Com vista para o Atlântico

Não se governam, nem deixam governar

Não faz sentido tantas críticas e incertezas em relação ao selecionador nacional e à sua estratégia, capacidade de planeamento e de liderança, esquecem-se que é só o melhor selecionador que Portugal tem e os resultados têm demonstrado. 


Por Carlos Carreiras

Não é de estranhar que a última palavra dos Lusíadas de Luís Vaz de Camões seja inveja.

Os comentários que se têm assistido de autointitulados especialistas e comentaristas sobre a participação da Seleção Nacional de Futebol no Campeonato do Mundo demonstram bem o espírito derrotista e pessimista de alguns. Este tipo de mentalidade é um fator do atraso de Portugal. 

Estamos sempre prontos a falar do que não sabemos ou nem sentimos, carregados de uma inveja por não chegarmos perto daqueles que criticamos, de uma frustração de não conseguirmos distinguirmo-nos pela positiva e assim preferimos acentuar a inveja e a frustração.

Tudo isto vem a propósito da reação a que assisti sobre o caminho de sucesso da Seleção Nacional de Futebol, em especial na crítica ao selecionador nacional, Fernando Santos, e ao melhor jogador de Portugal e do Mundo, Cristiano Ronaldo.

Como declaração de interesses, não sou um frequentador de jogos de futebol e muito menos um especialista, tenho preferência pelo Estoril-Praia e pelo Sporting, mas acima de tudo empolgo-me com a Seleção Nacional. Eu, como milhões de portugueses, cá e no estrangeiro.

Campeã europeia em 2016 e vencedora da Liga das Nações em 2019, a Seleção portuguesa foi a segunda do Mundo a confirmar a sua presença nos oitavos de final do Mundial do Qatar. 

Não faz sentido tantas críticas e incertezas em relação ao selecionador nacional e à sua estratégia, capacidade de planeamento e de liderança, esquecem-se que é só o melhor selecionador que Portugal tem e os resultados têm demonstrado. 

Reforçam com a crítica de não ter apostado num ou noutro jogador e, pelo contrário, ter colocado um ou outro jogador que não marcou golos ou perdem tempo a falar sobre a substituição que não fez e que na sua douta opinião devia ter feito.

Enfim, na verdade é sempre mais fácil criticar do que fazer. A crítica é legítima, mas deixem-nas para depois de acabar o Mundial, se é que terão oportunidade e se o azar não lhes bater à porta com o sucesso de Portugal Campeão do Mundo.
 
Outro tema preferido é a crítica ao melhor jogador do Mundo, o melhor entre oito mil milhões de habitantes do planeta terra, Cristiano Ronaldo – a marca mais forte de Portugal e que chega até aos confins da terra. 

Chegam até a criticá-lo por ter sido decisivo na marcação de um golo de Portugal, mesmo não tocando na bola. Sobre este assunto, o que sei é quem não marcou: nenhum jogador do Uruguai; e tenho a certeza que quem marcou representa a Seleção de todos nós. 

Tenho um enorme orgulho de aos dois e a mais alguns poder chamar munícipes de Cascais.

Nós portugueses somos do melhor que há no Mundo e não é só no futebol, mas precisamos de acreditar. Eu acredito. Considero que é um fator determinante para nós como nação voltarmos a nos afirmarmos no Mundo. Deixemos de ser invejosos e passemos a valorizar o que temos de melhor.
 
Os invejosos e os incompetentes, logo os perdedores, enveredam por norma num populismo de crítica fácil e infundamentada. Vivem no mundo da simplificação. Dispensa-se de explicações. Não desenvolvem sobre as grandes questões, as que verdadeiramente interessam. 

Em Portugal e no Mundo, estamos a assistir a uma rápida deterioração dos pilares democráticos. 

Uma tendência que já se verificava há alguns anos, mas que tem vindo a agravar-se de forma alarmante. 

Desde logo, por via da pandemia, fenómeno que suspendeu demasiados direitos e escancarou as portas das liberdades individuais à discricionariedade de poderes centralizadores que não têm poupado esforços para aprofundar a relação de dependência dos cidadãos perante o Estado. 

Depois, com as redes sociais e os seus modelos de negócio que privilegiam a massificação do ódio, da ignorância, do espírito de fação e do rebaixamento de valores como a cortesia ou a empatia, que escasseiam cada vez mais na arena pública. 

Por fim, a emergência dos fanatismos políticos, de direita e de esquerda, que ganham terreno na incapacidade dos moderados apresentarem os resultados a que se propõem e nos níveis de desigualdade sociais crescentes.

Precisamos de mais cooperação e menos isolacionismo. De mais ambição e menos comodismo. De mais sonho e menos medo.

No entanto, existem muitos com verdades absolutas que nunca levaram até ao fim qualquer projeto, mas têm sempre razão, sem nunca terem sucesso. 

Temos de ser positivos. Se sabemos julgar também temos de saber reconhecer as virtudes e as mais valias do bom trabalho que se faz neste país.

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