Cultura

Encontradas em Itália 24 estátuas de bronze dos séculos I e II a.C.

Os investigadores consideram a descoberta “uma das mais significativas da história antiga”, pois é “o maior depósito de estátuas de bronze da época etrusca e romana”.

 


Um tesouro “excepcional” de estátuas de bronze preservadas durante milhares de anos por lama e água a ferver foi descoberto numa rede de banhos construída pelos etruscos na Toscana.

Os arqueólogos encontraram as estátuas durante as escavações no antigo spa em San Casciano dei Bagni, perto de Siena. Segundo o The Guardian, o “spa moderno”, que contém 42 fontes termais, é um dos destinos mais populares da Itália.

“É uma descoberta sensacional sob muitos pontos de vista. É o depósito mais rico do Mediterrâneo no campo dos bronzes. São dezenas e dezenas de artefactos de vários tamanhos, a maioria deles consideráveis”, revelou à agência de notícias italiana Ansa, Massimo Osanna, arqueólogo responsável há vários anos por escavações em Pompéia e agora Diretor Geral de Museus do Ministério da Cultura italiano. 

O especialista explicou com entusiasmo a descoberta sensacional de San Casciano. Para além de 24 estátuas de bronze em perfeito estado, a equipa encontrou oferendas e outros objetos, juntamente com 5 mil moedas de ouro, prata e bronze, que foram recuperadas da escavação de alguns banhos romanos: "Acima de tudo, as estátuas encontradas, que têm quase um metro, são impressionantes”, sublinhou.

“Nos outros santuários tínhamos objetos de terracota - material constituído por argila cozida no forno, sem ser vitrificada e que é utilizada em cerâmica e construção - disponíveis. Aqui recebemos um autêntico presente da terra, temos os bronzes evidentemente preservados em água por alguma mão piedosa logo após o fim dos cultos pagãos, após a afirmação do cristianismo como religião oficial e única do Império Romano”, explicou o arqueólogo. “Ao longo da Idade Média, os bronzes romanos foram derretidos e reutilizados. É por isso que a descoberta é excepcional”, acrescentou.

Osanna explicou ainda à agência de notícias italiana que a importância da descoberta tem o seu cerne nas estátuas maiores, “as mais espetaculares”. A descoberta inclui um efebo adormecido - termo grego para um adolescente do sexo masculino, ou para um status social reservado para essa idade, na Antiguidade -, ao lado de Hygeia, a deusa da saúde, com uma cobra enrolada no braço. Ao lado, uma estátua de Apolo e uma série de outras que representam crianças e imperadores. Acredita-se que tenham sido construídos pelos etruscos no século III a.C.

De acordo com o El Mundo, já os banhos, que incluem fontes e altares, tornaram-se mais opulentos durante o período romano, com imperadores como Augusto a frequentar as fontes pelos seus benefícios terapêuticos e de saúde.

Além disso, os bustos de San Casciano também retratam a contaminação entre as culturas etrusca e romana:  «A fundação do santuário corresponde aos séculos III e II a.C. É o momento do encontro, da osmose entre esses dois mundos. Muitos objetos têm inscrições e dedicatórias em etrusco e latim… Aparecem os nomes dos fiéis, mas também os de divindades desconhecidas”, detalhou. 

O projeto da escavação em San Casciano dei Bagni é liderado pelo arqueólogo Jacopo Tabolli desde 2019. Em agosto, vários artefatos, incluindo estátuas de fertilidade que se pensava terem sido usadas como dedicatórias aos deuses, foram encontrados no local.

Segundo o The Guardian, a civilização etrusca prosperou na Itália, principalmente nas regiões centrais da Toscana e Úmbria, durante 500 anos antes da chegada da República Romana. Os etruscos tiveram uma forte influência nas tradições culturais e artísticas romanas.

As escavações no local serão retomadas na próxima primavera, enquanto o período de inverno será usado para restaurar e realizar mais estudos sobre as relíquias.

 

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