Sociedade

Ativistas insistem na demissão de Costa Silva

Vários jovens ativistas pelo clima deitaram-se à porta do Ministério da Economia e acabaram detidos pela polícia depois da reunião com o ministro. Costa Silva diz que demissão nunca foi hipótese.

Ativistas insistem na demissão de Costa Silva

O ministro da Economia, António Costa Silva, aceitou reunir-se com os jovens ativistas do clima esta terça-feira mas a ‘conversa’ não foi tão pacífica como se esperava e os jovens do movimento “Fim ao Fóssil: Ocupa!” continuam a insistir na demissão do governante.

Depois da reunião, que acabou mesmo por acontecer, Costa Silva disse que “estava preparado para ouvi-los”. E ouviu. Mas, acrescentou “a minha demissão é um ponto central das reivindicações dos jovens, mas também estava à espera que houvesse propostas, porque estamos a responder à ameaça climática, que é absolutamente existencial”, disse. Mas os jovens não quiseram discutir essas soluções. 

Ao invés, “centraram-se no meu passado e no meu percurso”, lamentou o ministro da Economia. E acrescentou: “Há mais de 20 anos que me apercebi que os combustíveis fósseis tinham um peso colossal na deterioração do planeta”, o que tentou explicar aos jovens ativistas, acrescentando que o Governo até está a desenvolver várias iniciativas “nomeadamente ao nível da descarbonização, da bioeconomia, da mobilidade sustentável e da poupança energética nos edifícios”. 

Aos jornalistas, Costa Silva detalhou ainda que os jovens apresentaram uma carta que continha “vários factos falsos”, detalhando que “um deles era de que a diversificação de energias renováveis era, no fundo, aumentar o investimento em gás. Não é verdade. Nós temos um cluster de energias renováveis que é absolutamente um facto no país”.

Mas, nas palavras do ministro, esta não foi a única ideia falsa que tentaram passar. Outra, era “contra os impostos sobre os lucros excessivos das companhias petrolíferas”. E garantiu: “Fui a primeira pessoa do Governo a avançar com isso, no Parlamento, logo no primeiro debate”.

No que diz respeito à exigência da sua demissão, o ministro da Economia diz que “quem tem a última palavra é o senhor primeiro ministro” e que, caso se demita, “isso não vai acrescentar nada”.

Apesar de todos os ‘problemas’ que os ativistas lhe têm causado, Costa Silva continua a defender – como já tinha feito noutras ocasiões – que é importante que existam estes movimentos e que considera que seja “absolutamente legítimo”. “O diálogo com os jovens tem de ser mantido, por mim e pelo Governo, porque não podemos construir um país com futuro sem eles”, acrescentou.

Ainda assim, defende que é “muito importante respeitar a legalidade”.

Ativistas detidos À entrada do Ministério da Economia os jovens gritavam “Costa Silva, demissão”, numa altura em que a polícia se viu obrigada a deter cinco dos estudantes que bloqueavam a entrada do edifício. Os ativistas tinham-se colado ao chão depois da reunião com o ministro da Economia enquanto dezenas de outros gritavam palavras de ordem a exigir a demissão de Costa Silva.

Depois dessa detenção – que não é a primeira – a página de Instagram ocupa.fcul que tem seguido os protestos da última semana pediu para que os ativistas se juntassem na esquadra do Martim Moniz, para onde os jovens protestantes detidos foram levados.

Recorde-se que a reunião de ontem decorreu depois de vários dias de protestos destes jovens que defendem o fim aos combustíveis fósseis até 2030.

Esta segunda-feira os ativistas deste movimento decidiram acabar a “vaga de ocupações”, que descrevem como um “sucesso” mas prometeram voltar na primavera de 2023 “mais fortes”.

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