Sociedade

Serviços regionais no ramal de Cáceres suprimidos em Fevereiro

Os serviços regionais no ramal ferroviário de Cáceres, entre Torre das Vargens (Ponte de Sor) e Beirã (Marvão), no distrito de Portalegre, são suprimidos a partir de 1 de Fevereiro, revelou hoje fonte da CP.

«é uma questão de racionalidade de serviços e de sustentabilidade económica e financeira da empresa», explicou a directora de comunicação da cp, ana portela.

de acordo com a responsável, a média de procura é de «três passageiros por comboio».

a supressão dos serviços surge num momento em que o grupo de amigos da ferrovia norte alentejana (gafna) lançou uma petição na internet para que a cp desenvolva trabalhos de «manutenção e melhoramento» dos comboios regionais que circulam no ramal de cáceres.

«nós esperamos recolher as 4 mil assinaturas necessárias para que o assunto seja discutido na assembleia da república (ar)», disse paulo fonseca, responsável pelo gafna.

a petição tem ainda como objectivo combater a supressão do serviço regional ferroviário no ramal de cáceres. «o gafna quer pressionar o governo e quer também que ele (governo) perceba que o norte alentejano está a caminhar para um isolamento cada vez maior, com o encerramento do serviço regional do ramal de cáceres», declarou.

de acordo com paulo fonseca, a petição foi lançada «há oito dias» e já foi subscrita por «centenas de pessoas». o gafna espera entregar a «petição pela manutenção e melhoramento dos comboios regionais no ramal de cáceres» antes do final deste mês, de forma a «evitar» a supressão do serviço ferroviário naquele ramal.

«não vai ser fácil, mas vamos tentar», assegurou. por isso, o gafna está também a promover junto das populações a recolha de assinaturas, de forma a «acelerar» todo o processo e conseguir, desta forma, chegar rapidamente ao objectivo das quatro mil assinaturas.

paulo fonseca acusou a cp de «inércia» e de «pouco empenhamento» ao longo dos anos na manutenção daquele ramal, situação que levou os utentes a considerarem aquele serviço «pouco apetecível».

nesse sentido, o responsável do gafna explicou ainda que o actual serviço é «deficitário, os horários inadequados à procura, o material de transporte obsoleto, lento, ruidoso e pouco confortável, com elevado consumo de combustível e elevados custos de manutenção».

o gafna não está sozinho no combate à supressão do serviço regional ferroviário no ramal de cáceres, uma vez que nos últimos dias os municípios de crato, marvão e a junta de freguesia de beirã, contestaram também esta medida

o último protesto surgiu por parte do bloco de esquerda de portalegre que, em comunicado enviado à lusa, mostrou-se «solidário» com as populações. «estamos a assistir à destruição do serviço público e de postos de trabalho», lê-se no comunicado.

para o bloco de esquerda, esta situação vem contribuir para o «colapso» do distrito de portalegre. na mesma missiva, a estrutura partidária sublinha que o distrito de portalegre «está abandonado», fruto das «ruinosas» políticas de sucessivos governos e à «inércia» dos representantes locais.

 

sol/lusa