, acompanhado de seu ministro dos negócios estrangeiros, Santiago Cafiero, que chegou ao meio dia de segunda-feira. Lula com base no poder econômico do Brasil em relação aos demais países com governos de esquerda em dificuldades pode ser uma liderança no continente. Mas vai enfrentar resistências internas.

A nota distante ficou por conta dos caminhoneiros que bloquearam estradas por dois dias e a demora do Presidente em reconhecer a derrota, apesar de aconselhado a fazer a tempo. Termina o mandato isolado e solitário, apesar do apoio popular.

 

VARIEDADES

• O Hospital Sousa Aguiar, o maior do setor público no Rio, terá parte de suas atividades entregues à gestão privada. Os investimentos ao longo do contrato podem chegar a cem milhões de euros. Como sempre ocorre, as compras de medicamentos e produtos de uso hospitalar no setor privado costumam ser 30% menores.

• A moda do verão que se aproxima no Rio, que é a que se irradia para o resto do país, são roupas femininas em tecidos rendados e telas transparentes, em cortes com decotes profundos, calças de cintura baixa e minissaias, juntando o que havia antes nesta nova linha.

• A conquista pelo Flamengo da Copa Libertadores, que reúne times principais da América do Sul, foi em Quito e fez a alegria da população brasileira. No dia das eleições, via-se mais camisas do Flamengo do que dos dois candidatos juntos.

• O movimento da vida noturna, com shows musicais, já supera os números de antes da pandemia. Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília estão com a restauração vivendo bons tempos. E com preços corrigidos.

• O Porto de Santos recebeu em um de seus terminais privados o maior navio do mundo, com 350 metros de comprimento e 42 de largura. O terminal pode receber até três navios deste porte ao mesmo tempo. O maior porto brasileiro não podia receber estes barcos que transportam até dez mil contêineres.

• Pagando 13,75 ao ano de juros, os títulos públicos brasileiros são disputados. Mas o aumento da arrecadação tem provocado recompra de títulos e ligeira queda no endividamento do estado.

• A política e a pauta econômica devem sair dos holofotes nas próximas semanas por conta da Copa do Mundo.

Rio de Janeiro, novembro de 2022

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