Brasil presente

Lula está entre a cruz e a caldeirinha

O Presidente Lula da Silva sabe que vive um bom momento por conta dos atos de vandalismo do dia 8 de janeiro ainda ocuparem o noticiário.

Lula está entre a cruz e a caldeirinha

Aristóteles Drummond

Lula da Silva nunca precisou tanto de recorrer a sua experiência e habilidade para apagar incêndios. Sabe que vive um bom momento por conta dos atos de vandalismo do dia 8 ainda ocuparem o noticiário. Mas, além das questões internas de sua ampla coligação, a economia, que no mundo moderno tem forte reflexo na popularidade dos governos, corre riscos. A agência Eurasia, de avaliações de risco político e económico, está pessimista. Acredita que será difícil manter um clima otimista nos investidores com o discurso e prática de esquerda. As medidas para conter o déficit público implicaram em mais impostos e em alterar a entidade que julga divergências tributárias em que o contribuinte, no papel de réu, ganhava em caso de empate. A composição do órgão vai deixar de ser paritária. Os sindicatos pressionam para rever medidas laborais  dos governos Temer e Bolsonaro que permitiram, em plena pandemia, a geração de quase três milhões de empregos. 

O Lula do bom senso e os ‘companheiros revolucionários!

 

Variedades 

• O setor empresarial e o mercado financeiro vivem o impacto da omissão em balanço de cinco mil milhões de euros na dívida das Lojas Americanas, cujos maiores acionistas são os controladores do maior grupo cervejeiro do mundo, Ambev-Imbev, relevantes na Europa, EUA e América Latina. O grupo brasileiro tem outras empresas, como Burger King e Heinz Kraft, fortes no Brasil como em outros países. Só as Americanas e coligadas têm mais de cem mil empregados no país. É o quarto grupo no e-commerce no país e os pequenos acionistas somam 146 mil. Espera-se que não seja a ponta de um iceberg.

 

• Lula está com dificuldades em atender sugestões e pedidos de seus amigos bolivarianos. Nicolás Maduro já propõe um bloco, com Cuba, Nicarágua, Venezuela, Brasil, Argentina, Chile e Colômbia, afinado com a Rússia e a China. A Argentina já cobra um financiamento de 700 milhões de dólares para um gasoduto e Honduras, 200 milhões para terminar uma usina hidroelétrica.

 

• Curiosa convivência do Brasil de Lula da Silva e os estados mais ricos do Brasil. Lula já assinou decreto retirando da venda oito estatais. Mas os governos dos estados de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro anunciam a venda de ativos valiosos. O Paraná pode vender a empresa de águas e a de eletricidade, em montante superior a oito mil milhões de euros. São Paulo a imensa Sabesp, de água e saneamento, e Minas, a Copasa, que pode valer mais de cinco mil milhões de euros. O Rio deve completar a venda de distribuição da Cedae e tornar a empresa que capta e trata da água numa corporação sem controlador, vendendo ações em bolsa.

 

• Como não faltassem dificuldades para a captação de investimentos estrangeiros na indústria, ronda agora a possibilidade de entrar em vigência uma lei que impede o despedimento sem justa causa. Com isso, empregar, que já é caro e arriscado, vai se tornar algo temerário. O mundo corre atrás de atrair investimentos e não de os assustar.

 

• Nuno Vasconcellos comemora os acessos a seu site IG, na casa dos cem milhões no Brasil e com 150 mil acessos diários em Portugal.

 

• Protagonistas de dois crimes bárbaros acabam de obter liberdade. O goleiro do Flamengo Bruno, que mandou matar uma namorada, e a jovem Suzane von Richthofen, que tramou o assassinato dos pais.

 

• Reaberta a Embaixada da Venezuela em Brasília, tratada em conversa por telefone entre Maduro e Lula.

 

• Elon Musk manifestou preocupação com a suspensão de contas no seu Twitter, determinada pelo ministro Moraes, da Suprema Corte. A lista inclui parlamentares eleitos e influenciadores ligados a Bolsonaro. 

 

• Em Davos, o Brasil é representado pelos ministros da Economia, Fernando Haddad, e do Meio Ambiente, Marina Silva. Presente também o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O setor privado com Luís Carlos Trabuco do BRADESCO.

 

• As principais capitais com Carnaval relevante, como Rio de Janeiro, Salvador e Recife, estão esperando ocupação hoteleira acima de 90%. São Paulo, com menos tradição, tem investido no evento e pode chegar a 70%.

 

Rio de Janeiro, janeiro de 2023

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