Cultura

Mamá Coco: mulher que inspirou filme morre aos 109 anos

Após ter passado cinco anos a tentar que a Pixar a reconhecesse oficialmente enquanto inspiração para a personagem Mamá Coco, do filme Coco, de 2017, María Salud morreu aos 109 anos. A família, por um lado, não quer abordar mais o assunto mas, por outro, não quer que o mesmo seja esquecido.

Mamá Coco: mulher que inspirou filme morre aos 109 anos

A mulher que terá sido a inspiração para a avó protagonista do filme da Pixar, “Coco”, de 2017, morreu no mês passado. Roberto Monroy, secretário de Turismo do estado mexicano de Michoacán, anunciou no Twitter a morte de uma das suas cidadãs, María Salud Ramírez Caballero, a quem ele se referiu como “Mama Coco”. «[Ramírez Caballero foi] uma mulher incansável e um exemplo de vida, e a inspiração para uma personagem amada que deu a volta ao mundo», disse Monroy em espanhol.

Embora a Disney ou a Pixar ainda não tenham reconhecido que Ramírez Caballero foi, oficialmente, o modelo para Mama Coco, muitos que assistiram ao filme dizem que as duas mulheres têm uma ‘estranha’ semelhança uma com a outra.

Alguns turistas até visitaram a casa da idosa e tiraram fotos dela ao lado de um poster de “Coco” para assinalarem as ‘coincidências’ entre a animação e a vida real. 

No Dia de Todos os Santos, Dia de Los Muertos no México, 1 de novembro, de acordo com os órgãos de informação internacionais, os turistas que «fizeram uma peregrinação a uma modesta casa mexicana durante as festividades do Dia dos Mortos partiram sem dúvidas: Mama Coco, a personagem do filme de animação vencedor do Oscar, morava lá», explicam, tendo conversado com pessoas que visitaram a casa da mulher que faleceu a 16 de outubro após 109 anos de «sorriso bem-humorado, olhos semicerrados e cabelos brancos trançados».

Mama Salud, como era conhecida localmente, «é lembrada como uma mulher independente e faladora que visitava regularmente a praça da cidade de Santa Fé de la Laguna, onde vivem membros do grupo indígena Purepecha», lê-se no Global Times, sendo que uma das netas da idosa, Patrícia Perez, de 38 anos, recorda que a avó «comprava peixe fresco e sentava-se a absorver a atmosfera».

Tanto o jornal chinês ultranacionalista como muitos outros pelo mundo deixam claro que a casa da Mama Salud se tornou um autêntico local de peregrinação para os turistas que lhe prestam homenagem e compram lembranças como t-shirts, copos, porta-chaves e ímanes.

Infelizmente, esta foi a única forma de a Mamá Coco passar os seus últimos dias com algum conforto, juntamente com a ajuda da família, pois nunca recebeu um único euro da Pixar. A empresa, no entanto, afirma que ela não é a base de Coco e que, embora tenham visitado a sua vila, Mamá Coco ainda não era uma personagem em desenvolvimento na época. Portanto, María Salud Ramírez Caballero não terá servido de inspiração e tal significaria que a empresa cinematográfica alegadamente não lhe deveria nada por esta eventual semelhança.

Ao longo do tempo, existiram vários casos de pessoas ‘reais’ que inspiraram a realização de filmes e cujas histórias foram levadas até ao grande ecrã. Por exemplo, “A Sangue Frio”, de 1967, é um relato do assassinato da família Clutter, em Holcomb, no Kansas. A aldeia de Holcomb fica situada no meio dos planaltos de trigo, no Oeste do Kansas, numa área isolada a que os demais habitantes do Estado chamam “lá para diante”.

Perto de setenta milhas a leste da fronteira do Colorado, com um céu azul intenso e um ar transparente, de deserto, possui uma atmosfera que lembra mais o Extremo Oeste do que o Médio Oeste: é este o início do primeiro parágrafo da mais aclamada obra de não-ficção criativa, publicada no ano anterior, que deixou bem vincados alguns aspetos essenciais do, à época, chamado Novo Jornalismo e que conduziu à realização desta longa-metragem.

Mas, em casos como este, nunca houve qualquer dúvida quanto à fonte de inspiração para a criação da obra final e tudo ficou ‘em pratos limpos’ desde o primeiro minuto.

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