Internacional

Guiné anuncia adesão à CPLP em várias línguas, excepto português

A  CPLP conta desde quarta-feira com mais um Estado-membro, após a aprovação oficial na X Conferência de Chefes de Estado e de Governo, em Díli, da entrada da Guiné Equatorial. O país liderado por Teodoro Obiang desde Agosto de 1979 recebeu luz verde dos outros países da CPLP sem que tenha havido uma votação, mas por “consenso generalizado”, segundo fonte da delegação portuguesa disse aos jornalistas.

A declaração final da reunião em Timor-Leste – que assumiu a presidência rotativa da organização para os próximos dois anos – garante a CPLP vai “apoiar as autoridades do país no pleno cumprimento das disposições estatutárias da CPLP, no que respeita à adopção e utilização efectiva da Língua Portuguesa, à adopção da moratória da pena de morte, até à sua abolição”. A referência à pena de morte foi introduzida no documento  por iniciativa da delegação lusa.

Fonte da CPLP explicou que este país apenas assinará a declaração final da próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo, que se realizará dentro de dois anos.  

Os membros da CPLP haviam definido condições para a adesão da Guiné Equatorial, entre as quais o uso do português e o fim da pena de morte. Em Fevereiro, o governo equato-guineense anunciou a suspensão da pena de morte, mas organizações de defesa dos direitos humanos alertaram que a decisão afectava apenas os casos já julgados e não constituía qualquer garantia ou moratória para o futuro.

Como líder do nono membro de pleno direito da CPLP, Teodoro Obiang assegurou que “assumirá plenamente o compromisso de defender os estatutos da comunidade, actuar conforme os seus princípios e objectivos e compartilhar solidariamente a experiência comum, a fim de incrementar o aporte da nossa comunidade a um mundo mais pacífico, solidário, interdependente e complementar”.

A intervenção do Presidente equatoguineense foi feita em português – no entanto, no site oficial do Governo, Malabo deu a notícia da nova adesão em castelhano e francês, as duas primeiras línguas oficiais do país, e ainda em inglês. Não existia qualquer versão em português, terceira língua oficial do país – e uma das condições para a adesão à CPLP.

* com Lusa