Finanças Pessoais

Energia. Saiba como poupar na fatura final

A crise enérgica não tem dado tréguas e os preços fazem-se sentir na fatura mensal. Mas há sempre alguns truques que pode utilizar de forma a conseguir reduzir esta despesa no final do mês.


Os dados não são animadores. Nos primeiros seis meses do ano, os preços da eletricidade para os consumidores domésticos “aumentou acentuadamente”, por comparação com o período homólogo de 2021, quando o consumo de 100kWh de uma família custava em média 22 euros. Agora, com estes aumentos e para o mesmo consumo o valor sobe para 25,3 euros, de acordo com o Eurostat.

E para o próximo ano, os valores vão voltar a subir. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) que os consumidores que ainda se encontram no mercado regulado – cerca de 930 mil famílias – deverão sentir um aumento médio de 1,1% nas suas contas da luz, face às faturas de dezembro.

Feitas as contas, numa fatura média mensal de 96,01 euros (casal com dois filhos, potência contratada de 6,9 kVA e consumo de 5000 kWh/ano), o aumento entre o valor pago em dezembro de 2022 e o de janeiro de 2023 será de 1,40 euros, diz o regulador. No caso de de uma família mais pequena -– casal sem filhos – com uma fatura média de 38,63 euros, o aumento sentido na primeira fatura do próximo ano será de 40 cêntimos. 

Mas apesar de os preços da energia terem vindo a aumentar ainda assim há pequenos gestos que, no seu dia-a-dia, poderá adotar ou alterar para ver a sua fatura de luz reduzir-se consideravelmente (ver coluna ao lado). 

Uma das regras base passa por analisar a potência contratada, uma vez que esta tem de estar adequada ao consumo de energia em casa. Mas para isso tenha em conta que os atuais eletrodomésticos, sobretudo os de categoria energética A, são mais eficientes, e há também lâmpadas mais eficientes (como as LED) que, apesar de serem mais caras, consomem seis vezes menos energia e duram oito vezes mais.

Também ao desligar os aparelhos elétricos, em vez de os deixar em standby, e os carregadores de telemóvel, por exemplo, que por vezes ficam esquecidos nas fichas, o nível de poupança aumenta.

Deve ter ainda em consideração o número de pessoas na habitação e analisar muito bem qual a tarifa que melhor se adequa ao seu caso. A tarifa bi-horária apresenta preços diferentes por kWh consoante a utilização em horas de vazio ou horas cheias, sendo o valor mais baixo nos períodos noturnos ou ao fim de semana (horas vazias) e mais elevado nas restantes horas. Pode parecer tentador, mas é importante que tenha em consideração que, se escolher a tarifa bi-horária, o encargo para a mesma potência durante as horas cheias será, por regra, ligeiramente superior ao da tarifa simples. Significa isto que sempre que estiver a utilizar a luz fora das horas vazias, o preço a pagar será mais elevado. No entanto, os ganhos obtidos se fizer grande parte dos consumos nas horas vazias podem trazer uma poupança significativa.

Cuidados a ter Apesar de defender que é fundamental comparar a oferta dos vários comercializadores de luz que atuam no mercado livre e escolher o preço mais baixo, a ERSE também alerta para atenções redobradas a ter noutras frentes (ver perguntas ao lado).

 O regulador do mercado tem vindo a lançar alertas sobre as más práticas comerciais existentes e dá sugestões aos consumidores de como estas podem ser evitadas. “Alguém o aborda dizendo que tem uma oferta de energia para lhe apresentar e pede-lhe que assine um documento que apenas comprove que esteve presente em sua casa. O que deve fazer: nunca assine um documento sem o ler. Exija sempre e guarde cópia do que assina. Se tiver dúvidas depois de ler, recuse assinar”, diz a ERSE, lembrando ainda que, nas vendas à distância, se assinar e se arrepender, tem 14 dias para resolver o contrato.

Os alertas não ficam por aqui. “Se alguém o aborda dizendo que tem de mudar de fornecedor para não ficar sem gás ou eletricidade, não acredite nesta história. Os consumidores só devem mudar de fornecedor se quiserem e quando estiverem convenientemente informados do novo contrato”, avisa o regulador.

Estes são muitos dos problemas que podem surgir, com o regulador a afirmar que estes alertas de más práticas “são focados em aspetos específicos que resultam da análise sistemática que se faz às reclamações que a ERSE recebe e procuram estar numa linguagem simples e acessível. Cada alerta identifica uma má prática que é seguida e sugere como o consumidor pode evitá-la, sendo divulgada sempre que identificada e considerada relevante para a informação aos consumidores”.

O que fazem os outros? A Seletra lembra que perante esta crise energética, o Governo português foi obrigado a adotar medidas, como a criação do mecanismo ibérico, a redução do IVA de eletricidade e a alteração da lei para eliminar limitações no regresso ao mercado regulado de gás (até 2025). 

