Economia

Juros: aumento sem impacto nos depósitos

Enquanto o aumento dos juros se reflete nas prestações a pagar das casas, o mesmo não acontece nas poupanças. Um cenário que não se repete no Aforro porque ‘beneficia’ com a subida da Euribor e poderá ganhar adeptos.


Os juros não param de aumentar, mas, ao contrário do que se verifica na prestação da casa, os bancos não estão a refletir isso nos depósitos. O Nascer do SOL tentou saber junto de especialistas o porquê desta tendência e como veem o assunto. «Essa postura das instituições financeiras resulta num aumento da margem de lucro para os bancos», começa por explicar Paulo Rosa, economista do Banco Carregosa, acrescentando ser «normal que isso aconteça quando os bancos estão mais capitalizados do que em momentos anteriores e ainda não necessitam de aumentar a captação de depósitos».

O economista acrescenta ainda que os créditos à habitação «estão normalmente indexados à evolução da Euribor, mas as remunerações dos depósitos habitualmente não estão». E, ao contrário destes últimos, «os certificados de aforro estão geralmente associados à evolução da Euribor, e como apresentam uma melhor remuneração e um risco inferior, são uma cabal alternativa aos depósitos bancários». Para novas subscrições, a taxa de juro foi fixada em 2,842% em dezembro.  

Já Henrique Tomé, analista da corretora XTB, diz que na Europa, «possivelmente vamos continuar a assistir a uma subida dos juros durante os próximos três meses, mas espera-se que estas subidas comecem a abrandar a médio prazo, assim que os dados sobre a inflação começarem a dar sinais de abrandamento». E defende que é importante notar que, nos Estados Unidos, «já começam a surgir alguns indícios de que a inflação possa já ter atingido os e pico. Além disso, as cotações das matérias-primas continuam a baixar, em particular o petróleo que tem atingido novos mínimos este ano – espera-se que a descida dos preços dos produtos energéticos acabe por contribuir também para uma diminuição da taxa de inflação». 

Sobre se este produto se pode tornar cada vez menos atrativo, o economista do Banco Carregosa diz que existem «muitas cabais alternativas, uma das quais são os certificados de aforro com uma remuneração superior e um risco menor».  

Por sua vez, Henrique Tomé refere que nestas alturas «as famílias começam a mudar os seus hábitos de consumo e começam a poupar mais» e que o facto das taxas de juro de referência estarem a aumentar «pode fazer com que este tipo de produtos se torne mais atrativo».

Mas a banca portuguesa está a pagar uma remuneração mais baixa em relação aos bancos da zona euro. Como se explica esta tendência? «Perante níveis de liquidez historicamente elevados, a banca não tem incentivos para captar depósitos adicionais», diz Paulo Rosa, acrescentando que, no entanto, «os bancos de menor dimensão já pagam juros mais elevados, mas esta subida nas remunerações dos depósitos será determinada pelo aumento da concorrência».

Já Henrique Tomé defende que a banca portuguesa «deveria estar a acompanhar e praticar a mesma taxa de juro que os restantes bancos da zona euro, uma vez que as taxas de juro conduzidas pelo BCE servem como referência para todas as instituições financeiras na Zona euro». 

No entanto, os certificados de aforro deram um salto na remuneração. Vão tornar-se mais atrativos que os depósitos? Devido à indexação às taxas Euribor, «os certificados de aforro têm regras que lhes permitem acompanhar a alta dos juros do BCE. Tendo menos risco e melhor remuneração, os certificados são uma cabal alternativa aos depósitos a prazo», defende o economista do Banco Carregosa.

E o analista da XTB justifica que esta subida é justificada essencialmente com a subida dos juros conduzida pelo BCE nos últimos meses. «Contudo, são produtos diferentes. Os depósitos a prazo acabam por ser mais ‘flexíveis’ para os clientes, do que os certificados de aforro», finaliza.

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