Com vista para o Atlântico

Evolução Verde em direção ao futuro

 Com a COP27, apesar de não ter tido o desfecho esperado, todas as entidades, organizações e países estão determinados em ter a ambição no combate às alterações climáticas e vão continuar a fazê-lo. O facto dos Estados não terem chegado a um acordo extraordinário demonstra que há mais espaço de manobra e coloca mais responsabilidade noutros atores, como é o caso das cidades e empresas.  

Evolução Verde em direção ao futuro

por Carlos Carreiras 

A crise climática não se resolve nas COP mas também não se resolve sem as COP.  

Chegou ao fim a COP27 (Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas) em Sharm El Sheikh, Egito.  

Quase sem darmos por isso, há já um ano volvido sobre a COP26 em Glasgow. Nesse mês de novembro de 2021, o mundo deu passos consistentes para salvar o planeta do aquecimento global, protegendo os ecossistemas da desflorestação, cortando emissões de metano e, sobretudo, criando a visão de um futuro livre de carvão. O consumo desta energia suja saltou a dois dígitos mesmo nas economias avançadas. Se nada fizermos, se não nos comprometermos com metas mais ambiciosas e com políticas concretas, até 2050 o produto interno bruto mundial será cortado em mais de 23 triliões de dólares anualmente.  

Com as sociedades em crise por via da inflação e da de-globalização, só temos um caminho, o de criar uma economia mais verde que nos garantirá sustentabilidade e soberania no longo prazo.  

 Com a COP27, apesar de não ter tido o desfecho esperado, todas as entidades, organizações e países estão determinados em ter a ambição no combate às alterações climáticas e vão continuar a fazê-lo. O facto dos Estados não terem chegado a um acordo extraordinário demonstra que há mais espaço de manobra e coloca mais responsabilidade noutros atores, como é o caso das cidades e empresas.  

Cascais vem desta Conferência considerada uma das 50 cidades mais inovadoras do mundo em matéria de transição energética e ação climática e vai integrar o programa ‘Missão de Aceleração da Transição Urbana’. O nosso Município teve ainda um importante contributo para o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas IPCC (grupo de 2000 cientistas que produz ciência sobre as alterações climáticas), nomeadamente no que se refere à redação do primeiro ‘Sumário para os Decisores Urbanos’ integrado no sexto relatório das alterações climáticas do IPCC.  

Vamos trabalhar em parceria com um grupo restrito de outros municípios a fim de encontrar as melhores soluções para uma política de emissão zero carbono, com base em inovação tecnológica, modelos de governança para fomentar o mercado de energias renováveis, o uso racional de água e soluções de mobilidade. Esta ação conjunta prevê ainda o forte envolvimento dos respetivos governos nacionais e, no caso de Cascais da própria União Europeia, para acelerar a adoção das ações transformativas e o acesso a programas exclusivos de financiamento.  

 O papel das cidades está gradualmente a ser cada vez mais valorizado. 

Tenho a consciência que não vamos resolver o problema global, mas daremos o nosso contributo a nível local. A gravidade da situação obriga a que se vá buscar o melhor de cada um, neste combate, porque ‘temos de nos superar’. 

Dada a ameaça real das alterações climáticas, que já se fazem sentir com o aumento do nível das águas do mar, incêndios florestais, entre outros fenómenos naturais, apostamos em ações preventivas, para a mitigação e adaptação a estes fenómenos. Tornar o município mais resiliente às alterações climáticas com o contributo de projetos dos cidadãos, de qualquer dimensão, foi sempre o nosso principal foco.  

É hoje claro que a transição para uma nova era será muito dura para determinados setores das nossas economias. Estamos a falar de empregos e de pessoas, em última análise. Para além do mais, decidir matérias desta complexidade por unanimidade é uma tarefa de grande magnitude. Acresce a isto o facto inescusável de que toda a política é essencialmente local.  

Não é por acaso que as cidades já são, hoje, a linha da frente no combate ao aquecimento global.  

Continuaremos a tentar liderar pelo exemplo e por isso, no primeiro semestre de 2023, vamos organizar uma grande conferência de municípios com ambição de que se venha a tornar um COP de bases locais e na qual iremos propor a criação de uma associação internacional de municípios que tenham como foco o combate às alterações climáticas e a mitigação dos efeitos que a provocam. É fundamental centrarmo-nos no caminho para a neutralidade carbónica. Será um esforço que tem de ser de todos. É um esforço que vai desde o indivíduo até à grande organização e nesse sentido continuaremos também a motivar a própria população de Cascais para aderirem a este movimento absolutamente essencial, urgente e emergente. Não abdicaremos de tentar cumprir este nosso compromisso. Juntos e em rede venceremos a pandemia climática. 

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