Vítimas de abusos sexuais em crise após relatório ter sido divulgado

Para muitas das vítimas, as notícias obrigam-nas a “reviver constantemente as suas próprias histórias”.

A associação Quebrar o Silêncio, de apoio a homens vítimas de abusos sexuais, recebeu cinco pedidos de ajuda de vítimas da Igreja católica nos últimos três dias. Presidente da organização adiantou que as notícias sobre o relatório da Comissão Independente estão a deixar as vítimas em crise.

"Só nestes três dias nós recebemos cinco casos relacionados com os abusos sexuais na Igreja", todos homens acima dos 50 anos, revelou Ângelo Fernandes, à agência Lusa.

Todos "estão em crise" por causa dos testemunhos que ouviram e das notícias que leram e contactaram a Quebrar o Silêncio à procura de apoio psicológico e de ajuda para gerir "o que sentem relativamente ao abuso".

"Quando a pessoa está em crise, nós o que fazemos é uma estabilização emocional para que estes homens possam, pelo menos, sentir alguma forma de alívio, antes de começar o apoio psicológico", explicou o responsável da associação.

"Esta semana tem sido particularmente intensa para os homens que foram vítimas de violência sexual na infância (…) "Temos tido relatos de homens que não conseguem descansar porque estão constantemente a ser confrontados com estas notícias de abuso sexual", contou, acrescentando que isso tanto afeta homens vítimas de abusos sexuais na Igreja, como noutros contextos.

Ângelo Fernandes considera que para muitas das vítimas, as notícias obrigam-nas a "reviver constantemente as suas próprias histórias".

"Isto é muito difícil de gerir para estes homens. Temos visto homens que acabam por sofrer com o aumento de pensamentos sobre o abuso, memórias indesejadas, a ansiedade atinge níveis muito altos", acrescentou.

Nesse sentido, o responsável deixou o apelo para que às notícias sejam adicionados os contactos das três associações especializadas no apoio às vítimas de violência sexual, como a Quebrar o Silêncio (910 846 589/apoio@quebrarosilencio.pt ), a Associação de Mulheres contra a Violência (213 802 165/ca@amcv.org.pt ) ou a UMAR (914 736 078 / eir.centro@gmail.com).