Opiniao

O Legado de João Paulo II: A Jornada Mundial da Juventude

Seria então em 1986 que haveria a primeira JMJ, novamente em Roma. 

O Legado de João Paulo II: A Jornada Mundial da Juventude

Por José Maria Matias, aluno do mestrado de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa

Em 1984, o Papa João Paulo II receberia mais de 300 mil jovens em Roma para o Jubileu da Juventude. Quando o Papa se deparou com o mar de jovens que invadiu a praça de S. Pedro, não conseguiu esconder a felicidade e o espanto, respondendo: «Quem é que ousa afirmar que a juventude de hoje perdeu o sentido dos valores?». Nesse dia o Papa entregaria uma Cruz aos jovens que mais tarde, ficaria conhecida, como a Cruz das JMJ.  Um mês antes, o Papa João Paulo II tinha feito a consagração da Rússia, tal como pedido por Nossa Senhora aos pastorinhos em 1917. Em 1984, tinham passado três anos do atentado que sofreu em Roma e dois anos da sua primeira visita a Portugal. Quis vir a Fátima para agradecer a Nossa Senhora, a quem tinha atribuído a salvação da sua vida, por ter desviado a direção da bala que por pouco não o vitimou fatalmente.    

Mais tarde, em 1985, no ano internacional da Juventude, o Papa volta a chamar os jovens ao seu encontro em Roma, era um Domingo de Ramos. Contudo, só a 20 de dezembro, o Papa viria a instituir as JMJ. Seria então em 1986 que haveria a primeira JMJ, novamente em Roma. Seria daí que as Jornadas seriam lançadas para o mundo e logo em 1987, Buenos Aires, preparou-se para receber os jovens do mundo inteiro a convite do Santo Padre.  Aqui o repto de João Paulo II foi muito claro: «A construção de uma civilização do amor dispostos ao sacrifício e desejosos de abrir novos caminhos de convivência humana, superando divisões e materialismos opostos (…)». Este era o repto do Papa para os jovens que seriam os decisores na viragem do milénio. Estima-se que cerca de 1 milhão de jovens ouviram a mensagem de João Paulo II.

De Itália para a Argentina, depois para Espanha, seguindo-se a Polónia em 1991, mais tarde, os Estados Unidos. Em 1995 nas Filipinas, dois anos depois em França, voltando a Itália no ano 2000. Em 2002 as JMJ foram para o Canadá e seriam as últimas de João Paulo II. Este era o seu legado. Em 2005, as Jornadas enfrentavam algumas críticas, com alegações de que o encontro estava a banalizar-se a um mero festival, então, já com Bento XVI e na Alemanha, o mote era claro, estava no Evangelho de Mateus: «Viemos adorá-lo».  Centrava-se tudo no essencial. Em 2008 foi em Sydney e seguiu-se, em 2011, Madrid. Em 2013, no Brasil, 10 anos antes das Jornadas em Lisboa, era então o Papa Francisco que recebia mais de 3 milhões de jovens no Rio de Janeiro. O tema era claro: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (Mt 28, 19). Em 2016 as Jornadas voltaram à Polónia, agora em Cracóvia. Foram as únicas em que participei, a Europa estava mergulhada no Brexit e os cristãos enfrentavam o terrorismo islâmico. Enquanto decorria a JMJ, o sacerdote francês Jacques Hamel seria barbaramente assassinado numa paróquia em França, vítima do ódio ao cristianismo.

Simultaneamente, Francisco pedia para que todos os jovens se levantassem e saíssem do sofá. Foi a esse grito que eu e tantos mais responderam. Em 2019 as Jornadas foram para o Panamá e foi daí que se soube que as próximas seriam em Portugal. 

Em 2023, receberemos os filhos daqueles a quem João Paulo II pediu para serem os construtores da civilização do amor, os irmãos mais novos daqueles a quem Bento XVI pediu para não desviarem o seu olhar de Cristo e aqueles a quem Francisco pediu para não deixarem para trás as periferias, sejam elas quais forem. Se Fátima trouxe João Paulo II a Portugal, em 2023, será o seu legado que entrará cá com toda a força. Este será o acontecimento mais importante desde o princípio do século no nosso país. Estejamos à altura. 

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