Crítica Musical

Eric Clapton - Unplugged

Eric Clapton - Unplugged


Banda:
Eric Clapton - guitarra e vocais
Andy Fairweather-Low - guitarra rítmica
Steve Ferrone - bateria
Chuck Leavell - teclas
Nathan East - baixo
Ray Cooper - percussão
Tessa Niles e Katie Kissoon - vocais de apoio

produzido por Russ Titelman

por Telmo Marques

Voltemos-nos agora para mais álbuns ao vivo.
As séries dos MTV Unplugged começaram em 1989, com uma banda inglesa chamada Squeeze. Talvez esta banda diga-vos pouco ou nada, mas é composta por dois cantautores de excelência, de seus nomes Glen Tilbrook e Chris Difford, e por já mais do que uma vez, comparados aos próprios Lennon e McCartney. Da banda fizeram parte igualmente músicos de méritos conhecidíssimos como Jools Holland e Paul Carrack. 
A quem desconhece, fica a minha recomendação para os pesquisarem, pois são de facto fabulosos.
Em 1992, sai um álbum dessa série, que, além de brilhante, constituiu-se como um autêntico blockbuster, vendendo aproximadamente 25.000.000 de cópias, o que o tornou no registo ao vivo mais vendido de sempre, batendo por larga margem o duplo Frampton Comes Alive de 1976, que detinha a patente até então.
Refiro-me a Eric Clapton Unplugged, um álbum genial, gravado ao vivo nos Bray Studios de Londres, pouco tempo após a morte do seu filho de 4 anos, numa queda de um apartamento em Nova Iorque.
O álbum começa com um instrumental chamado Signe, da autoria do próprio Clapton, e que serve aqui de preâmbulo para os restantes treze temas que compõem o álbum.

Seguidamente, temos uma superlativa versão acústica de "Before You Accuse Me" de Ellas MaCdaniel, já previamente editada no 24 Nights do mesmo Eric Clapton, mas numa versão electrificada, logo, totalmente diferente.
Imbuído ainda na senda dos blues acústicos, segue-se Hey Hey, originalmente composta por Big Bill Broonzy, outro grande nome dos primórdios dos blues dos '30s, 40's e até meados dos '50s, aquando da sua morte, e enorme referência para Clapton e muitos outros jovens músicos  da sua geração.

Após este interlúdio de três músicas, segue-se talvez a canção mais emblemática deste álbum, dedicada ao já aludido filho de Eric Clapton, escrita em parceria com Will Jennings, "Tears in Heaven".
Já muito pouco resta dizer sobre esta música, apenas que foi lançada como banda sonora do filme "Rush", que quase ninguém viu, ou ouviu sequer falar, e que passou completamente de relance por bilheteiras de todo o mundo.
Assim sendo, aparentando ser quase um original, e tendo toda uma carga emocional inerente, depressa se tornou num autêntico fenómeno, ocupando "airplay" em rádios por todo o mundo.

"Lonely Stranger" é uma composição do próprio Clapton, acompanhado por toda a banda, e com realce especial para o mandolin, tocado aqui, e de uma forma magistral, por Andy Fairweather-Low.
"Nobody Knows You When You're Down And Out" é mais uma versão, agora de uma música de Jimmy Cox, datada dos anos 20 do século passado, e tendo já uma versão de Eric Clapton, lançada no álbum "Layla & Other Assorted Love Songs", datado de 1970, igualmente do século passado.

A grande surpresa do álbum chega-nos com uma versão totalmente inesperada de Layla, provavelmente já mais reconhecida do que a versão original. Inspirada pelo amor não correspondido até então por parte de Pattie Boyd, à altura casada com o "Beatle" George Harrison. Clapton introduz a canção com um simples, "...see if you can spot this one", sabendo de antemão que ao ser uma arranjo totalmente diferente do original, grande parte da audiência iria ficar substancialmente surpreendida, ao verificar que se tratava da mesmíssima canção gravada há 22 anos atrás. 

Running on Faith é mais um original, agora de Jerry Lynn Williams, editada já no anterior álbum de estúdio de EC, Journeyman.

As próximas quatro canções são blues standards, nenhuma delas originalmente escrita por Clapton, mas sim por músicos como Son House ou Robert Johnson, fortíssimas influências num ainda jovem Eric Clapton, mas que se mantiveram presentes, inclusive até aos dia de hoje.

Old Love é uma canção escrita em parceria com Robert Cray, mais um excelente "bluesman", mas neste caso, muito mais contemporâneo, que chegou inclusive a fazer tournées com Tina Turner, bem como com o próprio Clapton.
Mais um excelente guitarrista e compositor, que complementa bem com Clapton, quer em estúdio, quer em palco.
Esta foi mais uma canção incluída no pretérito álbum de estúdio Journeyman, tendo também uma versão ao vivo no duplo álbum 24 Nights.

Qualquer álbum de blues não estaria devidamente concluído sem uma versão de Muddy Waters, um dos padrinhos dos blues de Chicago.
Desta vez, a música escolhida foi "Rollin' and Tumblin', que apesar de não ser uma versão totalmente original de Muddy Waters, pois é um standard bluesiano dos anos 20, todas as versões mais conhecidas e reconhecidas, seguem-lhe religiosamente os traços.
Bandas como os próprios Cream, Yardbirds, Johnny Winter, Canned Heat e imagine-se, o próprio Bob Dylan, têm versões desta música, tornando-a num autêntico standard de blues, por vezes alterando-lhe alguns dos versos, mas mantendo a melodia original, com a guitarra slide a sobressair.

Não sendo este o meu álbum preferido de EC, foi o álbum que me deu a conhecer melhor o Homem, a música e a verdadeira LENDA viva que é Eric Clapton. Um músico que sobreviveu ao pesadelo da adicção das drogas, do alcoolismo, e talvez, à maior tragédia de todas, a de perder um filho.

Espero sinceramente que este singelo texto, vos faça pesquisar um pouco mais, sobre a rica trajectória musical deste Sr., que começou a sua carreira nos idos de '62, e continua a actuar em salas por todo o mundo, estando prestes a ultrapassar a barreira dos 80 anos de idade.

Até para a semana

Os comentários estão desactivados.