Grãos de Areia

Félix da Costa: é sempre a abrir

António Félix da Costa fez uma época incrível com vitória nas 24 Horas de Le Mans e no Mundial de Endurance. Sem aliviar o acelerador, pensa já no vasto programa com a Porsche para o próximo ano. A máquina não pára!

 

Félix da Costa: é sempre a abrir

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Por João Sena

António Félix da Costa é dos pilotos com melhor palmarés no desporto automóvel internacional. Foi piloto de testes da Red Bull, e só os rublos de um mediano piloto russo impediram de prosseguir carreira na Fórmula 1. Ultrapassado o choque - chegou a fazer o fato e a bacquet à sua medida - mudou de azimute, e foi o melhor que lhe aconteceu. Muitas vezes o sonho de chegar à disciplina máxima do desporto automóvel acaba em frustração e leva jovens pilotos ao abandono. Félix da Costa foi ao inferno e voltou revigorado. Trocou os monolugares mais rápidos e sofisticados do mundo pelos fórmulas mais ecológicos do planeta, ganhou corridas e foi campeão do mundo de Fórmula E há dois anos. Aventurou-se também nas corridas de Endurance e voltou a ser campeão do mundo no passado fim de semana. Participou pela primeira vez em corridas de GT, em 2018, com um BMW M6, mas sem grandes resultados. A etapa seguinte foi na categoria LMP2 com a equipa Jota, e aí os resultados começaram a aparecer, até que, em 2022, venceu a corrida mais longa e difícil do mundo e o Mundial de Endurance. O primeiro momento alto aconteceu nas 24 Horas de Le Mans com o quinto lugar à geral e a vitória na categoria LMP2. E terminou em beleza nas 8 Horas do Bahrain, onde se sagrou campeão do mundo. «Foram dois momentos muito especiais. Vencer Le Mans é o sonho de todos os pilotos, e foi muito especial porque dominámos a corrida de princípio ao fim. Há muitos anos que andava à procura desta vitória. Mesmo os pilotos de Fórmula 1 e de Fórmula E têm esse objetivo. O título no Bahrain é o culminar de uma grande temporada, onde fomos muito consistentes, com cinco subidas ao pódio. Ganhar o campeonato na última corrida é sempre especial e inesquecível. Foi uma longa caminhada, com vitórias e derrotas. Há quatro anos que andava a lutar para ser campeão do Mundo de Endurance» e, num tom de despedida, afirmou: «É um feito de que me orgulho muito e uma excelente forma de me despedir da categoria LMP2, visto que, em 2023, espero estar na categoria principal com o Hypercar».

O piloto explicou como viveu a corrida que lhe deu o segundo título mundial: «Foi uma prova perfeita, graças a uma grande equipa técnica. Demos tudo o que tínhamos em pista e fora dela. Estivemos praticamente sempre num lugar que nos garantia o título. No meu último turno de condução, ataquei e consegui ultrapassar três carros. Foram batalhas intensas, com grandes pilotos, adoro lutar em pista com o Filipe Albuquerque, é dos pilotos mais difíceis de defrontar, chegámos mesmo a tocar um no outro, mas queria muito festejar o título com um pódio», desabafou Félix da Costa, que fez equipa com Will Stevens e Roberto González.

Venha a Porsche 

Com este andamento podemos pensar que o melhor está para vir agora que vai ser piloto da Porsche. A entrada na equipa oficial é o reconhecimento do seu valor. «Representar oficialmente uma marca como a Porsche é um sonho tornado realidade. Este convite era impossível de rejeitar. Partilhamos 100% dos mesmos valores e temos uma mentalidade vencedora, acredito que juntos vamos elevar bem alto o nome da marca», afirmou. Félix da Costa irá fazer parte do programa para o Mundial de Endurance de 2023, um campeonato que promete ser extremamente disputado com a presença de prestigiados construtores como a Porsche, Ferrari, Lamborghini, Toyota, Peugeot e BMW. «Todas as marcas irão buscar os melhores pilotos dos protótipos, pelo que o campeonato vai subir para um patamar de grande nível competitivo. Estou muito entusiasmado com o futuro», revela. A confirmação da sua presença ao volante de um Hypercar da Jota, equipa com a qual venceu em LMP2, «está para breve, estamos a ultimar detalhes», as peças do puzzle encaixam na perfeição, «existe vontade de ambos os lados e isso é o mais importante». «Acredito que será uma realidade. A Jota vai ser uma equipa semioficial, ou seja, terá algum apoio da fábrica, mas será financiada em grande parte por parceiros e patrocinadores» e fez questão de referir: «As minhas expectativas são altíssimas. O meu objetivo passa por estar na grelha de partida com um carro da categoria principal. Estamos a trabalhar nesse sentido, a analisar várias propostas, mas sempre com o objetivo de ganhar Le Mans à geral, iria ter um sabor especial porque é o centenário da prova, e lutar pelo campeonato do Mundo». Como em tudo na vida, a dificuldade é ter a certeza de que se está no carro certo para vencer.

À procura de novo título

A Fórmula E já tem o estatuto de campeonato do Mundo FIA, e conta com marcas como a Porsche, DS, Maserati, Jaguar, Mclaren, Nissan e Mahindra. «Estou muito contente com este desafio e desejoso de começar a trabalhar com os engenheiros e com toda a equipa de modo a preparar da melhor forma 2023. O objetivo é ganhar corridas e dar, pela primeira vez, o título mundial à Porsche», disse o piloto português. A próxima época tem uma importante novidade: «Vamos ter um carro novo, o Gen 3, que é mais potente e leve, é de esperar grandes batalhas em pista, e um belo espetáculo para o público. Para mim é um orgulho estar envolvido neste campeonato e espero estar em condições de lutar pelo título».

 Sempre com o foco na vitória, Félix da Costa quer manter o acelerador a fundo, até porque quer consolidar o seu nome na história do automobilismo. «Não podendo estar na Fórmula 1, a Fórmula E e a Endurance são os dois campeonatos com maior prestígio. Há muitas vitórias por conquistar, sou ambicioso nas minhas metas e sonhos. Faço tudo o que posso para ganhar. Os meus objetivos agora passam por bater recordes. No dia em que me retirar quero deixar o meu nome nas páginas dos recordes. Quero deixar o meu legado», concluiu.

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