Economia

Preços do gás. Ministros da Energia falham acordo europeu para teto

Posições divergentes sobre os preços máximos tornaram reunião inconclusiva. João Galamba espera resultados 
na próxima reunião, segunda-feira. 

Preços do gás. Ministros da Energia falham acordo europeu para teto

Os ministros da Energia, que se reuniram esta terça-feira em Bruxelas, não chegaram a um consenso sobre a proposta apresentada pela Comissão Europeia para aplicar um teto aos preços do gás no bloco europeu, avançou a Reuters. Segundo o ministro nos Negócios Estrangeiros húngaro Peter Szijjarto, “não foi alcançado acordo na sessão plenária” o que quer dizer que as negociações deverão continuar “num quadro bilateral”.

“Há uma crise de energia na Europa e infelizmente Bruxelas está a administrar mal esta situação, o limite de gás é a resposta errada”, escreveu o responsável no Facebook, acrescentando que essa resposta não ser “especialmente no caso da Hungria”, uma vez que “não tem em conta a nossa situação especial decorrente da nossa localização geográfica, podendo facilmente pôr em perigo a segurança do abastecimento energético do nosso país”.

E deixa a conclusão da reunião: “Há muito debate no Conselho de Energia, não foi possível chegar a acordo na sessão plenária, pelo que a continuação decorre num quadro bilateral”, garantindo que a proposta apresentada é “uma má ideia”.
As reuniões serão retomadas na próxima segunda-feira.

Recorde-se que, antes desta reunião, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu que o fornecimento de gás da União Europeia está “seguro este inverno”, mas há perigo à espreita para o próximo. E mostrou não ter dúvidas: “Chegou a altura de tornarmos as compras conjuntas de gás uma realidade. Temos a plataforma de energia em funcionamento e temos de a operacionalizar agora porque cada dia de atraso na implementação do mecanismo de compra conjunta acarreta um preço”, defendeu.

A responsável avançou ainda que Bruxelas já está em “discussões com os países parceiros dos Estados-membros e empresas” com o objetivo de concretizar estas compras conjuntas de gás, um método semelhante ao que fez para aquisição comum, em nome da UE, de vacinas contra a covid-19.

Portugal espera por segunda-feira

À saída da reunião, o secretário de Estado do Ambiente e da Energia, João Galamba, disse que “houve alguns avanços, houve consenso em grande parte da proposta, nomeadamente de algumas salvaguardas que eram pretendidas por alguns dos países, mas não houve acordo em relação ao tema central, que é a questão do nível de preços a partir do qual este mecanismo de correção de mercado seria ativado”.

E acrescentou que “a presidência checa tentou várias soluções, mas não foi possível um acordo”, porque “há de facto posições diferentes” em relação aos preços, “e, portanto, o que foi acordado foi voltar a este tema na segunda-feira”.

O governante português a proposta atualizada da Comissão Europeia “era em torno dos 200 euros”, dizendo que “continua a ser um preço demasiado alto para um grupo significativo de países”.

Galamba defende que Portugal “estaria disponível para viabilizar esta proposta, numa lógica de compromisso”, mas ainda assim não foi possível essa solução de compromisso.

“Não há, de facto, neste momento uma posição maioritária capaz de aprovar um acordo em torno deste preço. Esperemos que estes dias até segunda-feira permitam chegar a uma solução”, acrescentou.

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