Desporto

Igualdade de género na arbitragem

A francesa Stéphanie Frappart vai ser a primeira mulher a arbitrar um jogo de um campeonato do mundo de futebol. Contra todas as expetativas, vai ser no Qatar 2022…


O Campeonato do Mundo do Qatar apresenta várias particularidades, uma delas tem a ver com a arbitragem. Num ambiente marcadamente masculino e pouco dado a aberturas sociais, Stéphanie Frappart é a grande novidade na equipa de 36 elementos escolhidos pela FIFA para arbitrar jogos do Mundial, que começa dia 20 de novembro. 

A francesa obteve a sua primeira licença de futebol aos 10 anos, no clube AS Herblay, e ingressou na arbitragem aos 19 anos na divisão regional de honra, na Île-de-France.

Desde então, tem sido pioneira na arbitragem de jogos de competições masculina - esteve presente no último Campeonato da Europa e em jogos de apuramento para o Campeonato do Mundo - e a sua presença nesta competição é um sinal da desejada igualdade de género do futebol.

Depois de Frappart, muitas mulheres tem vindo a ganhar espaço na arbitragem. Habituada a grandes palcos e a momentos especiais, a francesa esteve em destaque esta semana ao dirigir o jogo entre o Real Madrid e o Celtic da última jornada da Liga dos Campeões, que garantiu o apuramento dos ‘merengues’.

Considerada uma das melhores do mundo na difícil tarefa de arbitrar, Stéphanie Frappart, de 38 anos, está preparada para fazer história dentro de três semanas quando for dado o pontapé de saída do Mundial, em Doha. A francesa é das mulheres com mais experiência na arbitragem na Europa.

Em agosto de 2019 tornou-se a primeira mulher a dirigir a Supertaça europeia onde Liverpool derrotou o Chelsea nas grandes penalidades. Ultrapassada essa barreira, estreou-se na Liga Europa, foi a segunda mulher a fazê-lo depois da suíça Nicole Petignat no Euro 2004, e alcançou o topo quando, em 2020, arbitrou três jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões.

A sua experiência a arbitrar jogos de futebol masculino começou em 2011, em França. Desde então foi subindo de escalão e chegou à Ligue 1 em 2019. Ainda nesse ano, foi escolhida para arbitrar a final do Mundial feminino entre os Estados Unidos e os Países Baixos, e o jogo dos quartos de final do campeonato da Europa feminino entre a Espanha e a Inglaterra. Tem igualmente uma vasta experiência na Liga dos Campeões feminina onde arbitrou jogos do Real Madrid e Barcelona.

Este ano, Frappart arbitrou o jogo entre Portugal e a Islândia (4-1) no playoff de apuramentro para o Mundial de futebol feminino de 2023, e o Braga contra o Union St. Gilloise (1-2) da Liga Europa. Na sua carreira, dirigiu 317 jogos e, esta temporada, esteve em campo 19 vezes em jogos da Liga dos Campeões, Liga Europa, Liga Conferência e primeira divisão francesa.

Já recebeu diversas distinções e foi considerada pela IFFHS ((International Federation of Football History and Statistics) a melhor árbitra do mundo em 2019 e 2020.

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