Crítica musical

Rick Danko - 1977

Não sendo um escritor de canções tão prolífico quanto o seu companheiro de banda Robbie Robertson (principal compositor dos The Band), Rick Danko surpreende-nos aqui com 10 temas da sua autoria (por vezes em co-autoria com Bobby Charles ou Emmett Grogan), tendo composto um leque de dez canções que compõem este álbum.

Rick Danko - 1977

Rick Danko - 1977
Produzido por Rick Danko e Rob Fraboni
Gravado no The Village Recorder e Shangri-La Studios

 

 

por Telmo Marques

Desta vez, e ao contrário do que vem sendo apanágio nesta crónica, não trago um dos álbuns da minha vida (apesar de ser uma obra razoável), mas sim, um álbum de um dos protagonistas fundamentais, da que foi sem sombra de dúvidas, uma das bandas da minha vida, The Band...

O primeiro membro dos The Band a lançar um álbum a solo, é igualmente o único álbum que contém participações especiais de todos os elementos da já aludida banda, que supostamente teria cessado funções após o concerto "extravaganza" no dia de acção de graças de 1976, gravado ao vivo e para a posteridade no Winterland de São Francisco por Martin Scorsese, e que será porventura, brevemente retratado aqui, neste vosso pequeno cantinho.

Não sendo um escritor de canções tão prolífico quanto o seu companheiro de banda Robbie Robertson (principal compositor dos The Band), Rick Danko surpreende-nos aqui com 10 temas da sua autoria (por vezes em co-autoria com Bobby Charles ou Emmett Grogan), tendo composto um leque de dez canções que compõem este álbum, sendo que pelo menos três são de uma qualidade acima da média, e que por isso, serão as retratadas aqui, pois quase todas as outras, são sub par em relação a este trio.

Comecemos então por "What a Town", composta em co autoria com Bobby Charles, um dos músicos mais conhecidos e reconhecidos de New Orleans, que aqui, e juntamente com Danko, cria uma música com um "groove" a fazer lembrar-nos os melhores anos dos The Band, bem como incutindo um certo "funk", já não tão derivativo dos mesmos, mas repleta de subtilezas, bem como contando com a "ajuda" de Ron Wood, para os solos de guitarra.
Talvez a escolha acertada para abertura do álbum.

Segue-se New Mexico, outro dos "highlights" do álbum, contando com a preciosa ajuda de Eric Clapton, que retribui aqui o favor a Danko, que cantou "All Our Pastimes" com Clapton no seu anterior álbum, "No Reason To Cry".
O seu trabalho de guitarra é facilmente identificável nesta faixa, desferindo-lhe um toque pessoal, mas não a descaracterizando de todo, permanecendo aquilo que é, uma música de Rick Danko.

O terceiro e último tema aqui retratado é uma balada, e quanto a mim, a melhor música de todo o álbum.
Escrita inteiramente por Danko, é de uma beleza melódica extraordinária, contendo igualmente do melhor que Danko já escreveu...

"I want to lay down beside you

I want to hold your body close to mine
Like a grape that grows ripe in the sunshine
There comes a time when we must sip the wine

I can tell by lookin ... that you're not mine girl
I believe everything I told you was true
There's a child here that wants to start livin
And you know that this child will get it's start
From me and you

Close your eyes ... and don't you think of nothing
Let your thoughts remain here inside this room
Lay your head beside me on my pillow
And I will share this night with you

We must sip the wine ... till it feels alright
We must sip the wine ... into the night

We must sip the wine ... together ..."

Após este álbum,Rick Danko gravou um outro, mas que foi apenas lançado  já nos '90s, tendo posteriormente sido "largado" pela sua editora, a Arista Records, e passando a fazer parte dos The Band, já sem o seu principal compositor e guitarrista, Robbie Robertson, sem nunca contudo, voltarem a atingir os picos de popularidade dos finais dos anos '60 e meados de '70.

A quem não conhece os The Band, aconselho-vos vivamente uma pesquisa, pois não se chamam The Band à toa...!!!

Até para a próxima semana



 

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