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Três candidatos: Da continuidade à rutura

Da atual Comissão Executiva da Iniciativa Liberal saem dois candidatos à sucessão de João Cotrim de Figueiredo: Rui Rocha e Carla Castro. A estes junta-se ainda José Cardoso. O objetivo dos três é fazer crescer o partido. A eleição tem lugar este este fim de semana, em Lisboa. 

Três candidatos: Da continuidade à rutura

Rui Rocha. ‘Equilíbrio entre continuidade e renovação’

O primeiro tiro de partida foi dado por Rui Rocha e a sua decisão foi anunciada assim que João Cotrim de Figueiredo revelou que estava de saída. O candidato é apoiado pelo atual líder, que elogia o seu espírito «combativo» e a sua capacidade de raciocínio. Na moção estratégica apresentada, diz acreditar que eleições antecipadas podem ser uma realidade e que o partido tem de estar preparado, deixando algumas linhas estratégicas: «Somos liberais em toda a linha, rejeitamos populismos, afastamo-nos dos extremos e recusamos a instrumentalização do medo e da frustração para obter ganhos políticos».

A lista conta com 25 nomes, dos quais 14 são provenientes da atual direção, e Rui Rocha destaca «o equilíbrio entre a continuidade e a renovação» dos membros que a compõem, traçando como objetivos eleitorais para os próximos dois anos eleger nas europeias, assim como nas eleições da Madeira e criar um grupo parlamentar nos Açores.

Em campanha, tem admitido que o Governo socialista não vai chegar ao final da legislatura e assume «estar preparado» para eleições. No entanto, se o ciclo eleitoral se completar e for até 2026, acredita que o partido está em condições de captar 15% dos votos, bem acima dos 4,91% obtidos em janeiro de 2022. A linha vermelha com o Chega já foi traçada: afasta qualquer tipo de acordo mesmo pós-eleitoral com o partido de André Ventura.

Carla Castro. ‘Esta equipa tem capacidade para fazer crescer o partido’

A atual deputada, depois de alguma ‘pressão’, assumiu a disponibilidade para ir a jogo. Carla Castro afirmou que sentiu «muitos apelos para avançar» e diz ser a pessoa certa para levar o partido a terceira força política em Portugal, traçando, no entanto, linhas vermelhas – «que são com quem não queremos estar», seguindo o exemplo do seu concorrente de colocar uma barreira ao Chega – e  azuis – «que são as circunstâncias com que poderemos estar». E defende que «mais importante do que falar em coligações é ganhar os votos de todos os eleitores».  

A candidata apostou numa lista  lista com dispersão geográfica, voltada para os núcleos e composta por vários membros que foram candidatos em eleições anteriores. «Esta equipa tem capacidade para fazer crescer o partido». Com 15 membros efetivos e cinco suplentes, a lista de Carla Castro conta com dois vice-presidentes, um secretário-geral e um tesoureiro. Apenas Paulo Carmona e a própria candidata à liderança transitam da atual direção. E, apesar de admitir que quer abrir o partido «a várias tendências liberais», promete «afirmar a defesa da democracia, da liberdade e dos direitos humanos», afastando as críticas a quem a acusa de encostar a IL à direita conservadora. Já em entrevista ao Nascer do SOL tinha garantido que «há  uma continuidade nos valores, há uma rutura na forma de gerir o partido».

José Cardoso. ‘Ter uma estratégia alternativa vencedora’

José Cardoso foi o último a anunciar a candidatura. O conselheiro nacional do partido justificou a decisão por ter uma «visão alternativa à vigente e àquelas que se têm vindo a apresentar como candidatas à comissão executiva» e acredita «ter uma estratégia alternativa vencedora, verdadeiramente liberal, que rejeita inevitabilidades e unanimismos». 

Na apresentação, o candidato mostrou-se «garantidamente fonte de ideias, de compromissos e de defesa da liberdade». Vai apresentar um regimento alternativo à convenção eletiva,  defendendo que é fundamental a existência de uma segunda volta, caso nenhuma candidatura alcance mais de 50% na primeira votação. Nesta segunda ronda participariam apenas as duas listas mais votadas e meia hora depois de conhecidos os resultados da primeira volta. «Só assim é possível obter uma liderança forte. Queremos um líder eleito com a maioria absoluta dos votos de forma que esta seja uma liderança incontestada interna e externamente», afirmou. 

Já em relação aos possíveis resultados do partido, disse apenas que promete «trabalhar para eleger de forma sustentável, crescendo em votação e elegendo em todas as três eleições», não adiantando valores concretos. Quanto ao Chega, considera um erro ostracizar o partido de André Ventura, até porque é isso que o alimenta.

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