Sociedade

RTP deixa de transmitir imagens de ‘terror’ islâmico

A RTP decidiu deixar de transmitir as imagens que têm corrido todo o mundo das execuções de jornalistas americanos por carrascos do autoproclamado Estado Islâmico. A decisão, explica o director de informação da estação pública, José Manuel Portugal, “é puramente editorial” e surge na sequência daquilo que a equipa da RTP considera ser o “aproveitamento mediático” dos membros do grupo radical islâmico, para espalhar o terror por todo o mundo, assassinando jornalistas.  

Ontem, recorde-se, os EUA confirmaram a autenticidade do vídeo em que um segundo jornalista norte-americano, Steve Sotloff, raptado em Agosto de 2013, aparece ajoelhado ao lado do seu carrasco – o mesmo homem mascarado que, há apenas duas semanas, decapitou outro norte-americano, James Foley – antes de ser decapitado. 

“Continuarmos a transmitir este tipo de imagens”, sublinha José Manuel Portugal, implica “ser conivente com com esta forma de terror que atenta contra os direitos humanos”. “Como estação de serviço público, temos de dar o exemplo aos telespectadores. Não precisamos de mostrar ‘aquilo’”, continua o responsável pela informação da televisão, referindo-se aos vídeos transmitidos em várias cadeias de TV por todo o mundo. 

“Soubemos, a posteriori, que outras cadeias de televisão por todo o mundo tomaram a mesma decisão”, refere o responsável, lembrando que a RTP tem dois enviados especiais ao palco de guerra, José Rodrigues dos Santos e Nuno Tavares. “Esperamos que tudo corra pelo melhor com eles. Mas esta decisão não é apenas pelos nossos companheiros. Os vídeos mostram camaradas nossos ajoelhados e ver aqueles olhares, aquela atrocidade… É uma questão de nos colocarmos nos sapatos dos outros”.

José Manuel Portugal termina com uma promessa: “A RTP não vai mais ser utilizada como palco para a propaganda” do terror dos radicais islâmicos. 

sónia.balasteiro@sol.pt