Internacional

China abalada por maré de casos de covid-19

Hospitais e morgues estão sob enorme pressão. Ao ponto de o regime até começar a usar medicamentos e vacinas ocidentais.


A China enfrenta uma onda de casos de covid-19 tão avassaladora que o regime até já admite utilizar vacinas e tratamentos produzidos no Ocidente. Hospitais e  morgues estão sobre enorme pressão, avançou a Reuters, esta quarta-feira. Mas não choca ninguém que, apesar disso, os números oficiais não batam certo com o caos a que se assiste, sendo que as autoridades de saúde chinesas apenas registaram umas meras três mortes relacionadas com a covid-19 na terça-feira.

“Faço este trabalho há trinta anos e este é o período mais atarefado que alguma vez tive”, relatou à agência americana um condutor de ambulâncias à porta do hospital Huaxi, em Chengdu, no sudoeste da China. Podiam-se ver enormes filas à porta do hospital, bem como de uma clínica vizinha. A maior parte dos pacientes que chegavam de ambulância vinham a receber oxigénio. Já numa casa mortuária de Chengdu, o crematório tem trabalhado sem parar, com uns duzentos cadáveres a chegar por dia, a maior parte de gente que morreu de covid-19, contaram os funcionários. 

Já o regime chinês, que reabriu o país subitamente após protestos sem precedentes contra o confinamento, anunciou que irá começar a distribuir o antiviral Paxlovid, um medicamento contra a covid-19 produzido pela Pfizer, de maneira a reabastecer as farmácias dos hospitais. Já a vacina da BioNTech passará a estar disponível aos habitantes da China continental, desde que se desloquem a Hong Kong, avançou a Fortune. 

Durante o último ano em que a China conseguiu conter a covid-19, esse tempo ganho não foi aproveitado para aumentar a vacinação. E, apesar das vacinas chinesas terem menos eficácia contra novas variantes, Pequim insistiu em não ir comprar vacinas ao Ocidente. 

O desespero do regime é notório, sendo estimado que quase 250 milhões de pessoas tenham sido infetadas na China só nos primeiros vinte dias de dezembro, lia-se num relatório interno da Comissão Nacional de Saúde, obtido pela Bloomberg e Financial Times. Na prática, isso significaria ter uns 18% da população da gigantesca China infetados em simultâneo, representando provavelmente o maior surto no planeta.

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