Sociedade

Jovem de 22 anos julgada por matar namorado

Os episódios de violência eram frequentes entre o casal, especialmente quando bebiam álcool em excesso. 


Uma jovem de 22 anos vai começar a ser julgada esta quinta-feira, na Figueira da Foz, por ser suspeita de ter espetado uma faca na perna do namorado, durante um conflito físico entre o casal, em março do ano passado, levando assim à morte do homem. 

A morte do jovem de 23 anos aconteceu após um confronto físico entre o casal que, de acordo com o Ministério Público (MP), sempre teve episódios de violência física de parte a parte desde que começaram a namorar, em 2019.

A arguida é acusada de um crime de ofensa à integridade física grave, agravada pelo resultado - a morte da vítima. 

Segundo a acusação, acedida pela agência Lusa, o casal vivia numa pequena habitação que era propriedade do pai da arguida, sendo que as discussões e confrontos eram regulares, especialmente quando ambos ingeriam álcool em excesso. 

A 6 de março de 2021 o casal esteve numa festa de familiares e amigos e regressou a casa pela 01h00, tendo ingerido algumas bebidas. Já na habitação, a arguida e a vítima começaram uma "violenta discussão" por motivos que o Ministério Público não conseguiu apurar. 

Na sequência da discussão, a arguida sofreu várias lesões na face, nos braços e na perna esquerda. Da mesma forma, também no homem foram registadas escoriações e hematomas, fruto desse conflito. 

A jovem, por se sentir ameaçada face ao escalar do confronto, refugiou-se na cozinha (divisão onde se situa a porta de acesso ao exterior) e pegou numa faca com uma lâmina de cerca de 17 centímetros. 

Mesmo com a arguida a empunhar a faca, o namorado avançou na sua direção, iniciando uma "luta corporal pela posse da faca", explica o MP. 

A arguida acabou por espetar a faca na coxa esquerda da vítima, provocando uma ferida de cerca de 10 centímetros de profundidade, que atingiu a veia femoral e desencadeou um choque hemorrágico. 

A jovem terá depois abandonado o local e ido para a via pública, tendo voltado a casa 15 minutos depois, onde se deparou com o ofendido caído no chão a sangrar abundantemente. 

Esta terá tentado estancar o sangramento, fazendo um garrote na perna da vítima com uma toalha. De seguinda, fez uma uma chamada para o Hospital da Figueira da Foz, que não foi atendida.

A arguida telefonou depois ao pai da vítima e começou a limpar a o chão. 

Quando o pai chegou, às 2h48, o jovem já estava inconsciente e apresentava os lábios roxos e olhos cerrados, tendo ligado ao 112.

Às 3h22, depois de várias tentativas de realizar suporte básico de vida no local, foi declarado o óbito. 

 

 

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