Desporto

O jogo de todos os recordes

Messi e Mbappé têm contas a acertar na final de domingo. Além do título mundial, há muito para jogar e decidir. Depois do Qatar haverá um novo deus do futebol ou ficará tudo na mesma?


por João Sena

A final do Campeonato do Mundo entre a França, atual campeã, e a poderosa Argentina, que melhora a cada jogo que passa, aproxima-se daquilo a que podemos chamar a final perfeita para um Mundial que foi muito maltratado.

Colegas de equipa no PSG e rivais nas seleções, Messi e Mbappé têm assuntos pendentes para resolver no majestoso Lusail Stadium. Os génios merecem os melhores palcos! Ser campeão do Mundo é o sonho de qualquer jogador, mas ganhar a Bola de Ouro é também uma proeza assinalável. No domingo, quem levantar o bonito troféu FIFA, perante 90 mil espetadores, está igualmente a dar um sinal ao mundo de quem vai ganhar a próxima Bola de Ouro. Esta é uma das grandes incógnitas da final. A outra é saber quem vai ser o melhor marcador do Mundial. Também aqui o assunto é para ser tratado por Messi e Mbappé: os dois têm cinco golos cada, embora Giroud e Álvarez, com quatro golos, ainda possam causar surpresa. Quanto ao total de golos marcados em Mundiais, todos eles continuam longe dos 16 golos marcados pelo alemão Mirolasv Klose. Não é previsível que Messi, com 11 golos, e Mbappé, com 9, batam esse recorde no Qatar.

Se não houver um impedimento físico, Messi passa a ser o jogador com mais partidas realizadas em fases finais (26), atingindo um marco histórico na sua última aparição num Mundial, e deixando para trás o alemão Lothar Matthäus. O argentino pode ainda ultrapassar Pelé no número de assistências para golo, o Rei Pelé tem seis assistências, mas Messi, com cinco, pode mudar a história. O pequeno génio pode tornar-se também o jogador com mais minutos em Mundiais, o italiano Paolo Maldini tem 2.217 minutos e Messi 2.204 minutos, mais uma decisão para domingo.

Voltando um pouco atrás, ao jogo das meias-finais contra a Croácia, o atual camisola 10 da Argentina suplantou Maradona no número de vezes que usou a braçadeira de capitão (17). Também aqui houve passagem de testemunho entre dois deuses do futebol. Neste acerto de contas, o ‘miúdo’ Mbppé sai penalizado porque só disputou dois Mundiais, mas tem tempo e talento para mudar a história.

Ainda a nível individual, o selecionador Didier Deschamps pode ser bicampeão (ganhou o Mundial da Rússia em 2018) e igualar Vitorio Pozzo, que levou a Itália ao título nos Mundiais de 1934 e 1938. O francês foi também campeão do mundo como jogador em 1998.

Outro dado curioso é que Mbappé pode igualar Pelé, que venceu dois mundiais seguidos – o craque brasileiro haveria de conquistar um terceiro título – e Messi pode fazer o mesmo que Maradona, que venceu um Mundial e perdeu outro.

 

Lugar aos melhores

A história diz que Argentina (1978 e 1986) e França (1998 e 2018) venceram o mundial por duas vezes, este jogo vai desempatar e permitir ao vencedor colocar mais uma estrela sobre o símbolo nacional – é uma forma de impor respeito aos adversários. Quem ganhar fica, ainda assim, longe dos cinco títulos do Brasil, três deles com Pelé, que continua a ser o jogador mais vitorioso na história do futebol. Os Bleus têm ainda uma oportunidade de ouro para igualar o feito histórico da Itália e Brasil, as únicas seleções campeãs do Mundo por duas vezes consecutivas (os transalpinos em 1934/38 e os canarinhos em 1958/62).

Com o Mundial a aproximar-se do fim, vários recordes foram batidos no Qatar. Na partida de má memória frente a Marrocos, Cristiano Ronaldo faz o jogo 196 pela seleção e igualou a marca de Soh Chin Ann (Malásia) e Al Mutawa (Kuwait) como os jogadores com mais internacionalizações no mundo. Pela segunda vez consecutiva, a Alemanha (quatro vezes campeã do Mundo) foi afastada na fase de grupos – é o pior registo da sua história. Há outros aspetos marcantes deste Mundial, caso de ter sido o primeiro Campeonato do Mundo realizado no Médio Oriente e de, pela primeira vez, uma equipa de arbitragem totalmente feminina ter dirigido um jogo de um Mundial masculino. O canadiano John Herdman fica também na história por ter sido o primeiro treinador a orientar seleções masculina e feminina em Mundiais de futebol, tendo anteriormente treinado a seleção feminina da Nova Zelândia nos Mundiais de 2007 e 2011.

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