A eutanásia é o futuro

Uma sociedade que valida legalmente e axiologicamente a morte dos mais débeis é o grau zero da experiência humana

Por João Maurício Brás

Nunca mais o PS, PSD e Liberais aprovam os matadouros públicos de humanos e a morte como ato médico e político legal para aliviar as carradas de pobres e velhos que entopem as urgências dos degradados hospitais públicos… A eutanásia será um forte contributo para a resolução destes problemas…

Lá fora já estão mais adiantados. A canadiana Christine Gauthier, antiga militar e atleta paraolímpica, estava a querer onerar o Estado liberal progressista. Pretendia uma rampa para cadeiras de rodas de acesso a casa e este propôs-lhe uma oferta de MAID (Medical Assistence in Dying). 

Michel Fraser também do mesmo país decidiu morrer aos 55 anos solicitando a morte assistida sem padecer de nenhuma doença terminal. 

Os casos aprovados e sugeridos para a morte assistida pelos motivos mais díspares multiplicam-se e os critérios tornam-se generalistas. Esta banalização era inevitável. Pedir a morte ao Estado será em breve semelhante a quem escolhe num catálogo as características do dador de esperma para ser inseminada ou a barriga de aluguer que quer contratualizar ou mesmo o tipo de sexo que quer ter na próxima estação outono-inverno.

O motivo principal para o pedido de Fraser foi a desistência de viver numa sociedade desumana, a nossa. A sua pensão não lhe permitia ter uma vida feliz. Fraser tinha uma série de doenças como muitos de nós, nenhuma delas terminal, mas vivia num situação de pobreza devido à sua pensão que o remetia para um terceiro andar sem elevador, ele que tinha grandes dificuldades de mobilidade. Se as doenças mentais já são um bom motivo para uma morte rápida, a pobreza também passou a fazer parte do cardápio. 

No muito progressista Canadá, como em vários países da Europa a sociedade já mata com toda a isenção e profissionalismo. Na cultura da morte, esta é uma rotina higiénica e da boa gestão económica. Também cá chegará, mataremos os mais pobres, os mais indefesos, os mais débeis, no fundo os inúteis e quem sabe em breve os que são ‘fascistas’ e os dissidentes, porque quando se abrem determinadas portas, tudo é possível. 

Os mais frágeis começam a perceber que o melhor é mataram-se, mas fazendo pouca porcaria, poderão agora ter uma morte limpa às mãos de gente especializada. Os mais fracos, os menos aptos psicologicamente, socialmente, ou financeiramente devem morrer. São péssimos produtores e ainda piores consumidores. Na cadeia de consumo são inúteis. No mundo liberal em que a lei da oferta e da procura substituiu o dar, receber e retribuir, o mau produtor e pior consumidor são obsoletos. 

A ética é sobre o que nunca devemos fazer e sobre as portas que não se podem abrir. Quando abertas tudo acabará por ser possível e justificado. 

Perguntam os progressistas:  – quem somos nós para interferir na vontade de alguém? O que interessa é essa ideia de liberdade individual absoluta.

Nas sociedades progressistas tão modernas e velozes a sinalizar a virtude demos mais um passo degradante. A doença e a pobreza tiram a dignidade à vida, acabemos com ela, que a vida é para ser feliz, saudável, jovem, rica e conformista.

Não vivemos numa sociedade, mas um campo de concentração disfarçado de centro comercial. Uma sociedade que valida legalmente e axiologicamente a morte dos mais débeis é o grau zero da experiência humana. Aguardemos então pelos matadouros progressistas legalizados, inclusivos, asséticos e amigos do ambiente.