Mas compara no seu estudo o que os outros países fizeram. Em Espanha, a eletricidade custava em média 121 euros MWh em 2021, mas depois da guerra, o preço subiu para uma média de 544 euros euros MWh, o que levou o Governo de Pedro Sanchéz a ter de tomar várias medidas além da criação do mecanismo ibérico, tais como: redução de até 55% dos encargos regulados da fatura de maio a dezembro de 2022; redução do Imposto Especial sobre Eletricidade de 5,1% para 0,5% até ao final do ano e suspensão de 7% do imposto sobre a geração de energia elétrica;
Já a Alemanha que foi um dos países mais afetados por esta crise energética, tendo visto os seus preços de eletricidade a disparar para cerca de 37,30 cêntimos por kilowatt e os do gás para 17,84 cêntimos/kWh (um aumento de mais de 10 cêntimos por kilowatt desde o ano passado) optou reduzir o imposto de energia sobre combustíveis, suspender a taxa EEG (para energias renováveis) desde julho de 2022, definir uma taxa fixa de energia de 300 euros a partir de setembro para pessoas assalariadas sujeitas a imposto sobre o rendimento. 

Também em Itália a produção de eletricidade é feita maioritariamente através de gás natural, e por esta razão o preço no mercado grossista aumentou muito este ano, chegando a atingir um máximo histórico de 680 euros/MWh em setembro. Tendo em conta que entre 2014-2020 o preço era de cerca de 40-60 euros/MWh, e no ano passado rondava os 125 euros/MWh, daí o Executivo ter optado pela redução da “Taxa de sistema” da fatura desde janeiro de 2022 (22% da fatura), assim por um aumento do bónus social para famílias economicamente frágeis.

Em França, a instabilidade no mercado energético tem afetado principalmente as empresas, uma vez que não lhes foi dada a possibilidade de aderirem ao mercado regulado. E mesmo os benefícios para quem optou por esta hipótese parecem ser bastante limitados, já que se espera um aumento de cerca de 15% nos preços de energia no mercado regulado no início do próximo ano. Face a este cenário, o Governo decidiu preparar um “Plano de Poupança de Energia” para as empresas e dar às pessoas com baixos rendimentos o chamado ‘chèque énergie’ de até 277 euros por ano.

Truques para poupar na conta 

Dicas
•  Uma das regras básicas passa por desligar todas as luzes que se encontram acesas desnecessariamente 
•  Opte por lâmpadas economizadoras
•  Desligue carregadores da tomada e não deixe aparelhos em standby
•  Compre eletrodomésticos da classe A
•  Use carregadores solares e prefira computadores portáteis, que consomem menos
•  Evite a acumulação de gelo no congelador porque isso aumenta o consumo energético
•  Deve pintar as paredes e os tetos de cores claras para que reflitam melhor a luz, reduzindo a necessidade de iluminação artificial. Evite abajures muito opacos, já que obrigam à utilização desnecessária de lâmpadas mais potentes, e instale sensores de movimento nos locais de passagem

Melhorar isolamento
•  Não se esqueça de instalar um bom isolamento nas paredes, chão e tetos, e utilize vidros duplos, reduzindo as necessidades de climatização

Conheça os passos para mudar de fornecedor 

Como mudar de fornecedor? 
Pode consultar a lista de fornecedores que está disponível no site da ERSE. Depois é só comparar as propostas recebidas com a do seu fornecedor atual para saber quais as vantagens e, acima de tudo, analisar os preços cobrados.

O que devo ter em conta? 
A comparação de preços, a periodicidade de faturação e as condições de pagamento são os principais critérios. Deve também analisar as condições dos contratos, a sua duração mínima e as condições de denúncia.

Quais os cuidados a ter na comparação das propostas? 
Deve ter em conta que os valores em análise são comparáveis e, sempre que possível, use os consumos históricos para simular os valores a faturar em cada proposta. Não se esqueça de analisar as condições contratuais de fornecimento. Para isso, poderá recorrer à Deco e à ERSE, que dispõem de simuladores de preços.

É necessário substituir o contador? 
Não, o contador é propriedade do distribuidor, e não do comercializador. Só haverá substituição do contador no caso de existir alteração de consumidor.

Quais os motivos que impedem a mudança de fornecedor? 
A identificação insuficiente ou inválida da instalação, a sobreposição de pedidos, potência (eletricidade) indicada não normalizada ou superior à requisitada, dados do cliente não coincidentes com os registados e a existência de processos de fraude podem impedir esta mudança.

Quanto tempo demora a mudança? 
Geralmente, o processo não demora mais do que 15 dias úteis. Mas, em alguns casos, pode prolongar-se para além deste período quando existe a necessidade de uma intervenção no local de consumo.

Quanto custa a mudança? 
Este processo não tem qualquer tipo de custos para o consumidor. 

Qual a entidade responsável pela gestão dos processos de mudança? 
A entidade responsável é o operador logístico de mudança de comercializador, que irá acumular esta função nos setores da eletricidade e do gás natural.

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