Sociedade

Regresso das reuniões entre Governo e Infarmed para monitorizar pandemia de covid-19

Já há oito dias, houve indícios de que se começaria a voltar a monitorizar a pandemia. E hoje chegou o dia.


As reuniões entre os peritos do Infarmed e o Governo estão de regresso e a primeira sessão de apresentação sobre a “Situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal” decorre hoje pelas 9h no Auditório do Infarmed, em Lisboa. Há oito dias, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, anunciou, após a reunião do Conselho de Ministros, que o Governo estaria a preparar uma nova reunião para fazer um ponto de situação sobre a evolução da covid-19 em Portugal.

“Relativamente ao acompanhamento da covid-19, o Governo tem continuado a fazê-lo e está, neste momento, a avaliar a marcação de uma reunião onde se possa fazer o ponto de situação da evolução desta doença”, afirmou Vieira da Silva. “Não sabemos exatamente quando será, mas nos próximos dias ou horas teremos novidades”, adiantou, sendo que as novidades, efetivamente, surgiram rápido.

Um dos temas que mais têm sido falados nos últimos dias é o facto de as pessoas com mais de 50 anos poderem receber em breve a vacina contra a covid-19, como anunciou a secretária de Estado da Promoção da Saúde. “Essa medida vai ser anunciada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) em breve”, confirmou Margarida Tavares, numa entrevista ao Público em que deixou o apelo para que os mais velhos não deixem de se vacinar.

A estratégia da DGS, de vacinar apenas as pessoas a partir dos 60 anos até dezembro, “foi mais cautelosa”, na medida em que a prioridade eram classes etárias de maior risco. No entanto, a idade para a vacinação vai baixar para os 50 anos dentro em breve, explicou a governante. Confrontada com uma taxa de vacinação nas pessoas acima dos 80 anos abaixo dos 70%, a secretária de Estado reconheceu que os números estão aquém do que o Governo gostaria.
“Gostaríamos que fosse mais e faço aqui um apelo a todas as pessoas mais velhas: não deixem de se vacinar”, sublinhou. Naquilo que diz respeito ao inverno, estação do ano que se aproxima a passos largos, admitiu que “não vai ser fácil”, nomeadamente devido à circulação, em simultâneo, do vírus que provoca a covid-19, do da gripe e do vírus sincicial respiratório.

“Como infecciologista, sabia que, volvido algum tempo, estaríamos a assistir a uma dinâmica dos vírus respiratórios que foi totalmente alterada e não me surpreende nada que o vírus sincicial respiratório se tenha antecipado e que os casos de gripe sejam mais precoces”, afirmou. Em relação à reunião de peritos agendada para sexta-feira no Infarmed, Margarida Tavares disse que será “apenas um momento de reflexão e transparência”, não devendo ser tomadas novas medidas de contenção.

Regresso ao estado de alerta? Ainda que as reuniões do Infarmed estejam de regresso, assim como a multiplicidade de vírus respiratórios, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afastou ontem a hipótese, “pelo menos no curto prazo”, de regressar ao estado de alerta e impor medidas de saúde pública para combater a covid-19. “Para efeitos de tranquilidade da opinião pública, não há nenhuma intenção, nem nenhuma necessidade de regressar, pelo menos a curto prazo, a quaisquer medidas que envolvam o estado de alerta ou imposições em matéria de saúde pública. Isso está completamente afastado”, declarou em resposta a questões colocadas pelos jornalistas na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, esclarecendo que as autoridades de saúde continuarão a “monitorizar atentamente” a evolução da pandemia e de todas as outras doenças respiratórias habituais no inverno.

Doenças essas que, esta semana, levaram ao aumento da afluência ao Hospital de Santa Maria. Ao início desta terça-feira, o tempo de espera oficial nas urgências desta instituição hospitalar era, em média, de nove horas e havia quem esperasse entre 20 e 24 para ser visto por um médico. Por aquilo que se sabe, o aumento do tempo de espera deveu-se à enorme procura do serviço de urgências. “Na última segunda-feira, dia 7 de Novembro, o CHULN atendeu um total de cerca de 700 episódios de urgências, valores em linha com os registados no mesmo período de 2019, no pré-pandemia”, lê-se numa nota enviada à CNN Portugal.

“Este ano em Portugal, como na generalidade dos países da Europa e como já tinha ocorrido no hemisfério sul, houve uma certa antecipação de alguns dos vírus respiratórios” e, devido a este cenário, foi antecipado o plano de vacinação para 07 de setembro, ao abrigo do qual já foram vacinadas quase dois milhões de portugueses contra a gripe e com o reforço da covid-19, como explicou Manuel Pizarro, avançando: “a verdade é que, com algumas perturbações de funcionamento, que são muito difíceis de evitar nessas circunstâncias, os hospitais foram capazes de dar a resposta devida”. “A situação é hoje, felizmente, bastante mais calma do que a que ocorreu nos últimos dias”, concluiu.

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